domingo, 8 de agosto de 2010

¿Estás en duda?


Foto: Site Grêmio

Para quem costuma viajar pela região sul do Estado, principalmente na fronteira com Uruguai e Argentina, existe uma placa de trânsito que passa desapercebida. Posta na beira de rodovias, ela apresenta o seguinte dizer: "¿Estás en duda? No se adelante". Traduzindo, ela avisa aos hermanos, viajantes de primeira viagem, que tomem cuidado na estrada que não conhecem. Pois, a partir de agora, ela passa a se direcionar ao presidente do Grêmio, Duda Kroeff, que curiosamente carrega o apelido de "dúvida", em espanhol. Assim como os motoristas uruguaios e argentinos, o cartola tricolor não pode pisar em falso a partir de agora.

A derrota dentro de casa neste domingo, diante do líder Fluminense, foi o ultimato para os homens do futebol gremista. Silas e Meira caíram juntos, deixando o clube na zona do rebaixamento do Brasileirão. Segundo Duda, uma opção solitária dele, para trazer a torcida de volta para o lado do time. Pois bem, convenhamos, ele só tomou esta decisão pelo tamanho da pressão que veio das arquibancadas do Olímpico. Há tempos o nome de Silas vem sendo vaiado, enquanto o diretor de futebol também não tinha o carinho do torcedor. Entretanto, os últimos dias trouxeram à boca da torcida o nome do presidente. Por isso, o momento é de fragilidade e atenção.

Duda terá de pensar muito bem em suas escolhas a partir de agora. Não só com relação ao novo comandante da equipe, mas às parcerias que firmará no futebol. Ele, que já teve o apoio de Fábio Koff nas urnas em 2008, não tem tido mais o respaldo do eterno presidente e de tantas outras figuras marcantes na história gremista. Aliás, o desempenho do time em seu mandato é um reflexo do seu próprio perfil - Kroeff, um gentleman, nada tem a ver com a cara do clube. Não há mais espaço para dúvidas no estádio Olímpico!

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

É muita coincidência!


Foto: Vipcomm

Todas as coincidências que listamos nestes últimos dias não podiam ser por menos. Tudo foi um mantra que conduziu o Internacional de volta a um Mundial Interclubes. Desde o vice do Brasileirão, passando pelo gol de Nei e sendo executado com o cruzamento contra o São Paulo. Porém, restava a última pitada, a confirmação de que o caminho estava iluminado - e ela começou no dia 10 de maio. Nesta data, Paulo César Tinga assinava seu contrato com o Inter, retornando ao Beira-Rio. O meia/volante já se declarou colorado de coração. No entanto, mal sabia ele que a vida dele estava atrelada a mais um capítulo histórico do clube.

Nem a falha de Renan, no primeiro gol do São Paulo; muito menos o desvio de Alecsandro na falta cobrada por D'Alessandro. Nada apagou a presença de Tinga no jogo. Além da bela apresentação no Morumbi, a expulsão do jogador foi a cereja no bolo vermelho. Quando o árbitro ergueu o cartão vermelho, eu já sabia que aquela era a última das linhas que restavam para ligar 2010 com 2006. Há quatro anos, Tinga também retirado de campo após marcar um gol e levantar a camisa. Nesta quinta-feira, nova expulsão.

Enfim, o Inter estará novamente brigando por um título mundial em dezembro. Contudo, de nada valerá se o caneco sul-americano não parar no armário do Beira- Rio. Imagine se os comandados de Celso Roth chegarem à Abu Dhabi com uma medalha de prata e forem derrotados pela Inter de Milão (ou pior, pelo Pachuca)! Portanto, antes de viajar, é necessário superar o Chivas Guadalajara.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

A vingança nunca é plena...

Foto: Wagner Carmo (Vipcomm)

Quais foram as últimas grandes conquistas do Internacional? Mundial, Libertadores, Recopa e Sul-Amerciana. De 2006 para cá, o clube da beira do rio Guaíba acostumou o seu torcedor, que vivia das memórias da década de 70, a viver grandes decisões. A partir de então, grandes titãs do futebol passaram a frequentar o estádio Beira-Rio. Muitos deles acabaram sucumbindo em território gaúcho e, por isso, voltaram em 2010 dispostos a vingar antigas eliminações.

O primeiro foi o Emelec. Surrado por 3 a 0 na Libertadores de 2007, por Alexandre Pato e companhia, os equatorianos queriam escrever uma nova história em Porto Alegre. Nada feito! Foram vencidos de virada por 2 a 1 na estreia vermelha deste ano. Depois, foi a vez do Estudiantes reviver a perda do título da Copa Sul-Americana. Porém, o gol de Nilmar na prorrogação de 2008 foi trocado por um de Giuliano, nos acréscimos. Verón e seus companheiros caíram mais uma vez diante do Inter. Agora, é a vez do São Paulo levantar a voz. Rogério Ceni diz que não consegue esquecer a falha no Beira-Rio, em 2006. E, nas mesmas proporções, poderá eliminar o Colorado e carimbar uma passagem para o Mundial dos Emirados Árabes. Será que vai conseguir?

Algo me diz que o Tricolor Paulista será apenas mais uma vítima da vingança. Com sangue nos olhos, os são-paulinos irão sucumbir de novo diante do Inter. E o principal sinal de que isso irá ocorrer é porque, lá em Abu Dhabi, outros dois clubes esperam sedentos pelo Internacional. O Pachuca, classificado pela Concacaf, não esqueceu a derrota na decisão da Recopa, em 2007. E aí, para fechar com chave de ouro, a Internazionale de Milão terá a chance de reviver a Copa Dubai de 2008, quando foi surpreendida no mesmo território pelos colorados. Portanto, 2010 pode ser o ano de reafirmação do Sport Club Internacional. Já que, como diz a clássica frase de Seu Madruga, "a vingança nunca é plena, mata a alma e a envenena".

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Mexicanos no caminho de Pato

Chamou-me a atenção essa questão do Chivas, mesmo campeão da Libertadores, não poder disputar o Mundial Interclubes no fim do ano. Se não pode, porque a Conmebol insiste em chamar os mexicanos para participar? Eles que disputem a Liga da Concacaf e pronto! E o pior de tudo é que essa situação, que pode causar um certo constrangimento ao vice-campeão futuramente, não é inédita. Em 2001, o Cruz Azul também alcançou a finalíssima ao eliminar o Rosário Central, nas semifinais, e chegou para disputar o título com o Boca Juniors - que mesmo se fosse derrotado, já sabia que enfrentaria o Bayern de Munique em dezembro, no Japão. Para a sorte dos argentinos, o clube acabou superando os mexicanos e, enfim, conquistou pela quarta vez o título da América.

Porém, quem pode ver o quadro se repetir neste ano é Roberto Carlos Abbondanzieri - ou simplesmente "Pato". O goleiro colorado fez parte do grupo campeão em 2001 e, na época, era reserva do colombiano Córdoba. Ou seja, poderá, mais uma vez com visão privilegiada, vislumbrar uma façanha mexicana. Sentado sob a casamata do Beira-Rio, Abbondanzieri espera reviver o passado "xeneize" e, particularmente, conquistar sua quarta Libertadores. Só que a torcida gaúcha poderia pedir para não sofrer tanto, como sofreu a argentina. Contra o Cruz Azul, há nove anos, o Boca foi vencer somente nos pênaltis, pois perdeu na Bombonera por 1 a 0 (mesmo placar em que venceu no México).

Ah, e antes que digam que estou forçando a barra, nesta quinta-feira, Pato também pode repetir outro feito: eliminar uma equipe paulista. Também na campanha de 2001, nesta mesma fase de semifinal, o arqueiro assistiu o seu Boca superar o Palmeiras - então treinado por Celso Roth - na capital paulista. Portanto, nunca duvide da estrela de Abbondanzieri - desde que ele esteja no banco de suplentes!

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Os santos estão a favor

Foram várias as coincidências listadas até agora entre as campanhas do Inter na Libertadores de 2006 e deste ano. Vice-campeonato brasileiro no ano anterior, vitória de 5 a 1 contra o Esportivo de Bento Gonçalves na pré-temporada, Copa do Mundo com o Brasil eliminado nas quartas-de-final e primeiro gol sendo marcado por um lateral-direito. Agora, pensei em mais uma e posso decretar: os santos estão a favor do Colorado!

Digo isso porque o Internacional, depois de enfrentar o São Paulo nesta quinta-feira, deverá rumar para a Vila Belmiro no final de semana, onde encara o Santos pelo Brasileirão. Bom, para quem não lembra, há quatro anos, a tabela do Campeonato Nacional fez justamente isso: colocou Inter e Santos frente a frente às vésperas do primeiro jogo da decisão da Libertadores. Naquela ocasião, o técnico Abel Braga enviou uma equipe repleta de reservas e foi derrotado por 2 a 1, de virada. Wendell anotou os dois gols santistas, enquanto Paulo César Tinga fez para os gaúchos. Depois disso, o Inter dormiu em Santos, para fugir de possíveis foguetórios na capital paulista, e rumou para o Morumbi. O resto da história todo mundo já sabe - uma vitória e um empate, e o título da América. Agora, quatro anos depois, Santos e Inter se encontram, com a forte possibilidade dos vermelhos estarem disputando uma finalíssima de Libertadores novamente.

Apenas o misticismo não vai levar o Inter ao título sul-americano, mas bem que os colorados podem ir assistindo a Universidad do Chile e Chivas Guadalajara nesta terça-feira. Dali, sairá o adversário da grande final na próxima semana. Se não for assim, o São Paulo poderá ser o novo Olímpia na vida colorada. Será que os santos do futebol irão permitir?

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Tricolor de ontem pode fazer o de hoje

Somente o Tricolor pode inspirar o Tricolor. Esta parece uma frase óbvia, considerando a evolução no futebol gremista nas duas últimas rodadas. Mas, sobre a recuperação do Grêmio no Brasileirão, quero trazer à pauta um outro clube: o Fluminense. Sim, o Tricolor Carioca pode servir de exemplo para o Tricolor Gaúcho. Em suas devidas proporções, é claro.

O zagueiro Ozeia não quis fazer a comparação entre o Grêmio de 2010 e o Fluminense de 2009, mas quero discordar dele. Acho que se os momentos não são iguais, são parecidos. O clube gaúcho não está no mesmo abismo que se encontrava o Flu no ano passado. Longe disso! Mas, assim como os cariocas, o time de Silas ocupa a zona do rebaixamento e vai aliar à fuga da Série B a disputa da Copa Sul-Americana. Os comandados de Cuca tinham tudo e mais um pouco para priorizar o Campeonato Nacional, esquecer o torneio continental, para segurar o Fluminense na primeira divisão. No entanto, decidiram lutar pelos dois certames ao mesmo tempo. E assim, aos trancos e barrancos (e muita raça!), conseguiram o milagre da permanência e chegaram à decisão da Sul-Americana. Só não conseguiram o título porque a queda na altitude de Quito - para a LDU de Jorge Fossati - foi maior que a vitória no Maracanã. Mas nem por isso os atletas deixaram de ser ovacionados pela torcida.

Por essas e outras, é sim um grande exemplo para o Grêmio. Então, quando estrear contra o Goiás, nesta quinta-feira, no Serra Dourada, nada de pensar no Brasileirão. A briga tem de ser igual. Até porque, se realmente o time vem numa crescente como os jogadores dizem, que se ponha o clube no lugar onde merece. Quem sabe não comemoremos o segundo título gaúcho na Sul-Americana neste fim de ano? E a festa ficará ainda mais bonita se a Série B não for o destino em 2011.

domingo, 1 de agosto de 2010

Bom para os dois

Foto: Alexandre Lops (Site Inter)

Dentro do possível, o empate no Gre-Nal foi bom para os dois lados. Tanto Inter, como Grêmio, não podiam perder. Se vencessem, seria ótimo, mas o essencial era não entregar três pontos ao rival. No Tricolor, a crise poderia desencadear em uma demissão do técnico Silas. No Colorado, uma derrota poderia desestruturar a casa para enfrentar o São Paula, na quinta-feira, pela Libertadores. Portanto, ambas as equipes entraram para não perder - o que resultou no jogo truncado no meio-campo e no placar: 0 a 0.

Não é mentira se afirmarmos que o Grêmio foi melhor, ou foi quem chegou com mais perigo ao gol adversário. Assim como também é possível afirmar que o Inter dominou a bola com maior intensidade. Então, analisando desta maneira, entendemos o porquê do resultado final.

Terminado o jogo, os dirigentes gremistas acabaram reclamando da arbitragem, assim como alguns torcedores fizeram. Pediram penalidades em dois lances: Bruno Silva empurrando no primeiro tempo, e bola na mão de Sandro no segundo. Porém, pode se discutir o gol anulado de Everton, do Internacional. Tudo é questionável. Então, que se deixe como ficou no papel: 0 a 0. E a vida prossegue.