quinta-feira, 24 de junho de 2010

Seleção Gaúcha

Foto: terceirotempo.ig.com.br

Inspirado pelo colega/jornalista Aleco Mendes (assessor de imprensa do Inter), imaginei uma Seleção formada por apenas atletas sul-riograndenses. Confesso que além da ideia de Aleco, me deixei envovler pelo espírito da Copa do Mundo e pelos ataques da imprensa ao técnico brasileiro. Dunga, um gaúcho inveterado, vem sendo alvo de parte dos jornalistas que estão na África do Sul, fazendo com que me despertasse um certo sentimento separatista. Por isso, pensei: e se fossemos independentes? Assim como Sérvia e Montenegro se separaram, e se Rio Grande do Sul e Brasil fizessem o mesmo? Como seria a nossa Seleção Gaúcha? Pensei na seguinte convocação:

Goleiros: Renan (Inter-RS), Galatto (Litex-BUL) e Cássio (Sparta Roterdã-HOL);
Laterais-direitos: Maicon (Inter-ITA) e Felipe Mattioni (Mallorca-ESP);
Zagueiros: Bolívar (Inter-RS), Anderson Polga (Sporting-POR), Sidnei (Benfica-POR) e Ozeia (Grêmio-RS);
Laterais-esquerdos: Michel Bastos (Lyon-FRA) e Neuton (Grêmio-RS);
Meias: Anderson (Manchester United-ING), Tinga (Inter-RS), Mineiro (Schalke 04), Fábio Rochemback (Grêmio-RS), Adílson (Grêmio-RS), Ronaldinho (Milan-ITA), Carlos Eduardo (Hoffenheim-ALE) e Douglas Costa (Shakhtar Donetsk-UCR);
Atacantes: Rafael Sóbis (Al Jazira-EAU), Josiel (Jaguares-MEX) e Luiz Adriano (Shakhtar Donetsk-UCR)
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Meus titulares seriam: Renan; Maicon, Bolívar, Polga e Michel Bastos; Mineiro, Anderson, Tinga e Ronaldinho; Carlos Eduardo e Rafael Sóbis. O que você acha? Teríamos chance em uma Copa do Mundo? Para levar este assunto adiante, criarei uma equipe no Winning Eleven e disputarei um torneio com estes jogadores, depois volto para avisar sobre o resultado.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Um reserva de peso

O Grêmio prometeu e cumpriu. Finalmente, o atacante reserva e confiável desembarcará no estádio Olímpico: André Lima. Ele irá duelar por uma vaga com Jonas e Borges - principalmente com o último. Será que tem futebol para ficar entre os onze? Em seus outros clubes, nem sempre conseguiu esta façanha. Porém, nem por isso decepcionou o torcedor.

André iniciou a carreira no Vasco da Gama em 2004, já na "Era das Vacas Magras" para o clube carioca. Andou pela Bélgica, pelo Maranhão, até voltar ao Rio de Janeiro, desta vez para vestir a camisa do Botafogo. Pois foi exatamente com a estrela solitária que ele ganhou destaque. Quase sempre entrando no segundo tempo das partidas, sob a sombra de Dodô, André Lima chegou à artilharia da Copa do Brasil e do Brasileirão de 2007 até ser negociado com o Hertha Berlim, da Alemanha. De lá para cá, retornou ao Brasil para vestir os mantos de São Paulo, Botafogo (novamente) e, por último, Fluminense. Das três equipes, só foi titular na segunda. Nos tricolores, esquentou o banco para Washington e Fred, e em 42 partidas marcou 11 gols.

O centroavante ficará no Olímpico até o final deste ano, cedido por empréstimo. Terá mais seis meses pela frente para provar que realmente pode ser o reserva de peso para Borges. Mas, o torcedor já pode começar a se animar. André Lima tem como grande característica o cabeceio e já vestiu a camisa do Vasco da Gama. Alguém aí lembrou de Jardel também?

Deixa o homem trabalhar

Foto: Reuters

Dunga é gaúcho. Felipão é gaúcho. Até João Saldanha era gaúcho. Nenhum deles foi unanimidade. Nem mesmo Scolari (que venceu por todos os lugares onde passou). Se o atual técnico da Seleção Brasileira disse alguns imprópérios na entrevista coletiva de ontem - após a vitória de 3 a 1 contra a Costa do Marfim -, ele tem seus motivos. Tem, pois foi mais chicoteado que Cristo na Via Sacra. Sofreu o peso de ter o seu apelido vinculado à uma "Era" derrotada no futebol nacional. E, convenhamos, é gaúcho. Para quem não sabe, aqui no estado que quase despenca do mapa brasileiro, não temos sangue de barata. Não levamos desaforos para a casa. Dizemos na frente! E assim Dunga age.

Assim ele fez quando ergueu a taça em 1994. Pois a fera amordaçada quatro anos atrás, na Itália, dava a volta por cima nos Estados Unidos. Ou você realmente acredita que Carlos Alberto Parreira comandou o Brasil ao tetracampeonato? A Copa de 2006 comprovou a fraqueza de pulso de tal treinador. Enquanto que a campanha do tetra demonstrou o princípio da liderança do capitão, que acompanhava de perto Romário (seu parceiro de quarto), para que este continuasse focado na competição.

Dunga foi atacado desde o jogo contra a Noruega - seu primeiro no comando da Seleção. Foi abominado na final da Copa América contra a Argentina, que por sinal ele venceu. Vaiado nas Eliminatórias enquanto empatava com a Bolívia em território nacional. Criticado até o gol de Lúcio, contra os EUA, na decisão da Copa das Confederações. E, no entanto, passou vitorioso por todos estes momentos. Então, não são as críticas que irritam Dunga, mas sim a insistência de alguns jornalistas em ainda criticá-lo, sem ao menos respeitar seu currículo.

Se Dunga xinga demais, se briga demais, chamemos Parreira ou Lazaroni para comandar a Seleção em 2014. Eles, com certeza, devem ser melhores - vide as Copas de 2006 e 1990, respectivamente.

domingo, 20 de junho de 2010

Cara feia é fome!

Foto: Reinaldo Marques (terra.com.br)

Desde que estreou na Copa do Mundo 2010, o Brasil foi duramente criticado. A vitória magra contra a Coreia do Norte, segundo os críticos, mostrava a carência do "futebol arte" na Seleção. Pois os 3 a 1 diante da Costa do Marfim, neste domingo, serviu para o desafogo. Aonde estão as críticas? Uma vitória e uma apresentação plenamente satisfatória. Dois gols do camisa 9. Dois passes do camisa 10. Uma dupla de volantes combativos. Enfim, tudo perfeito. A falha da zaga no gol marfinense poderia passar desapercebido se os críticos não tivessem o vício de atacar a Seleção - para, indiretamente, atingir Dunga.

Assisti o pós-jogo no SporTV. As entrevistas coletivas transcorriam normalmente, até a hora que o técnico sentou em frente à câmera. Como de costume, ele sentou a sandália em alguns jornalistas. Ora, não podemos pedir para que ele não faça isso. Imagine você, surrado durante tanto tempo pelos críticos, seguir calado quando mostra sua verdadeira capacidade. Então, Dunga tem razão em esbravejar mesmo após as vitórias (até porque se algum dia falhar, será trucidado em praça pública). E assim, à sua maneira, à maneira gaudéria de ser, Dunga e o Brasil avançam na Copa do Mundo. Já estão classificados para as oitavas-de-final, para desespero dos "inimigos".

E a postura dos jogadores hoje demonstrou que, realmente, a equipe tem a cara de Dunga. Enquanto apresentavam o seu futebol dentro de campo, deixando as críticas constantes de lado, os brasileiros abriram uma vantagem tranquilizante diante dos "elefantes africanos". Até que começaram a ser atingidos. Elano tombou com marcas de travas na canela e deixou o gramado. Mas eles têm o sangue quente de Dunga e ferveram. Irritaram-se com a conivência do árbitro francês, que assistia à pancadaria sem nada fazer. Até mesmo Kaká, um religioso inverterado, cansou de apanhar para deixar o cotovelo na boca de um estômago marfinense. O Brasil de Dunga, o Brasil dos gaúchos, não apanha quieto. Comprova dentro das quatro linhas que cara feia é fome. Apavora os críticos - não os jornalistas! Não generalizemos. Apenas os críticos merecem os coices de Dunga. E eles são muitos!

sábado, 19 de junho de 2010

Vestiário fechado

Val Baiano está na mira, depois de Roger e Éder LuísNinguém entra e ninguém sai. Pelo menos é o que parece que está acontecendo no vestiário profissional do estádio Olímpico. O técnico Silas pediu à direção gremista alguns reforços para o segundo semestre, no entanto ninguém desembarca na Azenha. Enquanto o co-irmão já contratou o meia Oscar, o goleiro Renan, o volante Tinga e parece encaminhar o atacante Sóbis, o vento uiva no pátio do Grêmio. Nenhuma novidade até agora.

A presença mais aguardada pela torcida é a de um atacante. Alguém que possa fazer sombra a Jonas ou Borges (como Roberson, Bergson, William e Leandro não conseguiram até agora). O primeiro nome da lista era Éder Luís, ex-Atlético-MG. Porém, pelo que parece, o jogador está mais próximo do Oriente Médio do que de Porto Alegre. Depois, os holofotes se voltaram a Roger - ex-Sport e São Paulo e atualmente no Guarani. Porém, ele, que figura na artilharia do Brasileirão com seis gols, parece estar carimbando o passaporte para o Exterior. Agora, a bola da vez é Val Baiano (foto), que defendeu o Grêmio Prudente -antigo Barueri- no ano passado. O avante está no Monterrey do México e seria o reforço de Silas.

Mas o torcedor já não sabe se acredita nesta contratação. A urucubaca está solta no departamento de futebol! Além de ver melar as últimas tentativas, o Grêmio não conseguiu sequer se desfazer de um peso. O lateral Joílson, pouco aproveitado no Tricolor, iria ser emprestado ao Atlético-PR. Contudo, os exames do atleta na Arena da Baixada acusaram uma lesão e o clube rubro-negro deu para trás na negociação. Quem acabou rumando para Curitiba foi Mithyuê, que até conta com um certo prestígio da torcida. Nessa onda de azar, até mesmo a ida do centroavante William para a Ponte Preta pode emperrar. Aí sim estaria compravado que, realmente, o vestiário do Olímpico está fechado. É macumba pura!

terça-feira, 15 de junho de 2010

Estreia com cara de Gauchão

Foto: Phil Cole/Getty Images (UOL)

Finalmente o Brasil estreou na Copa do Mundo 2010. Não foi dado o espetáculo esperado por alguns, ainda mais considerando o adversário - Coreia do Norte. Muito pelo contrário, em uma vitória magra de 2 a 1, a Seleção Brasileira demonstrou mais uma vez o seu futebol de resultados. A cara de Dunga, a cara do futebol gaúcho.

A partida desta terça, de certa forma, pode ser comparada ao Campeonato Estadual. Recheadas de atletas renomados, as equipes que compõem a dupla Gre-Nal são obrigadas a enfrentar times bem menos expressivos. Porém, que no entanto, dão a vida para sobressair-se a Inter ou Grêmio. E exatamente esse foi o quadro encontrado no jogo de hoje.

Podemos, inclusive, criticar a atuação de jogadores como Kaká, Gilberto Silva, Luís Fabiano (de quem se esperava mais). O gol sofrido já no finalzinho da partida ainda é um agravante ao analisarmos o desempenho da equipe nacional. Se a defesa foi vazada contra os desconhecidos norte-coreanos, o que não poderá acontecer contra Costa do Marfim e Portugal, próximos inimigos? Bom, mas Dunga me ensinou uma coisa: jamais duvidar de seus comandados. Hoje, pior seria perder o jogo. Agora, com os três pontos garantidos, o Brasil segue em frente nesta Copa do Mundo com cara de Gauchão.

A segunda chance de Roth

Em 2001, Roth comandou o Palmeiras na LibertadoresFoto: Folha Online (Arquivo)

A escolha por Celso Roth vem sendo explicada pelos dirigentes colorados como a "chance de Celso Roth mostrar sua qualidade". Ele, que tanto reclama da falta de planejamento dos clubes e do calendário, terá um mês para encaminhar o time do Inter que enfrentará esta reta final de Libertadores. Porém, viajei no tempo e percebi que Roth já teve sua chance uma vez e não foi feliz. E não, não foi no Grêmio do ano passado, quando foi alijado de disputar a fase quente da competição continental. Celso disputou a Libertadores de 2001 com o Palmeiras e terminou mais uma vez sem taça no armário.

Depois de conquistar a América em 1999 sob a tutela de Luiz Felipe Scolari e um ano depois cair na finalíssima diante do Boca Juniors, o Palmeiras chegava ao ano de 2001 sem o velho comandante, sem a Parmalat (patrocinadora) e com Marco Aurélio na casamata - técnico que havia conquistado a Copa do Brasil com o Cruzeiro. Porém, uma má largada no Paulistão foi o suficiente para ocasionar a demissão do treinador e a contratação do caxiense Celso Juarez Roth. O profissional chegava considerado um discípulo de Felipão, tendo passagens por Inter, Grêmio, Vitória e Sport no currículo. Quatro dias depois, já estreava na Libertadores vencendo o Universidad do Chile em casa por 2 a 1. O Verdão passou de fase sem sobressaltos, com cinco vitórias e um empate. Na segunda etapa do torneio, veio o sofrimento. Nas oitavas, classificação nos pênaltis contra o São Caetano. A dose se repetiria nas quartas, contra o Cruzeiro. Até que na semifinal, os palmeirenses caíram novamente diante do Boca, também nas penalidades. O time base de Roth tinha: Marcos; Arce, Alexandre, Leonardo e Felipe; Galeano, Fernando, Magrão e Alex; Lopes e Fábio Júnior.

Mesmo eliminado, Roth foi mantido no cargo. Aos poucos, o elenco começou a se desfazer e mesmo assim o Palmeiras disparava na ponta da tabela do Brasileirão. O clube era um dos favoritos ao título até que, enfim, o treinador deu as suas caras. Na 20ª rodada, a equipe foi derrotada em pleno Parque Antarctica por 2 a 1 pelo Inter de Daniel Carvalho e Parreira (isso mesmo!) e Roth foi demitido. Antes disso, uma sequência de derrotas, originada após sofrer uma goleada de 4 a 2 para o rival Corinthians, retirou o time da liderança do certame. Além disso, o Palmeiras terminaria o campeonato na 12ª colocação.

Enfim, Fernando Carvalho acredita que chegou a hora de Celso Roth dar o salto e se juntar ao grupo dos grandes treinadores brasileiros. Mas histórias como a descrita acima são uma das muitas na vida do treinador que deixam a torcida colorada apreensiva. Será que desta vez será diferente?