terça-feira, 13 de abril de 2010

Sávio pelo gongo

Amanhã o Grêmio recebe, no estádio Olímpico, o Avaí - ex-time do Silas. Todo mundo está focado neste embate, entre criatura contra criador. Silas é visto como rei na Ressacada. Foi capaz de recolocar o clube catarinense, antes conhecido apenas por ser o time do coração do tenista Guga, de volta na elite do futebol brasileiro. E, não bastando, fez uma bela campanha, com jogadores limitados. Por isso, todos querem ver como será o comportamento de ambos no confronto pela Copa do Brasil. Porém, este Avaí que enfrentará o Grêmio, não é mais o Avaí de Silas. É como se tivesse chegado um caminhão de mudanças e levado toda a mobília da casa. Marquinhos, Léo Gago, William e Eduardo Martini (alguns dos destaques daquela equipe) já não moram mais em Florianópolis. Então, não nos resta outra alternativa senão desbancar essa discussão de "reencontro".

O que me chama a atenção, na verdade, é outro embate. Para quem não sabe, o grande nome do Avaí neste ano é o atacante Sávio. Considerado por alguns um ex-jogador, por outros a grande esperança avaiana, ele está lá. É praticamente o bendito fruto! E, 15 anos depois, cruzará contra o Grêmio novamente em uma Copa do Brasil. Nos idos de 1995, enquanto o Grêmio estava emaranhado na Libertadores da América (a qual conquistaria alguns meses depois), cruzou com o poderoso Flamengo, de Wanderley Luxemburgo, nas semifinais. Depois de ter passado pelo Palmeiras, rival da época, o Tricolor encontrou o Rubro-Negro Carioca. No estádio Maracanã, este mesmo Sávio deitou e rolou para cima da zaga gremista. Praticamente construiu sozinho a vitória de 2 a 1 sobre o time de Felipão. E com dois golaços! No primeiro, passou por quatro marcadores até chutar na saída do goleiro Danrlei. No segundo, tripudiou em cima do arqueiro antes de tocar para o fundo das redes. Terminaria como o artilheiro do certame, com sete gols. Mas, como no futebol nem sempre vencem os habilidosos, o Grêmio, com a raça de sempre, jogou com o regulamento embaixo do braço e venceu por 1 a 0 no estádio Olímpico, gol de Jardel, e passou para finalíssima.

No fim das contas, nem o Grêmio de Jardel e muito menos o Flamengo de Sávio foram vitoriosos. O grande campeão da Copa do Brasil de 1995 foi o Corinthians, de Marcelinho Carioca. Mas a lembrança de Sávio destruindo no Maracanã, e dele mesmo sendo caçado no Olímpico, nunca me saem da cabeça. Mas, se há 15 anos ele não conseguiu eliminar o Grêmio, não vai ser agora, com 36 anos nas costas, que o fará. O verdadeiro inimigo do Grêmio está à frente. Quem será ele?

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Um olho no gato e outro no Lobo

Foto: Alexandre Lops (S.C. Internacional)

Como bem desejava, o Inter viajou para o Equador descansado. Jogou ainda no sábado, quando eliminou o Ypiranga de Erechim, com dois gols de Walter, e sacramentou a classificação para a finalíssima da Taça Fábio Koff. Era isso o que todos os colorados queriam e espereneavam desde a semifinal do primeiro turno, quando foram obrigados a escalar um time reserva contra o Novo Hamburgo e, por consequência, impedidos de disputar a final com o Grêmio. Para muitos torcedores, lá estava a explicação pela derrota. Pois bem, agora está tudo resolvido. O Inter volta a campo pelo Gauchão somente no próximo domingo, e ontem ainda se deu ao luxo de assistir o São José cair dentro de casa diante do Pelotas. Poderá, enfim, pensar somente no Emelec, próximo adversário da Libertadores.

Mas leio, ouço e vejo coisas que me levam a outro pensamento. Que o real inimigo do Internacional é verdadeiramente o Pelotas, e não o Emelec. Digo isso porque os equatorianos vêm espalhando aos quatro cantos da América que mandarão os suplentes no jogo desta quarta. Sem chances de classificação no torneio continental, o Emelec prefere concentrar suas forças no Campeonato Nacional, onde o clube figura em terceiro lugar na classificação geral. Nem mesmo os jornais de Guayaquil dão atenção à visita do Inter. Seja qual for o resultado, o Equador não vai chorar por uma desclassificação. Por isso, me forço a pensar que o Pelotas é muito mais perigoso que o inimigo deste meio de semana.

Noutra oportunidade, quando se tem um adversário fraco, se escala um time inferior, em detrimento da decisão que vem a seguir. Sendo assim, Jorge Fossati deveria poupar seus titulares para enfrentar o Pelotas no próximo domingo. Porque este jogo sim, pode valer o ano colorado. Uma derrota para o Pelotas, com certeza respingará na campanha da Libertadores. Mas, afinal de contas, qual a prioridade do clube gaúcho? É a Libertadores, não é? Pois o Emelec está nela e é o adversário desta semana. Então, não interessa quais os jogadores enfrentarão o Inter nesta quarta, uma vitória fora de casa valerá os mesmos três pontos de sempre. Depois, contra os pelotenses, se vê qual a situação.

Mas que deve ficar uma vontadezinha de poupar os jogadores para o Gauchão, deve ficar. Entretanto, um grão de cada vez - mesmo que se mantenha um olho no gato e o outro no peixe.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Invencibilidade de papelão

Foto: Diego Vara (Zero Hora)

Foram 51 jogos sem perder dentro de casa - desde o final de 2008 o estádio Olímpico não conhecia derrotas. Além disso, fez-se uma série de 15 vitórias consecutivas. E aí, de que adiantou tudo isso? Depois de toda essa construção, veio o Pelotas, com Tiago Duarte, e fez o império desmoronar. Não dá para se fazer terra arrasada, mas, também, isso comprova que o discurso de melhor time do país não era para tanto. Foi uma invencibilidade de papel, ou pior ainda, que terminou em papelão.

Dentro de todo o período sem derrotas em Porto Alegre, o Grêmio disputou seis campeonatos, entre Gauchões, Brasileirões e Libertadores. E, mesmo com a sequência de bons resultados, nenhum caneco repousou no armário azul. Veio a Taça Fernando Carvalho neste ano, que se não for complementada com o título estadual será uma lembrança maldita na sala de troféus. Será a lembrança de mais um ano em branco para o torcedor gremista.Neste momento, pode se falar de tudo o que quiser. Elogiar a marcação do Pelotas, a atuação da equipe ou o técnico Beto Almeida. Nada vai amenizar o princípio de crise que se faz. Porque afinal de contas é uma derrota que escancara os problemas do time de Silas.

E, para piorar tudo, o Grêmio perde o meia Douglas para o primeiro jogo da decisão. O grande maestro da equipe, o novo Carlos Miguel (segundo Meira), acabou sendo expulso por chutar a bola em cima do bandeirinha. Assim, além de levar o cartão vermelho, Douglas pode ser julgado e ficar de fora do segundo jogo também. Imagine o tamanho da encrenca o Grêmio ter de depender de Hugo em um Gre-Nal decisivo.

Pode ser que tudo isso não seja nada, como disse o comandante tricolor ao final da partida. Realmente, o Grêmio está na decisão do Campeonato. Passará a pensar no confronto contra o Avaí, pela Copa do Brasil, com mais ênfase. Contudo, deixa a pulga atrás da orelha. Afinal de contas, foi enganosa a invencibilidade? Foram mentirosas as 15 vitórias no Gauchão? A princípio, sim. Não basta vencer Juventude, Esportivo, Inter-SM e alguns outros se a medalha não está no peito. Mas, para a sorte da massa tricolor, o Grêmio terá uma segunda chance muito em breve. Vale lembrar, será a última.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Final de Copa do Mundo

Foto: Valdir Friolin (Clicesportes)

A vitória do Inter sobre o Novo Hamburgo, conquistada somente nos penais, pode servir como alerta para qualquer torcedor que sonha com um torneio maior do que o Gauchão. Uma Libertadores, por exemplo. Apesar da classificação, o modo como ela veio não agrada à torcida. Pelo menos à grande maioria. Por que para outros, a situação de penalidades a que o Inter foi submetido na noite de ontem se explica pela motivação do adversário. Assim como na semifinal da Taça Fernando Carvalho, a equipe do Noia encarou o confronto contra os colorados como uma final de Copa do Mundo, e não como umas simples quartas-de-final de Campeonato Estadual, como pensam os vermelhos. Sendo assim, ao eliminar o Novo Hamburgo, o Inter conseguiu matar um leão. Analisando sob esta ótica, a vitória passa a ser mais significativa.

E é exatamente por isso que passará o Grêmio nesta quinta. Com o amenizador de que estará jogando dentro de casa, onde está invencível há uma porção de jogos. Terá no grito do seu torcedor o apoio necessário para passar adiante na competição. Se é que a torcida comparecerá em massa. Porque, também para os gremistas, o jogo de hoje nada mais é do que uma quarta-de-final. Simples e puramente! Já do outro lado, o Pelotas vem disposto a jogar uma final de Mundial. Se vencerem, os comandados de Beto Almeida não só chegarão às semifinais eliminando o melhor time do certame, como entrarão para a história por terem encerrado o jejum gremista no estádio Olímpico. E, convenhamos, quem não gostaria de passar por isso.

Foi deste veneno, por exemplo, que morreu o Caxias na noite de ontem. Enfrentou o Ypiranga com a responsabilidade de ser o melhor time do Interior, de não ter perdido para nenhuma outra equipe além do Grêmio e com o favoritismo amplo nas costas. Deu no que deu. Em pleno estádio Centenário, a equipe grená estacionou nas preliminares, enquanto os representantes de Erechim passaram adiante. Lições para o Grêmio, que será o último a entrar em campo. Antes disso, ainda poderá assistir a São José e Inter-SM. Quem sabe não está aí mais uma pequena lição para chegar à classificação?

quarta-feira, 7 de abril de 2010

V de Vingança

Foto: Arquivo S.C. Internacional

Mesmo que o técnico colorado, Jorge Fossati, jure de pés juntos que esta quarta-feira não será de vingança para o Colorado, não é o que pensa a massa vermelha. O Novo Hamburgo está entalado na garganta desde que eliminou o Inter na semifinal da Taça Fernando Carvalho. A cupla até recaiu sobre os ombros da Federação Gaúcha, que não quis modificar a data do jogo, pela proximidade com a estreia na Libertadores. Mas foi o 2 a 1, em pleno Beira-Rio, que ficou na memória do torcedor. Foi o golaço de Chicão no finzinho do jogo que deu fim ao objetivo do clube, que era vencer o primeiro turno do Gauchão para pensar somente nas Américas. Então, não adianta vir com essa conversa de sangue doce. O Inter vai entrar fervendo dentro de campo nesta noite. E não poderia ser por menos!

Mas a letra V guiará a noite dos colorados nesta noite. Ou pelo menos é o que se espera. Vingança, vitória no Vale, e vaga na semifinal. Até mesmo o nome do árbitro é referência: Vinícius Costa. Seguindo por esta linha de pensamento, se espera que o Inter apresente um diferencial com relação à última partida. Até mesmo os 3 a 1 do primeiro turno, lá mesmo em Novo Hamburgo, merecem ser esquecidos. O V será o diferencial nesta noite. No caso do time, o "double V" especificamente. Ou o W, para os mais chegados.


O "dáblio" de Walter pode ser a grande quebra do Inter. Ele que jogou nos outros dois compromissos diante do Noia, entrando sempre no segundo tempo, estará em campo desde o início nesta quarta-feira. Será o titular ao lado de Alecsandro. E, para quem esqueceu, Waltão agora está entre os onze de Fossati. Porém, mesmo assim, ainda não conseguiu balançar as redes inimigas. Contra o Cerro uruguaio, pela Libertadores, ocasionou o gol contra que abriu o placar para o Internacional. Mesmo assim, na súmula, seu nome não apareceu. Então, podemos argumentar que Walter ainda está em branco. Quem sabe não é hoje que ele sai do zero? Aproveitando o duplo V do seu nome, não marque dois gols na conquista colorada? Tudo isso não passa de uma aposta. Mas, como a noite será da letra V, então não há espaço para apostas. Apenas vitórias. E que vença o mais competente!

terça-feira, 6 de abril de 2010

E quando os são-paulinos voltarem?

Foto: Filipe Duarte (Arquivo EsporteBR)

O retorno de William Magrão ao time do Grêmio, no jogo contra o Juventude, deixou uma pulga atrás da orelha do técnico Silas. Apenas nele, porque o restante do estádio Olímpico tem a convicção de que Magrão é titular do meio-campo tricolor. Em quatro meses de clube, Ferdinando protagonizou apenas uma cena de sucesso com a camisa gremista. Foi ele o autor do gol que deu o título do primeiro turno gaúcho. Bom, há quem pense que somente por isso ele mereça a titularidade. Mas, se for assim, o velho Dinho é o titular, porque ele fez o gol do título da Libertadores, em 1995. Calma lá!

Mas tudo isso serve para vermos que esta discussão nem é a mais séria. William Magrão é melhor e ponto final. A grande questão é outra: e quando os são-paulinos voltarem, o que Silas vai fazer? Hugo já está no banco de reservas, Leandro vem logo atrás e Borges será o próximo. E ainda tem o meio-campista Souza! O que o técnico gremista vai fazer? Vai escalar todo mundo, como no início do ano?

Vai tirar quem do time? Douglas, Maylson e até mesmo Edílson poderão sentar no banco de reservas? A maior possibilidade de todas é o retorno de Borges. Esse tem vaga garantida, até mesmo pela concorrência não estar em alta. Agora, os demais, terão de esperar por outras chances. Inclusive Souza, que briga por uma vaga com Douglas e Maylson, teria de ficar de fora por ora. E sem beicinhos!

De certo, o único que não deve sair do time é Maylson. Desde que ele estacionou no meio-campo do Grêmio, assumindo a terceira função, o Grêmio só vence. É verdade que ao mesmo tempo a dupla de zaga estabilizou, e Rodrigo e Mário estancaram os problemas defensivos da equipe. Mas, se depender de Maylson, os são-paulinos vão ter que esperar. O trio (Hugo, Leandro e Souza), trazido a peso de ouro, vale menos que a revelação do Olímpico. São as coisas do futebol!

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Vida de artilheiro

Foto: Daniela Xu (Jornal Pioneiro)

Depois de alguns dias ausente, a Lupa no Gramado retorna para falar sobre a importância dos artilheiros. A última rodada da Taça Fábio Koff evidenciou o quanto os goleadores são importantes para as equipes. Como o nosso foco é a dupla Gre-Nal, não poderemos abordar outra pauta senão os atacantes que trouxeram as vitórias para gremistas e colorados. Mais uma vez os mesmos. Sempre eles se fazem presentes!

Em Caxias do Sul, no estádio Alfredo Jaconi, valeu a competência de Jonas. Ele que já deixou de ser odiado há um bom tempo, vive as glórias de um herói. Desde que Borges, até então goleador do Grêmio, foi parar no Departamento Médico, Jonas tomou as rédeas do poder ofensivo da equipe. Somente na tarde de ontem, diante do Juventude, anotou duas vezes na vitória de 2 a 1 sobre o time caxiense. Aliás, o deslumbre é tanto que ele já briga até mesmo pela artilharia do Gauchão, com 11 gols. Isso faz com que as afirmações de que, se não fosse a lesão no joelho, ele seria o goleador do Brasileiro do ano passado, se tornem cabíveis. Não há empecilhos para o Mestre Jonas. Gol de cabeça, joelho, canela e até mesmo pinturas, como no segundo de ontem, compõem o repertório do avante. E seja quem for o companheiro - William, Bergson ou Mithyuê -, é ele quem sempre brilha mais.

Mas nem sempre foi assim. Jonas já viveu dias de Alecsandro, por exemplo. Sim, o artilheiro do Internacional (com oito gols no Gauchão e dois na Libertadores), está longe de ser uma unanimidade. Nos 4 a 0 de ontem, sobre o Universidade, o famoso irmão de Richarlyson balançou as redes em duas oportunidades. Porém, até converter a penalidade que trouxe a vantagem inicial para os vermelhos, muitas vaias se escutaram cada vez que ele tocava na bola. E isso ocorre com frequência! Há quem diga (entre eles eu mesmo), que Alecsandro não é titular do Inter. Mas como Fossati vai barrar o centroavante mais regular do Beira-Rio?

O clamor é pela permanência de Walter entre os onze, porém o garoto não consegue marcar desde que assumiu um lugar na equipe. Diferente de Taison, que bastou se sentir incomodado com a reserva para voltar a encontrar o caminho das redes. Foi ele que completou a goleada de ontem, ao lado de Alecsandro, também com dois gols. Aliás, para quem não lembra, Taison não só foi o goleador do Inter no Gauchão do ano passado, como do próprio campeonato em si. Encerrou a competição com 15 tentos. Em 2010 tem apenas quatro. Mas é assim que se vive a vida de artilheiro. Uma hora se está por cima, outra por baixo.