segunda-feira, 6 de abril de 2009

Cansados da "rothina"

Quem será o próximo? - Foto: Fernando Gomes
Ontem, Gre-Nal terminado, adentrei o MSN e vi um amigo meu com a seguinte frase: "e segue a rothina...". Isso serve tanto como corneta de um colorado, como desabafo raivoso para um gremista. Desde que o técnico vestiu a jaqueta azul, foram disputados sete Grenais. Nenhuma vitória. Muito pelo contrário, o torcedor assistiu seu rival vencer quatro clássicos seguidos. Além do mais, nenhum caneco foi parar no armário gremista e nenhuma finalíssima ocorreu - nem de Gauchão. O pior trauma de todos foi o Brasileirão do ano passado, quando o Grêmio chegou a ficar 11 pontos na frente do São Paulo (que viria se sagrar campeão posteriormente). Roth encerra um ciclo iniciado ainda em 2008, em 15 de fevereiro - ou seja, mais de um ano de trabalho. Foram 78 partidas abaixo da casamata tricolor: 45 vitórias, 17 empates e 16 derrotas.

A verdade é que o treinador só foi demitido porque sua relação com a torcida era insuportável. Ao que parece, dependesse apenas da diretoria gremista, nada mudaria. Entretanto, o coração do presidente Duda Kroeff falou mais alto. Ao escutar o canto dos colorados no fim da partida, que entoavam "Fica, Celso Roth!", ele não pensou duas vezes. Chamou o "Juarez" no gabinete e arrancou seu quepe. Kroeff enxergou-se como um torcedor, se retirou da condição de cartola e exigiu, assim como toda a massa azul, a demissão do técnico. O que ele iria dizer em casa? Bastava! Ergueu a bandeira tricolor, sentou-se na arquibancada do Olímpico e gritou: "Fora, Celso Roth!".

Contudo, embora pareça oportuno agora, eu penso que culpar o treinador é pouco. O insucesso gremista passa não apenas na casamata, mas circunda toda a diretoria, chega às falhas de planejamento e atinge, finalmente, o incompetente ataque tricolor. Foi um conjunto de erros que derrubou Roth. No fim, para o treinador, que se gabava por disputar uma Libertadores e desfazia do Gauchão, não sobrou nada. Mais humildade da próxima vez, Juarez - se é que terás outra vez por aqui.

domingo, 5 de abril de 2009

Porteiras abertas pro título

Índio presenteia o aniversariante - Foto: Valdir Friolin
Após o Gre-Nal de hoje o Inter está com o caminho escancarado para o bi estadual. O Colorado depositou a segunta mão na taça. Apenas uma bomba nuclear arranca o Gauchão do Beira-Rio. A superioridade rubra é gigantesca. Prova disso são os jogos onde os reservas tiveram de jogar. Imagine agora com os titulares. Claro, ainda pode vir um Juventude pelo caminho. E aí, tudo pode acontecer.

Do que os gremistas não podem reclamar hoje é de seu técnico. Celso Roth armou uma arapuca, pronta para caçar o Saci. Escalou um 4-4-2 e por pouco não saiu vitorioso. Agora, se a reclamação azul for sobre sua própria incapacidade ofensiva, aí está acertado. Já os vermelhos podem gabar-se por possuir um plantel exuberante, uma vantagem de sete clássicos sem perder e de ter Índio: o "homem Gre-Nal". A verdade é que este foi o mais equilibrado de todos os jogos entre os rivais. O Grêmio soube ocupar o meio-campo e não deixava o Inter tocar a bola. O jogo era muito igual, prova disso foi o escore que encerrou o primeiro tempo: 1 a 1 (ambos gols de pênalti). Mas, quando parecia que a decisão viria das penalidades, D'Alessandro levantou da casamata. Dele veio o passe para o gol do zagueiro-artilheiro colorado. Era o Internacional comemorando seu centenário, com uma vitória no centésimo clássico do estádio Beira-Rio.

A verdade que resta absoluta é: Gre-Nal e 2 a 1 pro Inter já virou sinônimo. É a terceira vez consecutiva que o resultado se repete. Ótimo para os vermelhos, ruim para os azuis. Agora os rubros se preparam para derrubar o Guarani, em Campinas, na quarta-feira. Já os tricolores, aguardam pelo Aurora, na terça, e por tempos melhores.

sábado, 4 de abril de 2009

Gre-Nal dos imortais farroupilhas

Lara e Foguinho são os dois primeiros
Metade da taça estava nas mãos dos colorados. Embora pareça, não falarei do presente. Refiro-me a 22 de setembro de 1935. Os gaúchos estavam em meio às comemorações do Centenário da Revolução Farroupilha. O título do Campeonato Metropolitano (Porto Alegre) era praticamente do Internacional. A última rodada do certame marcava um Gre-Nal. Ao Inter bastava um empate, para o Grêmio apenas uma vitória salvaria o ano. E, sabe como é, clássico é clássico.

No lado tricolor, estavam jogadores dispostos a estragar a festa colorada. Entre eles, o lendário goleiro Eurico Lara e o artilheiro Osvaldo Rolla, conhecido pelo apelido de Foguinho. Inclusive, o arqueiro, ídolo da torcida, nem deveria jogar aquela partida. Sofrendo de tuberculose, os médicos o aconselharam a abandonar a carreira. Lara contrariou os doutores e entrou em campo para ajudar sua equipe. Aguentou até o intervalo, quando foi substituído. Porém, a partida se mantia em jejum até o fim do segundo tempo. Os vermelhos já contavam com o empate e com a taça no armário dos Eucaliptos. Até que, a sete minutos do fim, num cruzamento para a área, o zagueiro colorado, chamado Risada, testou a bola pra fora da área, espantando o sonho gremista. A bola caiu nos pés do meio-campista Foguinho. Ele ajeitou com carinho e fuzilou a meta rubra - tal qual Aílton no Brasileirão de 96. Grêmio 1 a 0! A casa colorada desabou, e os azuis ainda tiveram tempo de ampliar o escore com Laci, aos 40 minutos. Estava decretada a imortalidade tricolor.

Encerrada a partida, diretores do Grêmio se comprometeram a lembrar deste título por mais 100 anos, comemorando-o anualmente com um jantar. A promessa é cumprida até hoje. Na lembrança daqueles longinquos 1935, resta um destaque: foi a última partida do guarda-redes Lara. Logo após a partida, ele fora internado no Hospital de Beneficiência Portuguesa, e veio a falecer dois meses depois. Por isso, falar do Imortal é lembrar do "Gre-Nal Farroupilha" e de Eurico Lara - eternizado, posteriormente, no hino gremista. E aí, alguém ainda duvida do tricolor?

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Cavalo de Tróia no Beira-Rio

Fernandão comemora seu gol - Foto: Mauro Vieira

Não, não vou falar do Gre-Nal deste domingo. Diretamente não, pelo menos. Quero lembrar de outra ocasião onde os rivais gaúchos se enfrentaram quando um deles aniversariava. Sim, já que o próximo duelo ocorrerá no dia 5 de abril - um dia após os 100 anos do Internacional -, irei relembrar uma ocasião parecida. Era o primeiro clássico em campeonato internacional - Copa Sul-Americana de 2004, mais especificamente. O dia era 15 de setembro, ou seja, aniversário do Grêmio (101 anos). Todos estes fatores ajudaram a criar um clima especial para aquela noite. O tricolor disposto a manter sua honra como aniversariante, o colorado querendo estragar a festa. O Beira-Rio era o palco.


O "Imortal" viva o início de seu calvário. Com 9 jogos sem vitória, Cuca era o técnico da vez. O Inter também não vivia momentos de glória, e apostava suas fichas no certame continental. Do lado azul, formaram a equipe: Márcio; Fábio Bilica, Claudiomiro e Baloy; Fábio Pinto, Cocito, Leanderson, Felipe Melo e Cristiano; Cláudio Pitbull e Christian. Para os rubros, Muricy Ramalho escalou Clemer; Álvaro, Vinícius e Edinho; Gavilán, Élder Granja, Marabá, Danilo e Felipe; Rafael Sóbis e Fernandão. Ambos no 3-5-2. Um jogo igual até os 32 minutos da primeira etapa, quando o Inter abriu o placar com Fernandão. A partir de então, os azuis se fecharam na defesa e tentavam manter o escore mínimo. Não houve jeito. Já no fim da partida, o ala-esquerdo Chiquinho, que recém havia entrado, decretou o fim do aniversário tricolor. 2 a 0. Naquela oportunidade, Rafael Sóbis despontava entre os jogadores e saiu consagrado de campo com uma bela atuação. Pelo Grêmio, o destaque coube ao goleiro Márcio, que salvou várias chances de gol. Belíssimo jogo!


Pois desta vez o enfrentamento se repetirá. Claro, é válido pelas quartas-de-final do Gauchão, mas isso não empobrece o duelo. Como fez o Inter em 2004, o Grêmio quer estragar o aniversário do rival. Cabe a Roth fantasiar seu time de cavalo de madeira, para repetir o "presente de grego" dado aos troianos na famosa Guerra de Tróia. Depois é só desejar: "Feliz aniversário, Internacional"!


* Amanhã publico sobre o Grêmio.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

O luxo e o lixo

Alegria e desolação - Fotos: Diego Vara e Daniela Xu
Dois times reservas, ambos jogando fora de seus estádios e, mesmo assim, buscando consolidar a primeira colocação de seus grupos. Desta maneira iniciaram o dia Inter e Grêmio. Entretanto, a prática passou longe da teoria - pelo menos para o lado azul.

O Grêmio foi a Caxias do Sul e tomou um sarrafo de 4 a 0, sem dó nem piedade para o SER Caxias. É bem verdade que, de titular, apenas o goleiro Victor. Contudo, esperava-se uma apresentação mais convincente do tricolor. Que nada! Com uma zaga pífia, um meio-campo fraco e um ataque nulo, a tarde foi mesmo de Marcos Denner - o atacante caxiense marcou dois na goleada. Já pelo lado vermelho, uma equipe completa de reservas aplicou impiedosos 3 a 0 no Avenida. Destaque para o garoto Walter, autor de dois.

Sem dúvidas, o povo gaúcho pôde ir aos extremos em questão de horas. Enquanto os gremistas sentiram-se desmoralizados, uns verdadeiros lixos, frente ao clube caxiense; os colorados deram-se ao luxo de golear mesmo utilizando suplentes. Com estes resultados, o Grêmio terminou a primeira fase do certame em 4º lugar, e o Inter em 1º. Assim, se cruzarão pelas quartas-de-final da Taça Fábio Koff. Portanto, teremos um domingo de Gre-Nal. E sabe como é, em clássico, nem sempre a boa fase é preponderante. E o luxo pode virar lixo em questão de minutos. Grande confronto!

Do rebaixamento para a Seleção

Vestisse as cores do Grêmio, seria ídolo - Foto: Diego Vara
Reabilitação da Seleção Brasileira pelas eliminatórias em Porto Alegre, já não é mais novidade há anos. Sequer a atuação desta noite, contra a fraca equipe peruana merece destaque. Muito menos os gols de Luis Fabiano. As entradas de Ronaldinho e Pato no segundo tempo também não alcançaram as expectativas. Ora, então o que salientaremos nestes 3 a 0? Pois eu digo: Felipe Melo.

Certamente, pela extensão do Rio Grande do Sul, uma legião de gremistas levantou da poltrona na hora do gol do citado jogador. Mas não de felicidade. Acontece que Felipe Melo, carioca de nascença, desembarcou em Porto Alegre há cinco anos atrás. O jogador, contratado como craque, "defendeu" o Grêmio naquele fatídico e vergonhoso ano de 2004. Chegado em maio, Melo não conseguiu impedir que o tricolor gaúcho despencasse para a Série B do Campeonato Brasileiro. Sob o comando do técnico Cuca - então treinador gremista -, chegou, inclusive, a atuar pela ala-direita. Mas não convenceu. Saiu fugido do Olímpico a juras de ódio e foi parar no Mallorca, da Espanha.

Pois hoje, não é que ele ousou voltar. Pisou em território porto-alegrense vestindo a amarelinha de número cinco. Na função de volante, Melo (que hoje atua pela Fiorentina) vem sendo titular da Seleção desde o amistoso contra a Itália. E, para piorar sua situação com o "Imortal", apesar de não ter feito uma ótima partida, marcou um gol - o que deve tê-lo firmado ainda mais entre os "homens de confiança" de Dunga. Os gremistas vociferaram. Querem sua morte acima de tudo! "Maldito Felipe Melo! Foi jogar bem depois que saiu daqui, traidor!?". Desarmou uma bola no meio-campo, avançou, prensou com um peruano, adentrou a área e desviou do goleiro. Gol digno de volante raçudo. Bem aos moldes que o Grêmio procura. Maldito traidor!

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Convoca o Paraíba!

Paraíba comemora seu gol contra o Paraguai em 2001

Era um sufoco danado! Naquela que talvez tenha sido a mais sofrida classificação para uma Copa do Mundo nos últimos tempos, a Seleção Brasileira veio a Porto Alegre jogar contra o Paraguai em 15 de agosto de 2001. Grande acerto! Precisávamos vencer e Felipão sabia que o povo gaúcho não o deixaria na mão. Convocou uma série de jogadores contestadíssimos - como de costume - e venceu os paraguaios por 2 a 0 no estádio Olímpico. O ápice da vitória ocorreu quando Marcelinho Paraíba, recém saído do Grêmio, decretou o início da vitória canarinho. Ao ver que seu ídolo marcara um gol, a casa gremista vociferou de orgulho: Ah! Eu sou gaúcho!


Pois hoje, oito anos depois, Dunga vem com a mesma missão à capital riograndense. Desta feita, o Peru se atravessa no caminho brasileiro, em uma partida marcada para o estádio Beira-Rio. Somente no treino de ontem a torcida compareceu em peso e demonstrou que apoio não faltará. No entanto, o que me intriga no jogo de logo mais é que não temos um ídolo dos gaúchos para iniciar o duelo contra os peruanos. Dos 11 que provavelmente iniciarão o jogo, apenas o zagueiro Lúcio teve passagem pelos campos vermelhos. É bem verdade, teremos no banco de reservas Anderson, Ronaldinho Gaúcho e Kléber como representantes do ego sulista. Porém, aquele que mais representa esperança aos gaúchos, principalmente para os colorados, é Alexandre Pato. Será ele o novo Marcelinho Paraíba? São jogadores diferentes, em ocasiões desiguais. Em 2001, o "Paraúcho" ostentava 26 primaveras. Já, o atacante patobranquense tem apenas 19 aninhos. E, convenhamos, nestas horas, a experiência faz a diferença.


Na dúvida, pediria para o técnico Dunga convocar Marcelinho Paraíba às pressas. Mas não é o caso. Aquele nordestino de cabeça amarela que defendeu o manto tricolor, já não é o mesmo que hoje atua pelo Coritiba. Nossas expectativas estão voltadas para outro artilheiro - de preferência que seja de alma gaúcha. Acima de tudo, esperamos que nossos representantes não tremam. Até porque, como já salientei, os gaúchos não deixarão Dunga na mão. Que o diga Luiz Felipe Scolari!