quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Teoria flamenguista

Foto: Mauro Vieira - ClicRBS

Eu tenho uma teoria! Assim como zilhões de pessoas que se acham doutores em determinados assuntos e bolam teorias, eu tenho uma. Não é um plano mirabolante e complexo, tal qual as teorias de Albert Einstein. Também não é uma descoberta de se gritar "Eureka!". Mas já serve para convencer os meus amigos e mais chegados sobre qual time será o campeão brasileiro de 2009. E hoje, finalmente, decidi colocar minha bochecha à disposição de tapas. Que me desculpem os colorados, eu até torço para que seja o Inter o campeão, mas minha teoria não me deixa sonhar. E, por incrível que pareça, tem feito com que alguns amigos meus, colorados, se dêem conta de que o título não passa de um sonho. Pois bem, vamos a ele.

Atualmente, o Internacional possui 59 pontos na tabela de classificação - apenas três a menos que o São Paulo. Portanto, mediremos as qualificações do time gaúcho para que, em duas rodadas, ultrapasse o seu rival. Consideremos os adversários de ambos. Os comandados de Mário Sérgio terão pela frente duas equipes rebaixadas. Só por isso, já poderíamos decretar o expresso vermelho amplo favorito ao caneco. No entanto, não esqueçamos que o Inter tem uma desvantagem de três pontos. Mas, voltando à análise, não acredito que Sport Recife e Santo André possam oferecer alguma dificuldade. Aposto em duas vitórias coloradas. Sendo assim, com mais seis pontos, o Internacional terminaria o campeonato com 65.

Enquanto isso, o São Paulo terá pela frente Goiás e Sport Recife. Neste domingo, no Serra Dourada, os ex colorados Iarley e Fernandão defenderão as cores do Rio Grande do Sul mais uma vez. Pode até ser que saia um empate, mas consideremos que se faça uma vitória goiana, para apimentar ainda mais a classificação. Na última rodada, o Tricolor Paulista ainda teria pela frente o Sport, em pleno Morumbi. Enfim, coloquemos mais três pontos na conta são-paulina. Portanto, o time treinado por Ricardo Gomes terminaria o campeonato com os mesmos 65 pontos do Inter. No entanto, os colorados teriam a vantagem de uma vitória a mais e saldo de gols superior, o que já dá o título ao Internacional.

Contudo, antes mesmo de Guiñazu erguer a taça, voltemos o holofote para o terceiro participante. Neste domingo, o Flamengo enfrenta o Corinthians em Campinas. Mesmo que Mano Menezes declare que escalará o que tem de melhor, a diretoria paulista não vai deixar. Tudo isso porque a rivalidade entre Corinthians e São Paulo não permite. E ainda teria o Palmeiras na concorrência pelo título. Então, por que não entregar três pontos de bandeja para o Flamengo? Com isso, os flamenguistas chegariam aos 64 pontos. Mas ainda viria o gran finale. A tabela elaborada pela CBF coloca na última rodada o Grêmio frente a frente com o postulante a título. E a mesma pergunta se repete: "por que não entregar três pontos de bandeja para o Flamengo?". Se vencer o Rubro-Negro Carioca, o Grêmio breca o Flamengo nos 64 pontos, entregando a taça de campeão brasileiro ao Internacional. Por isso, que gremista, em sã consciência, gostaria de ser o responsável pelo título do arquirrival?

Enfim, meus amigos, feliz o Flamengo que não tem rivais à vista. Tanto Botafogo quanto Fluminense estão brigando na parte de baixo da tabela, enquanto o Vasco aguarda no topo da Série B. Já São Paulo e Inter morrerão na praia porque têm inimigos entrincheirados. E quem diz que a união não faz a força? Sorte carioca, sorte de campeão.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Só não vê quem não quer


Afinal de contas o que é o futebol? O que constrói a imagem de um bom treinador? Terno e gravata? Títulos? Bonézinho e prancheta? Bom, vamos por partes. Aonde o Grêmio quer chegar? Paulo Autuori foi trazido a peso de ouro dos Emirados Árabes. Não deu resultado algum e foi mandado de volta. Agora, o presidente gremsita, Duda Kroeff, aparece aos microfones para falar que mesmo que não tivesse ido embora, o comandante não teria seu contrato renovado. Acontece que Autuori veio para proporcionar ao Grêmio tudo aquilo que Celso Roth não havia conseguido. A missão falhou e o Grêmio retorna ao que fazendo antes. Adílson Batista e Dorival Júnior, pelo que parecem, se assemelham muito mais ao estilo Roth do que ao estilo Autuori. Afinal de contas o que o Grêmio quer?


É difícil responder. Agora, se a pergunta fosse o que o Grêmio não quer, eu responderia facilmente. A direção do Tricolor não quer Marcelo Rospide. Segundo o vice de futebol Luiz Onofre Meira, o técnico interino não tem as mínimas possibilidades de ser efetivado. Agora, eu retorno a pergunta que abriu este comentário: "o que constrói a imagem de um bom treinador?". A meu ver, um bom treinador, primeiramente, tem de ter currículo. E, convenhamos, que currículo apresentam Adílson e Dorival? Vice da Libertadores, Série B e títulos estaduais. Sendo
assim, por tempo de trabalho, Rospide largaria até em vantagem. Nada por nada, pelo menos o interino é uma incógnita. Mas quero me ater no que o próprio Rospide chama a atenção: os números. Marcelo Rospide dirigiu o Grêmio em nove partidas (são seis vitórias, dois empates e uma derrota). Um aproveitamento de 74%. Que outro treinador do Brasil tem aproveitamento igual? O próprio Dorival Júnior, dirigindo o Vasco da Gama na Série B, tem 68%. O líder São Paulo, de Ricardo Gomes, ostenta 57%. Portanto, o que se espera de um treinador, que são números e resultados, Rospide tem de sobra.


Se o problema for experiência em competições importantes, o próprio histórico gremista serve de exemplo. Felipão, Mano Menezes e Valdir Espinoza jamais haviam estado em uma Libertadores da América antes de passar pelo clube porto-alegrense e, nem por isso, decepcionaram o seu torcedor. Enfim, poderíamos permanecer mais uma dúzia de horas apresentado fatores que não impedem a efetivação de Marcelo Rospide no comando gremista. Até mesmo Dunga, o técnico da Seleção Brasileira, serviria de exemplo. Mas já percebemos que a diretoria gremista prefere investir um caminhão de dinheiro em mais um "enganador". Sendo assim, repasso minha dica para o Esporte Clube Juventude. Independente de permanecer ou não na Série B do Brasileirão, o clube caxiense já tem um nome para comandar a equipe em 2010. Só não vê quem não quer!

terça-feira, 24 de novembro de 2009

De volta para a casa


Muito se falou na vinda de Adílson Batista para o Grêmio em 2010. Na verdade, a diretoria gremista apostava mesmo em Paulo Autuori, mas ele não quis ficar, então partiu-se para outros lados. Ainda ontem veio a notícia sobre a negativa de Adílson, que preferiu continuar seu trabalho no Cruzeiro. Agora aparecem os planos B, C e D. Imagine a situação: Dorival Júnior acompanhar o notíciario e perceber que é a segunda opção no estádio Olímpico. Será que ele vai abandonar todo o prestígio conquistado no Vasco? Ainda aparecem os nomes de Silas, do Avaí (disputado por diversos clubes brasileiros) e até mesmo a efetivação de Marcelo Rospide pode surgir como alternativa. Mas basta pensar um pouquinho mais para perceber que o interino não tem a mínima chance de assumir.

Você certamente já participou de uma entrevista de emprego. Existem perguntas que se faz a todo candidato à vaga. Como: "Você fuma?", "É casado?", "Tem carteira de motorista?". Pois no Grêmio, quando um treinador senta na mesa do presidente tem de responder a uma pergunta universal: "Você já jogou no Grêmio?". Adílson não precisou nem responder. Duda Kroeff olhou para um dos pôsteres do bicampeonato sul-americano, conquistado em 1995, e avistou a presença do "Capitão América" com a taça da Libertadores sobre a cabeça. Até por isso era o plano A. Porém, a proposta salarial acabou não agradando ao comandante. Até que desembarcou no imaginário da direção um tal de Dorival. Já em fim de carreira, atuou com a camisa do Tricolor em 1993, época de vacas magras. Mesmo assim, já responde ao pré-requisito.

No caso de Silas, a contratação é um pouco mais complicada. Durante sua carreira bem sucedida como boleiro, Silas defendeu o vermelho do arquirrival. Inclusive, foi campeão da Copa do Brasil com o escudo do Inter sob o peito. Tal imposição já serve para que a direção gremista olhe o treinador com maus olhos, mas não é descartado por completo. Agora, Rospide, pobrezinho, não foi jogador de futebol. Também por isso sequer vestiu o manto Imortal. Portanto, acabou sendo jogado fora na primeira avaliação.

Tais argumentos poderiam cair por terra se levássemos em consideração a contratação de Paulo Autuori nos últimos meses. Acontece que através dele o Grêmio aprendeu que precisa de alguém com a sua própria cara embaixo da casamata. Sendo assim, com a negativa de Adílson, um possível não acerto com Dorival e os descartes de Silas e Rospide, tudo leva a crer que o técnico gremista em 2010 será ele: Renato Portaluppi. Quer outro jogador mais identificado com a história gremista? Com certeza a torcida não se faria contra, resta saber se a diretoria quer.

Meu amigo de fé


A vitória do Inter sobre o Atlético-MG neste domingo, em pleno Mineirão, não apenas recoloca-o na condição de postulante à título. Os três pontos afirmam as cores do coração do treinador atleticano, Celso Roth. Gaúcho de nascença, Roth sofre do mesmo mal que diversos conterrêneos seus. A maioria da população sul-riograndense não está concentrada em Porto Alegre. Nem por isso, deixa de torcer para times de futebol da capital. Caxias, Juventude e Brasil de Pelotas bem que tentam rivalizar com a dupla Gre-Nal. No entanto, a supremacia dos torcedores azuis e vermelhos é visível.


Pois Celso é natural de Caxias do Sul. Podia muito bem ser ou grená ou alviverde, mas prefere defender as cores do Internacional. Não exatamente como tantos outros boleiros. Na verdade, o técnico não veste o uniforme colorado, mas carrega o vermelho no peito. Profissional como é, chegou, inclusive, por inúmeras vezes a comandar o arquirrival Grêmio. Conseguiu dar uma disfarçada por um bom tempo na sua preferência. No entanto, nestes 2009, ano do Centenário do Colorado, Celso Roth não se aguentou e decidiu presentear seu time de infância.


Ainda quando estava à frente do clube gremista, no início deste ano, Celso entregou três clássicos pelo Gauchão. No final das partidas tentava enganar a imprensa, dizendo que estava descontente com o resultado. No fundo, ria de felicidades por ver sua equipe do coração avançar no campeonato. Por isso acabou sendo demitido. Foi parar em Belo Horizonte, bem longe do clube da beira do Guaíba. Mas quis o destino que os caminhos se cruzassem novamente. E assim se fez. Cinco partidas realizadas e cinco vitórias coloradas. Em praticamente todas os seus jogadores jogaram muito melhor que os colorados, mas Roth sempre deu um jeitinho.


Confesso que jamais havia visto algo deste nível no futebol. É claro que escutei, li e já vi atletas que juraram amor eterno ao seu time de infância. Pelé no Santos, Maradona no Boca Jrs., e mais recentemente Adriano no Flamengo. Agora, entregar de bandeja como faz Celso, é a primeira vez. Aliás, para me tirar uma pulguinha atrás da orelha, gostaria de ter acesso ao quadro de sócios do Sport Club Internacional. Certamente deve estar lá o nome cravado - Sócio Campeão do Mundo: Celso Juarez Roth. Brincadeiras à parte, parabéns aos colorados!

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Excomungados

Foto: Alexandre Alliatti (Globo Esporte)

Paulo Autuori foi-se embora do Olímpico já faz uma semana. No entanto, deixou algumas ideias suas disseminadas por lá. Em uma de suas últimas entrevistas coletivas, o comandante declarou que gostaria de contar com jogadores com perfil vencedor. Desta maneira, as palavras chegaram até o ouvido do então capitão Tcheco. O meio-campista vestiu a camisa tricolor de 2006 a 2009. Neste meio tempo esteve fora, jogou na Arábia e retornou à Porto Alegre. Foi o dono da braçadeira durante todo este tempo e ergueu duas taças de campeão gaúcho. Mesmo assim, a bronca toda de Autuori (treinador acusado de não ter a cara do Grêmio) era de que, inconscientemente, Tcheco representava tudo aquilo que o Grêmio não conseguira, já que o atleta foi vice-campeão Brasileiro em 2008 e vice da Libertadores em 2007. Bastou para que a diretoria gremista caísse na onda. Pois ano que vem, Autuori não estará no Olímpico. Muito menos Tcheco. Há aqueles que juram que o jogador assinará contrato com o Corinthians, aonde disputará uma Libertadores da América e terá o respaldo do técnico: Mano Menezes.


Embora Tcheco tenha sido um ídolo do período de "vacas magras", exsitem os torcedores que comemoram a sua saída. Afinal de contas, o atleta está velho, lento e só sabe bater faltas - enquanto o Douglas Costa transpira jovialidade. Pois veja a situação em que o torcedor gremista se meteu. Os argumentos que expulsam Tcheco do estádio Olímpico são quase os mesmos que demitiram Celso Roth. Celso tinha o "DNA do fracasso", era a cara de um time perdedor. E agora, pasme, o gremista cai nas mãos destes dois excomungados.


Digo isso porque o princípio da rivalidade gremista se chama Internacional, e contra quem o Colorado jogará neste final de semana? Atlético-MG. Justamente o time comandado por Celso Roth. Se vencer em Belo Horizonte, o Inter praticamente crava as mãos na vaga para a Libertadores do ano que vem. Então, não é sacrilégio dizer, que todas as esperanças de não classificação do Inter passam por uma torcida expressiva por Celso Roth. Veja bem, àqueles que excomungaram Roth do Grêmio são os mesmos que vibrarão com sua conquista neste domingo.

Mas digamos que o técnico do Atlético tenha mesmo o DNA do fracasso e que o Inter volte para Porto Alegre com três pontos na bagagem. Mesmo assim, as chances de título colorado ainda são muito pequenas. Portanto, a secação do torcedor gremista se estenderá para o ano que vem. Nenhum tricolor gostaria de ver o rival erguer duas vezes a taça de campeão da América! Para tanto, terão de torcer para outras equipes durante a competição. E quem melhor do que o Corinthians, eterno matador do Colorado? Pois é, e aí vem o ápice desta análise. Em 2010, quem estará vestindo a camisa 10 do Timão, muito provavelmente, será o meia Tcheco. Portanto, no fim das contas, o torcedor gremista poderá seguir preso à mesma cruz: torcer por Celso Roth e por Tcheco. Haja coração!

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Robin Hood dos pampas


Foto: José Doval (Assessoria do Grêmio)

A vitória gremista sobre o Palmeiras, na noite de ontem, nos trouxe uma realidade: o Grêmio é o Robin Hood do Brasileirão 2009. E talvez até por aí se responda a supremacia tricolor dentro de casa e a inferioridade fora dela. Dos seis postulantes a título ou G-4, nenhum contará boas histórias do estádio Olímpico no final deste ano. E se o resultado desta quarta-feira deixa o torcedor palmeirense sem estímulo algum para seguir em frente, os fatos que irei relatar a partir de agora podem servir de atenuante ao sofrimento.


Comecemos pela parte de baixo. O Cruzeiro, atual sexto colocado, foi à Porto Alegre no dia 2 de agosto. Voltou para casa com uma goleada de 4 a 1 nas costas e dois jogadores expulsos. Pois com o quinto colocado, Atlético-MG, não foi muito diferente. No retorno de Celso Roth ao estádio Olímpico, outra goleada de 4 a 1, para não haver corneta entre os rivais de Belo Horizonte. Outra vítima do ímpeto gremista foi o Flamengo de Adriano e Cia. Com dois gols de pênalti do atacante Jonas, o rubro-negro carioca voltou para o Rio com os mesmos 4 a 1. Vitória também sobre o arquirrival colorado, que perdeu de virada ainda no primeiro turno. Depois de Nilmar colocar o Inter na frente, Souza e Máxi deram a vitória aos azuis no clássico dos 100 anos. O único que não perdeu no estádio Olímpico foi o São Paulo, que recentemente arrancou um empate em 1 a 1 com dois jogadores a menos. No entanto, para aqueles são-paulinos que pensavam em comemorar a atuação heróica nos pampas, o veneno chegou mais tarde. Ainda ontem o STJD julgou e puniu os atletas Jean, Borges e Dagoberto por dois jogos de suspensão. Ou seja, voltarão a atuar apenas na última rodada.


Por isso, meu amigo, não há porque sentir tristezas ao perder para o Grêmio no Rio Grande do Sul - pelo menos para os times que estão na parte de cima da tabela. Já alguns intermediários e
rebaixados foram aliviados de sofrimentos maiores. O lanterna Sport Recife, por exemplo, arrancou um empate em 3 a 3. O 13º colocado, o Vitória, vangloriou-se pelo empate em 1 a 1. E o Goiás, que já não fede nem cheira, por pouco não deixou o aeroporto Salgado Filho com três pontos na bagagem (ficou no 2 a 2).


Portanto, veja como o Grêmio repetiu os feitos do arqueiro das florestas, Robin Hood. Roubou pontos importantes dos fortes para entregar aos fracos. Por isso, as críticas pela ajuda involuntária dada ao Internacional não podem ser levadas em frente. Até porque, sabe-se muito bem, os postulantes vem tropeçando nas próprias pernas. Ou alguém aqui quer creditar a derrocada do Palmeiras exclusivamente ao jogo de ontem contra o Grêmio? Ou o Imortal tem culpa sobre as suspensões dos jogadores são-paulinos? Ou, ainda, o Grêmio tem culpa pelos tropeços dentro de casa de Cruzeiro e Atlético-MG? Ou a direção gremista é culpada pelas vendas do Inter? Meu caro amigo, o Grêmio já tem seus próprios culpados. Não precisa ser apontado como salvador deste ou assassino daquele. Agora, não há como negar: o estádio Olímpico foi um matadouro neste ano.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Vem, meu irmão


Foto: Diego Vara (Jornal Zero Hora)



Vem, meu irmão - A Lupa no Gramado

Houve tempos em que a rivalidade valia mais do que tudo nos pagos gaudérios. Dizer que ia vencer para ajudar o compadre, era quase um sacrilégio. Agora, neste ano, o discurso sumiu. A questão não é prejudicar o arquirrival, mas simplesmente não ajudá-lo. Sou do tempo em que se colocava o "banguzinho" em campo só para atrapalhar as pretensões do co-irmão. Ainda mais levando em consideração o fato de que o rival está na briga por classificação ou título. Na terra dos chimangos e maragatos guerra é guerra!


Para quem não lembra, já tivemos exemplos clássicos desta tese. Em 1996, por exemplo, o Internacional precisava vencer um já rebaixado Bragantino, na última rodada, que se classificaria entre os oito melhores do Brasileirão. Pois não teve competência para tanto. Acabou sendo derrotado por 1 a 0, gol do veterano Esquerdinha. E, ainda por cima, o atacante Leandro (esperança de gols dos vermelhos) errou uma cobrança de pênalti. Mas nem tudo estava perdido. Bastava o Grêmio de Felipão vencer o Goiás, dentro de casa, que daria uma mãozinha ao Colorado. Mas o Imortal, curiosamente, perdeu por 3 a 1. Ao final do jogo, o placar eletrônico do estádio Olímpico mostrou a seguinte frase: “ELES estão fora”. No dia seguinte, um aviãozinho com a mesma frase circulou pelos céus de Porto Alegre. Para piorar a estima dos colorados, naquele mesmo ano o Grêmio se sagraria bicampeão brasileiro.


Como resposta a esta história, podemos lembrar o campeonato do ano passado, quando o Grêmio buscava mais um título nacional. Na briga direta pelo caneco, o time de Celso Roth vinha capenga e o São Paulo em ascensão. Para desespero dos gremistas, na 33ª rodada, o adversário dos são-paulinos seria justamente o arquirrival Inter, que vinha poupando titulares para jogar a Copa Sul-Americana. Não deu outra: os vermelhos levaram 3 a 0 ao natural, enquanto o Grêmio não saiu de um empate dentro de casa contra o rebaixado Figueirense. O resultado foi determinante para que o São Paulo de Muricy alcançasse a liderança e rumasse para o hexacampeonato.


Pois neste ano, os dirigentes gremistas resolveram abandonar a rivalidade - pelo menos em discurso. Jogadores e comissão técnica espalham aos quatro cantos que o time defenderá a invencibilidade dentro de casa contra o Palmeiras. E, para quem não sabe, uma derrota do Verdão aliada a uma vitória colorada no domingo, praticamente instala o Inter entre os quatro melhores que vão à Libertadores da América. Por isso, para desespero dos fanáticos que pedem a escalação dos fraldinhas nesta noite, resta apenas a conscientização de que o Grêmio agirá como o verdadeiro irmão mais velho do Colorado, ajudando o time do Beira-Rio a atravessar a rua.


A não ser que o plano da diretoria gremista vá além. O Grêmio bate o Palmeiras, mantém a invencibilidade dentro de casa e aposta todas as fichas em Celso Roth no próximo domingo. Acontece que apostar em Roth contra o Inter é quase um tiro no pé. E a torcida tricolor sabe disso.