segunda-feira, 11 de março de 2013

No peito do presidente

Foto: Alexandre Lops (Inter)

A conquista da Taça Piratini pelo Internacional passa muito pelo técnico Dunga. A entrega e a responsabilidade tática com que a equipe vem atuando têm muito da cara do capitão do Tetra. Porém, o último episódio tem méritos de um outro personagem. E não foi D’Alessandro, Damião, Forlán ou qualquer outro jogador. Passou pelo gabinete do presidente Giovanni Luigi. Vítima de críticas atrozes em muitas vezes, o mandatário colorado soube driblar duas crises que chegaram a apresentar faíscas durante a semana.

A primeira com relação ao diretor de futebol Luis César Souto de Moura, que criticou publicamente uma escolha política, ainda na segunda-feira. Depois disso, o segundo ato envolvia o departamento jurídico. Preocupados com o cenário que receberia o Colorado em Ijuí - além da previsão de chuva e um gramado para lá de embarrado -, os advogados do Inter (a pedido de alguém do futebol, certamente) começaram a organizar o processo que levaria a finalíssima para Caxias do Sul. O argumento seria uma brecha no regulamento do Gauchão, que faz referência à capacidade do estádio (superior a 10 mil pessoas) para receber decisões. Mesmo sabendo que este parêntese envolvia apenas a grande final do certame, a defesa estava pronta. Mas morreu na casca.

Tudo porque, questionado, Luigi disse: “Não, deixa assim. Vamos jogar em Ijuí. Eu mato no peito essa responsabilidade. Confio no nosso time!”. Imagina se, ao invés dos 5 a 0, viesse uma derrota contra o modesto São Luiz? Quantas toneladas cairiam sobre os ombros de Giovanni? Por isso, antes mesmo de elogiar um gol ou um belo passe do time de Dunga, vou direcionar elogios ao presidente. Mais uma vez, apesar da calma, não faltou coragem e sobriedade para Luigi tomar sua decisão.

sábado, 9 de março de 2013

Kroeff no lugar de Koff

Foto: Ricardo Chaves (Zero Hora)

Na delegação gremista que embarcou para a Venezuela neste sábado, uma novidade. Não é nenhum jogador novo, tampouco as ausências de Moreno e Kleber. Trata-se de uma presença ilustre: Duda Kroeff. À convite de Fábio Koff, que não poderá acompanhar o grupo em Caracas, o ex-presidente chefiará a delegação tricolor. Os mais chegados juram que não é nenhuma indicação sobre uma possível sucessão presidencial no clube. Apenas uma indicação, de um amigo. E sobre tudo isso, uma grande curiosidade.

Na última vez em que o Grêmio esteve em Caracas, o presidente era Kroeff. Era Libertadores de 2009, quartas-de-final, e as mesmas equipes se enfrentavam pelo jogo de ida. Atônito com o que via – torcedores com lança-chamas e pontos de irrigação sendo ligados em meio à partida -, o mandatário prometia a classificação. Em campo, empate em 1 a 1, com gol do lateral Fábio Santos. Depois, em Porto Alegre, um 0 a 0 deu o passaporte para a semifinal (onde o time comandado por Paulo Autuori cairia para o Cruzeiro). “Foi um jogo atípico. Tivemos dificuldades. Foi um jogo bem catimbado. Saímos atrás e conseguimos empatar”, lembrou Duda, em entrevista à Rádio GUAÍBA.

Aliás, com relação à última visita, o ex-presidente projeta uma melhor estadia, sem tantos sofrimentos. “Muda bastante. Na minha época, eu estava sentado em um barril de pólvora. Agora é mais prazer e menos responsabilidade.” Até porque, como destaca o próprio Kroeff, o time montado por Koff neste ano é superior àquele de 2009. “A equipe de hoje é melhor e está em um melhor momento e o grande segredo é fazer este bom momento durar”, completa.

quinta-feira, 7 de março de 2013

Lamento boliviano

Assistir aos treinos do Grêmio e ver Marcelo Moreno isolado dos demais jogadores já virou rotina. Fosse música, teria nome e sobrenome: 'Lamento boliviano', dos Enanitos Verdes - “És mi situación, una desolación. Soy como un lamento, lamento boliviano”. Fosse dramalhão mexicano, ganharia um novo capítulo. E ganhou na tarde desta quinta-feira.

Enquanto os reservas atuavam em jogo-treino contra o Sindicato dos Atletas Profissionais do Rio Grande do Sul, no Olímpico, o camisa 9 assistia a tudo sentado no banco de reservas. Bertoglio, Biteco e Fábio Aurélio, que não estão inscritos na Libertadores, chegaram a entrar em campo. Moreno não. Mas, em determinado momento, o boliviano foi requisitado. Das arquibancadas, gritou um torcedor: “Luxa, põe o Moreno neste time aí!”.

De primeira, Vanderlei Luxemburgo levou na brincadeira, olhou para os repórteres e respondeu aos sorrisos: “Vou dar metade do meu salário para você”. Então, o torcedor voltou a berrar a mesma frase e, desta vez, a resposta não foi tão bem humorada. O comandante se voltou para trás da casamata e apontou para o cidadão: “Se você não se comportar, vou mandar tirar você daí!”. Por essas e outras, imagino que Moreno não estará na lista de concentrados, que viajam à Venezuela no sábado. Kleber Gladiador muito provavelmente sim. Marcelo foi escanteado, como uma antiga música de sucesso.

quarta-feira, 6 de março de 2013

Uma nova versão dos mandarins

Semana decisiva, que pode terminar com taça no armário para o Internacional. Treinamentos tranquilos, sem muita notícia, com Dunga repetindo a mesma escalação das últimas duas rodadas. Eis que, de onde menos se espera, vem a dinamite da crise: de dentro da direção. Em entrevista à Rádio GUAÍBA na manhã desta quarta-feira, o diretor de futebol Luis César Souto de Moura escancarou sua insatisfação com a escolha por Ibsen Pinheiro para presidir o Conselho Deliberativo do clube. Acontece que Ibsen foi um apoiador de Luis Antônio Lopes e Vitório Piffero nas últimas eleições presidenciais - ou seja, oposição ao presidente Giovanni Luigi. Uma crise política que, se não contornada, poderia respingar dentro de campo.

Souto de Moura não consegue entender como, de oposição, Ibsen virou situação. Porém, a explicação parte das cedências que o mandatário colorado terá de fazer para aglutinar todos os movimentos colorados ao seu redor. Depois de um verdadeiro racha, por conta das obras do estádio Beira-Rio, Luigi viu a oposição crescer assustadoramente e, de quebra, aliados virarem as costas. Habilmente, Giovanni vai costurando o tripé que construiu as grandes conquistas dos anos 2000: Fernando Carvalho, Vitório Piffero e Giovanni Luigi.

O mais interessante é que Ibsen Pinheiro participou de um movimento político da década de 70 que ficou conhecido como 'Os Mandarins'. Naquele período, os líderes se revezavam no trono da presidência – fato que pode se repetir com o triunvirato citado acima. Curioso é que o presente encontra o passado quase sem querer.

Um novo ou velho Grêmio?

Foto: Mauro Schaefer (Correio do Povo)

Que Grêmio foi este que goleou o Caracas na Arena nesta terça-feira por 4 a 1? Certamente não foi aquele que perdeu de maneira apática para o Huachipato. Também não chegou a assemelhar-se ao que bateu o Fluminense no Rio de Janeiro – letal nos contra-ataques. No intervalo, cheguei a ouvir um torcedor no microfone da Rádio GUAÍBA que disse: “Há tempos não via o Grêmio com um time que levasse tanto perigo ao adversário nas cobranças de escanteio.” Seria este então um novo Grêmio? Longe disso!

Os 'com mais idade' vão lembrar de quão letal era a bola aérea tricolor na Libertadores de 1995. Ou então, quão agressiva era a equipe de 1983. E, como descreveu o diretor Rui Costa (com um sorriso de satisfação estampado no rosto): “Coincidentemente, é o mesmo presidente das outras conquistas, mas não é prudente fazer comparações.”

Pode até ser cedo demais, mas este Grêmio devolveu ao torcedor um time competitivo, capaz de fazer acreditar piamente no tricampeonato da América. E isso, coincidentemente (ou não),  pelas mãos de Fábio Koff, que soube tirar o projeto do papel para colocá-lo habilmente na prática. Discutir quem foi melhor – Jardel ou Barcos? Renato ou Vargas? - talvez não seja necessário mesmo. Este é o Grêmio de Zé Roberto e Cia, mas com as velhas características históricas de outros Grêmios vencedores. “O Grêmio está no caminho certo e vai conquistar títulos importantes. Posso afirmar com experiência que tenho”, sentenciou o técnico Vanderlei Luxemburgo.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Só na Venezuela

Ao visualizar a lista de concentrados do Grêmio para o duelo contra o Caracas, duas ausências marcantes. A primeira, já esperada, é a de Marcelo Moreno. O boliviano está fora dos planos do técnico Vanderlei Luxemburgo e isso não é mistério para ninguém. Mas e Kleber Gladiador? A explicação veio rapidamente: o atacante está sendo preparado para viajar à Venezuela, na semana que vem.

Para isso, o Grêmio agenda para quinta-feira um novo jogo-treino no estádio Olímpico – ainda sem adversário definido. O camisa 30, que se recupera de uma cirurgia em tendão do tornozelo, já foi destaque nos últimos testes realizados. Contra o Aimoré chegou a marcar gol de calcanhar. Nos treinos, inclusive, foi aplaudido depois de aplicar um 'chapéu' no zagueiro Werley.

Se tudo der certo, como imagina o departamento médico, o Gladiador poderá reforçar o banco de reservas gremista na capital venezuelana, contra o mesmo Caracas, no dia 12. Aí, no decorrer da partida, ele poderá ingressar em campo, forçando uma briga boa entre os atacantes. Ou será que Vanderlei Luxemburgo seria capaz de escalar um trio de avantes, com Kleber, Vargas e Barcos? Não duvide!

Dunga não sabe aproveitar suas conquistas

Nesta segunda-feira, (com toda a razão) a classificação do Inter à final da Taça Piratini ficará em segundo plano. Não é para menos. Adoraria falar dos dois golaços de Diego Forlán e da volta do bom futebol do uruguaio. Da organização tática que o time vem apresentando, da série invicta nesta largada de Gauchão, enfim. Mas, farei como o próprio Dunga. Vou esquecer que o Inter bateu o Esportivo por 2 a 0 e falar da arbitragem.

Não consigo entender porque Dunga é assim. Se ele sabia que os árbitros foram orientados a serem mais severos com ele (o que não duvido), por que provocou a expulsão? Ele preferiu bater boca com o bandeirinha! Mas isso não é novidade na carreira de Dunga. Até mesmo como jogador, no momento mais alto de sua carreira, o capitão do Tetra não esqueceu daqueles que o criticaram na Copa de 90. Assim, quatro anos depois, nos Estados Unidos, quando levantou a taça, gritou “É nossa, porra!”, para instantes depois se voltar para os fotógrafos e jornalistas presentes e berrar: “É pra vocês, seus traíras!”. Nem todos foram injustos como ele imagina.

Em 2010, já como treinador da Seleção Brasileira, repetiu a hostilidade depois de vencer a Costa do Marfim e classificar-se à próxima fase da Copa. Na coletiva, implicou com o repórter da TV Globo, Alex Escobar. Agora no Inter, insinuou há algumas semanas que jornalistas criticam ou elogiam determinado atleta por “receberem presentes”. Até onde vai a raiva de Dunga? E aqui fala um admirador do seu trabalho – seja como jogador, como treinador. Mais uma vez ele faz um belo trabalho, porém compra brigas desnecessárias. Quem sabe esta final de primeiro turno em Ijuí (sua cidade natal) seja capaz de fazer o capitão lembrar dos velhos tempos de infância e ensinar a brindar melhor suas conquistas.