segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Mais simples que um Silva

Foto: football-wallpapers.com

Depois de assistir de camarote à novela Ronaldinho, o Internacional está vacinado. Não atira ao vento os nomes que pretende contratar - até para não acirrar a concorrência. Pela promessa da diretoria, pelo menos um nome de peso deve desembarcar no Beira-Rio antes do início da Libertadores da América. Para o ataque, já se falou em Grafite, Luís Fabiano, Ricardo Oliveira e até mesmo no francês Trezeguet. Provavelmente não seja nenhum destes. Além de atacantes, o Colorado pretende anunciar um volante. A posição está órfã desde a venda de Sandro. E os boatos indicam que Gilberto Silva (foto) é o alvo das investidas vermelhas.

Seria a saída perfeita para Fernando Carvalho apagar a imagem que deixou de Wilson Matias - o "espetacular". Gilberto é jogador de Seleção Brasileira, disputou três Copas do Mundo, tendo sido campeão na primeira delas, em 2002. No entanto, é exatamente este passado vitorioso o grande concorrente do Inter na negociação. O volante é pretendido também pelo Palmeiras, que conta com (nada mais, nada menos) Felipão no banco de reservas. E, para quem não lembra, foi Scolari quem dirigiu o Brasil no pentacampeonato da Coreia e Japão. Por isso, os colorados largam em desvantagem nas tratativas. E sabem disso. Talvez seja esta a razão para não divulgarem nenhuma negociação em andamento até agora.

Entretanto, a saída para uma possível frustração na negociação com o volante foi apresentada neste final de semana. É uma escapatória simples e comum. Mais simples que um Silva (sobrenome do Gilberto pretendido). No time B que realiza pré-temporada em Bento Gonçalves, estão algumas peças que prometem encaixar na equipe principal. Uma delas é o garoto Élton. Volante habilidoso e de bom porte físico, foi ele o autor do primeiro gol na vitória de 2 a 0 sobre o São José, no amistoso realizado neste domingo, na Montanha dos Vinhedos. Aliás, basta o Internacional olhar para o seu passado e perceber que o Beira-Rio é fabricante de volantes de qualidade. Além do próprio Sandro, titular na conquista do bi da Libertadores, o ídolo Falcão e o capitão Dunga também surgiram das categorias de base. Então, por que não dar chance a um garoto novamente?

domingo, 9 de janeiro de 2011

A culpa é do Renato!

A decepção dos gremistas com Ronaldinho é tão grande, que já tem quem defenda a expulsão da família Assis de Porto Alegre. Até por uma questão de segurança. Outros vão ainda mais longe e pedem a exclusão do "Gaúcho" como sobrenome do jogador. Porém, a alcunha não foi uma opção do jogador. Quando surgiu, o camisa 10 do Grêmio dividia os holofotes com outro Ronaldo, chamado de Fenômeno pela mídia. Por isso, para diferenciá-los, o Ronaldo gremista virou Ronaldinho Gaúcho. Algo semelhante aconteceu com o atual treinador do Tricolor. Ao trocar o Grêmio pelo Flamengo, em 1987, Renato Portaluppi se transformou em Renato Gaúcho. Quem sabe não está aí o exemplo seguido pelo irmão de Assis?

A grande diferença é que, quando se mudou de Porto Alegre para o Rio de Janeiro, Renato já tinha 25 anos e era campeão do Mundo no Olímpico. Ronaldinho, por sua vez, rumou para a França com 21 e apenas com títulos estaduais no currículo. Agora, surge a possibilidade de repetir os passos do grande ídolo tricolor. Isso se Ronaldinho realmente é torcedor! Pois foi com a camisa do rubro-negro que Portaluppi garantiu títulos brasileiros. Lá, perdeu o gauchês para adquirir o sotaque dos cariocas - algo que Ronaldinho jamais perdeu. No entanto, foi em território fluminense que Portaluppi (ou Renato Gaúcho) se transformou em Rei do Rio (foto).

A coroação não veio de forma maliciosa. Apesar das famosas noitadas, Renato conquistou o título dentro de campo, batendo os badalados Romário e Túlio. Será que não está aí o sonho de Ronaldinho Gaúcho? Aproveitar as praias cariocas e, de quebra, se transformar no Rei do Rio. Porém, Ronaldo pulou uma etapa. Antes de conquistar o resto do mundo, a pessoa precisa reinar dentro de casa. E, convenhamos, após o fiasco na negociação com o Grêmio, Ronaldinho não pisará em Porto Alegre tão cedo. Mesmo assim, se o fizer (seja para jogar no Beira-Rio ou Olímpico), terá que ser escoltado do aeroporto ao estádio. E a culpa disso tudo é de Renato! Mais uma vez, ele serviu de exemplo. Mas ninguém consegue fazer como ele faz!

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Não vale a pena ver de novo, Assis

A novela que envolve Ronaldinho Gaúcho parece estar perto do fim. A coletiva de imprensa organizada nesta quinta, no Rio de Janeiro, não serviu para acalmar os torcedores brasileiros. Muito pelo contrário, colocou ainda mais lenha na fogueira. De certo, é que o camisa 10 ficará no Brasil mesmo, encerrando o ciclo com o Milan. Porém, o destino ainda está indefinido. Três clubes apresentaram propostas: Grêmio, Flamengo e Palmeiras. Agora, caberá a Assis, empresário e irmão de Ronaldo, bater o martelo. E, tomara, ele não repita o erro que cometeu na própria carreira. Senão, o enredo terá um nome: vale a pena ver de novo.

Revelação promissora do estádio Olímpico, Assis surgiu para o futebol no final da década de 80. Aliás, marcou um dos dois gols que deram o título da primeira Copa do Brasil, em 1989, do Tricolor Gaúcho sobre o Sport Recife. Atuava como meia-atacante, um ponteiro clássico, e era visto como a menina dos olhos. Depois de conquistar três Gauchões com a camisa gremista, rumou para o Sion, da Suíça. Ainda rodou pelo Sporting, de Portugal, e, claro, não obteve o mesmo sucesso que o irmão teria futuramente. Entretanto, voltaria ao Brasil em 1996 para reencontrar o bom futebol. O destino poderia ter sido o berço gremista, mas Assis preferiu as praias cariocas - as mesmas praias que hoje servem de chamarisco para Ronaldinho. No Vasco e Fluminense, Assis não repetiu o bom futebol do início da carreira. Retornou à Europa, cruzando por Suíça, Portugal e ainda Japão e México. Por fim, decidiu voltar para casa e encerrar a carreira. O clube escolhido foi o Corinthians paulista, em 2000. Não precisa nem dizer que a passagem foi apagadíssima. Tanto que ninguém sentiu sua falta quando se mandou para a França, para defender o Montpellier, pendurando de vez as chuteiras.

A esperança dos gremistas é que Assis tenha aprendido a lição: nem as praias do Rio ou o glamour de São Paulo. O ex-jogador gremista tem a chance de refazer o próprio caminho, acertando o passo do irmão. O melhor lugar para Ronaldinho voltar a sorrir e jogar futebol é realmente o Grêmio. Até porque, nem Flamengo ou Palmeiras estão na Libertadores da América - ao contrário do clube gaúcho. Esta novela não vale a pena ver de novo, Assis!

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Sangue tipo B

Foto: Marcos Bertoncello

Em outros anos, o Internacional apresentava ao torcedor contratações de peso. Fernandão, Tinga, Nilmar, D'Alessandro e Sóbis foram os últimos nomes que desembarcaram no Beira-Rio após negociações. Prestes a iniciar a temporada 2011, o colorado ainda não viu nada neste nível. E talvez nem veja. As especulações foram muitas, e de grande quilate. Atletas puro sangue, diriam os criadores de cavalo. No entanto, pelo jeito, os reforços para este ano virão realmente do time B, que realiza pré-temporada em Bento Gonçalves. A necessidade vigente de trazer jogadores acabou minando o torcedor vermelho. Porém, ao contrário do arquirrival Grêmio (que está repatriando Ronaldinho Gaúcho), o Inter deve olhar para as categorias de base e banco de reservas para reformular o elenco. A causa disso: perda de dinheiro no Mundial? Investimento nas obras do estádio? Não sei, talvez as duas juntas. A única certeza é que um grande nome não virá.

Quando se falou em Léo Moura do Flamengo, leia-se Bustos. Lateral-direito contratado pelo Grêmio junto ao Cúcuta, o colombiano chegou ao Beira-Rio em 2008. De lá para cá, não só decepcionou a direção como acabou sendo emprestado para outros clubes e rebaixado ao time B. Também se cogitou a possibilidade do Inter buscar um volante que substitua Sandro à altura. Edinho, campeão do mundo em 2006, era o grande favorito. Entretanto, ele deve acertar com o Fluminense. E assim, Celso Roth terá de se contentar com os garotos Juliano, Augusto e Elton. Por fim, quem sonhou com Luís Fabiano e Ricardo Oliveira, acordará ao lado de Guto. Artilheiro do Brasileirão Sub-23, o centroavante será testado no Gauchão para assumir uma vaga entre os inscritos da Libertadores.

Ainda há tempo de sair para o mercado. O próprio presidente Giovanni Luigi anunciou que o clube só irá contratar jogador em condição de chegar e vestir a camisa titular. Até agora, nenhum indício. Aliás, para não cometer injustiças, o principal reforço é o zagueiro Rodrigo, afastado pela diretoria gremista por mau comportamento no ano passado. Com um currículo de respeito, ele era aguardado para a disputa do Mundial de Clubes, mas acabou sendo barrado pela Fifa. Rodrigo teve o contrato renovado e, enfim, poderá defender o Colorado a partir do Gauchão. Mas não há como negar que, até aqui, o torcedor do Inter só pode invejar o Grêmio de Ronaldinho, o Santos de Elano e o Fluminense de Cavalieri.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Quem vai dançar na festa de Ronaldinho?

Foto: Valdir Friolin

Apesar dos protestos, cartazes espalhados por Porto Alegre e críticas a Assis, não existe gremista que não queira ver Ronaldinho Gaúcho com a camisa 10 do Grêmio. Mas não há como negar que a saída dele para o Paris Saint-German, em 2001, deixou feridas na relação. Agora, seria a volta do filho prodígio ao estádio Olímpico. Aliás, até mesmo para os mais céticos, é a chance do atleta se redimir junto à torcida tricolor. Para isso, ele não pode ficar sentado no banco de reservas (como ficou no Milan). Deve chamar para si a responsabilidade. O grande problema é decidir quem vai dançar nesta festa de Ronaldinho.

O Gaúcho já ocupou diversas funções do campo: como meia armador, atacante e antigo ponteiro. No auge, com a camisa do Barcelona, atuava no esquema 4-3-3, ao lado de mais dois atacantes. Será que esta posição será repetida pelo técnico Renato Portaluppi? Outra opção é centralizá-lo no meio-campo, criando as jogadas ofensivas da equipe. E dentro deste quadro, quem vai abandonar a titularidade? Com certeza não será Jonas, artilheiro do Brasileirão e grande esperança para a Libertadores da América. Será o maestro Douglas, que cansou de deixar os companheiros pifados na cara do gol no ano passado? Ou a figura do camisa 9 (Borges e André Lima) deixará de existir no Tricolor? Enfim, alguém terá de sentar no banco para Ronaldinho provar a que veio.
A possibilidade mais viável é se aproveitar da ausência de um lateral-esquerdo. Em 2010, o titular da camisa foi Fábio Santos, que está acertando o passaporte para defender a Lazio, na Itália. Desta maneira, Lúcio, que foi escalado por Renato como meia, deve ser deslocado para sua posição de origem. E assim, uma vaga no meio-campo está em aberto - ou pelo menos estava. Se repetir o losango utilizado no último ano, o Grêmio atuará com Rochemback na primeira função e Adílson pela direita. A única indefinição é sobre quem será centralizado: Ronaldinho ou Douglas? Ambos não possuem a característica de marcação, que tanto se destacou na improvisação de Lúcio. E aí estará a bomba. Mesmo que ninguém perca a titularidade, todos vão correr pelo Dentuço (que já não tem a preparação física de tempos atrás). Douglas, Jonas, André Lima e Borges vão ter que dançar, para Ronaldinho fazer a festa.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Corrida contra o tempo

Foto: Jornal El País

Por enquanto, Ronaldinho Gaúcho é reforço apenas das boates brasileiras. Já foi visto na noite de Porto Alegre, Rio de Janeiro e Florianópolis. Agora a torcida gremista torce para que ele esteja na apresentação oficial da próxima quinta-feira, quando todos os jogadores, mais comissão técnica, darão o pontapé inicial na temporada de 2011. Porém, antes mesmo de Ronaldinho decidir se veste a camisa tricolor (ou não), os outros jogadores começaram a suar. Nesta terça, os trabalhos foram abertos com o novo preparador físico Flávio de Oliveira. Tudo para acelerar o condicionamento físico dos atletas. E quem pensa que a vida de boleiro é difícil, que vá morar no Uruguai - terra do primeiro grande adversário do Grêmio.

Na cidade de Montevidéu, se você cruzar com um grupo de homens correndo pelos parques, verá semelhanças com o trabalho iniciado no Olímpico nesta terça. São os jogadores do Liverpool, que enfrentará o Imortal pela pré-Libertadores no dia 26. Acontece que em território uruguaio vigora uma lei que obriga os clubes de futebol a iniciarem suas atividades apenas no dia 5 de janeiro. Preocupado com a estreia na competição mais importante das Américas, o Liverpool iniciou a pré-temporada de forma "clandestina". Sem a presença do treinador ou preparador físico, os atletas correm pela praça como se fossem um grupo de amigos (foto). Sem casacos, uniformes nem nada que identifique o local de trabalho. No mínimo estranho!

Mas não se pode subestimar o inimigo castelhano. Esta será a primeira participação do clube, que tem 96 anos de história, e que não quer fazer feio diante dos torcedores. No entanto, não há como colocá-los em um altar intocável. A grande façanha do Liverpool até hoje é o tricampeonato da 2ª divisão uruguaia (em 1966, 1987 e 2002). Seria como assistir o Cruzeirinho de Porto Alegre chegar a uma Libertadores da América. Convenhamos, quem deve temer são eles. Aliás, a própria pré-temporada (iniciada de maneira "ilegal") demonstra a diferença de um "negriazul" para outro. Lamentável, mas pelo que parece os uruguaios correrão por nada.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Bento em baixa

Bem que neste ano, ao rumar para a pré-temporada, o Internacional poderia parar de utilizar a expressão subir a Serra. Não quer dizer com isso que os colorados não vão mais à cidade. O plano ainda é esquentar, em terras bento-gonçalvenses, o time que disputará o Gauchão. O grande problema é que a própria Bento Gonçalves está em baixa - futebolisticamente falando. Enquanto o Grêmio já anunciou ainda em dezembro que ficará em Porto Alegre mesmo, o Inter atravessa a Pipa Pórtico nesta segunda-feira. No entanto, apenas a equipe B dará o ar da graça desta vez.


Ao contrário do que aconteceu ano passado, o Colorado decidiu que os titulares ficarão na capital, treinando para a Libertadores da América. A tarefa de representar o clube na região serrana caberá à gartoda, aos suplentes. Não vai nenhum desmerecimento neste comentário, mas convenhamos: os torcedores preferiam mil vezes assistir a D'Alessandro e companhia chutar a bola, do que ver Ytalo, Guto ou Augusto (para citar alguns dos que farão a pré-temporada em 2011). Mas o que aconteceu com a cidade de Bento Gonçalves? Por que as vinícolas e os gramados perfeitos do campeonato amador não atraem mais a dupla Gre-Nal? Será que foram as brigas do último ano? Naquela vez, até mesmo os outdoors (colocados para recepcionar) foram totalmente rasgados (e acabaram assustando).

Uma das razões pode ser a primeira desistência. Quando o Tricolor anunciou a mudança de rota, o coirmão abraçou a causa imediatamente. Apesar de se intitularem rivais, Inter e Grêmio se amam. O que um faz, o outro quer fazer. E assim, a Serra perdeu a dupla. Porém, o que mais dói para os torcedores bento-gonçalvenses (principalmente os gremistas) é que a negativa partiu de um ídolo. Renato Portaluppi, sempre lembrado com orgulho pela cidade que deu os primeiros passos no futebol, foi quem decidiu deixar Bento Gonçalves fora do itinerário em 2011. Mas será que Renato se orgulha do seu passado? Até a única alegria que restaria - com a ausência da dupla - não irá contribuir este ano. Nem o Clube Esportivo servirá para trazer grandes equipes à Montanha dos Vinhedos. Os torcedores vão ter de se contentar em disputar a Segundona Gaúcha em 2011. Enfim, Bento parece estar em baixa mesmo.