domingo, 6 de outubro de 2013

Uma pulga chamada Clemer

Foto: Alexandre Lops (Inter)

Muita coisa mudou no ambiente daquele Inter de 4 derrotas consecutivas para este que venceu o Fluminense por 1 a 0 em Caxias do Sul. Desde o ambiente distensionado, onde dirigentes conversaram tranquilamente com repórteres no hotel, ao discurso do técnico interino Clemer, de que primordial era vencer - independente de ter uma boa atuação. Enfim, coisas impensáveis para o período final de Dunga no comando técnico. Aliás, mais do que o Inter, Clemer precisa de vitórias (mesmo que simples). Quem sabe, de grão em grão, o ex-goleiro pode colocar uma pulga atrás da orelha da direção colorada.

Antes da bola rolar, o diretor de futebol Luis César Souto de Moura garantiu, em entrevista à Rádio GUAÍBA, que o interino não será efetivado. "A não ser que dê tudo errado e que todos os treinadores procurados acabem negando nossas propostas. Temos planos futuros para Clemer". Pois o dirigente também explicou que, atualmente, são trabalhados dois perfis profissionais: o primeiro, que chegaria agora mas já teria a missão de planejar 2014, assinando contrato até dezembro do ano que vem; o segundo, um "mandato tampão" com contrato até dezembro deste ano, teria a missão de encerrar a temporada de maneira digna. "Mas isso não quer dizer que ele não seja efetivado. Depende dos resultados em Brasileiro e Copa do Brasil", assegurou o diretor. Sem ouvi-lo citar nomes, podemos imaginar respectivamente Abel Braga e Celso Roth muito bem desenhados nestes perfis. Aí mora o problema.

Desde a tarde de sábado, o repórter Flávio Dal Pizzol traz a informação de que Abel teria negado o convite, tendo como plano iniciar um trabalho apenas em janeiro. Antes disso, quer passear com a família pela Europa - aliás teria embarcado neste domingo para Portugal. "Nós temos esta informação. Mas quem disse que ele não pode voltar antes?", indagou o vice Marcelo Medeiros na GUAÍBA. Sobre Roth, seria necessário vencer uma forte resistência ao seu nome oriunda das arquibancadas e, além disso, desembolsar um alto salário. No meio disso tudo, entra Clemer. Se conseguir vencer uma ou duas partidas mais, será que não pode ser ele o tal "tampão" até dezembro? "Vontade eu tenho, mas é uma parte diretiva. Estou trabalhando para estar num time profissional, e acho que estou pronto", concluiu o interino.

sábado, 5 de outubro de 2013

De onde vêm os Alex Telles?

Foto: Paulo Sérgio (Lancepress)

Não fosse o Cruzeiro, poderia se dizer que a vitória do Grêmio diante do Botafogo, em pleno Maracanã (1 a 0), é uma vitória de time campeão. Renato Portaluppi conseguiu mudar o Tricolor da água para o vinho. Aliás, elogiar a entrega dos jogadores gremistas é praticamente chover no molhado. Colocar na conta da 'sorte' a sequência de bons resultados chega a ser irresponsabilidade. Não dá para classificar como sorte nem mesmo as contratações dos tais 'meninos do Juventude'. Aliás, veio de um deles - Alex Telles - o gol da vitória neste sábado.

Enquanto o Grêmio se preparava para pegar o Botafogo no Rio de Janeiro, eu desembarcava em Caxias do Sul para acompanhar o treino do Fluminense, no CT do Juventude (localizado a quase 10km do centro da cidade). De última hora, o local da atividade mudou, mas eu estava lá. Por que contei tudo isso? Porque fui convidado pelos profissionais das categorias de base do clube a retornar para o Estádio Alfredo Jaconi junto com eles, dentro do ônibus que carregaria os meninos do time sub-15 e sub-17. Enquanto o veículo se locomovia, me peguei pensando: 'Então é daqui que vêm os Alex Telles, Ramiros e Bressans?'

Chegando no Jaconi, continuei a conversa com os funcionários das categorias de base juventudista: "É impressionante, mas o Bressan até bem pouco tempo era um gordinho que apanhava da bola...", disse um. "E o Alex Telles que quase foi dispensado?!", completou outro. Enfim, verdade ou não, é impressionante o trabalho realizado pelo clube caxiense. E, mais do que isso, louvável o Grêmio por saber explorar este trabalho. Mais além, palmas para o técnico Renato Portaluppi que coloca este Tricolor 'limitado' e que 'joga feio' na briga pelo título: "Meu time não é o melhor do campeonato, mas tem poucos times com tanta obediência tática como o meu", resume o técnico gremista.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Do menos para um dos mais

Foto: Jefferson Bernardes (Vipcomm)

A demissão de Dunga era iminente. Fato! Por mais que a direção negasse ou não tivesse esta vontade, o Inter rumava para este destino há semanas. O que espanta é que, apesar de não deixar títulos de grande expressão ao clube, Dunga deixará seu nome na história. Isso porque poderá ser, quem sabe, o único treinador da história a não comandar o time dentro do seu próprio estádio - no caso, o Beira-Rio. Em contrapartida, se encaminha o acerto com outro que se pode dizer, o Beira-Rio trata-se de quase uma segunda casa.

Enquanto Clemer pensa em como armará a equipe diante do Fluminense no próximo domingo, o presidente Giovanni Luigi permanece no Rio de Janeiro para acertar a contratação de Abel Braga (mesmo que negue). Campeão do mundo e da Libertadores com o Colorado, Abel é o 4º profissional que mais comandou o time na história (266 jogos) - atrás apenas de Teté, Cláudio Duarte e Dino Sani. Passou cinco vezes antes por Porto Alegre e, agora, pode ser a definitiva. Tanto pode encerrar a carreira por aqui, como pode se notabilizar por ser o treinador durante a reinauguração do modernizado Beira-Rio. Quer um atrativo melhor que este para convencê-lo a vir? Sim, pois parece que o único detalhe é que Abel gostaria de ficar descansando até dezembro, para somente em janeiro pegar outro trabalho.

O que também pode servir de charme (além de um polpudo salário) é o desafio. Em sua carreira, Abel Braga não tem o título da Copa do Brasil. Bateu na trave duas vezes (Flamengo em 2004 e Fluminense em 2005). E, mesmo que o Brasileirão esteja distante neste momento, ainda há a esperança mínima de uma conquista nacional. Bom, em um aspecto Luigi evoluirá se acertar com Abelão: será sua primeira contratação de um treinador 'não-aposta'. Os outros da gestão (Dorival Júnior, Falcão e Fernandão), com todo o respeito que merecem, não passaram disso. Abel pode até dar errado igualmente, mas neste momento qualquer outro nome pode ser um suicídio político para o mandatário colorado.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

O que fez o campeonato do Inter ir embora

Foto: Cléber Mendes (Agência Lance)

O Internacional perdeu de novo. Não é novidade na vida recente dos colorados. Foi a quarta derrota consecutiva - desta vez por 3 a 1 para o Vasco, em Macaé. Acontece que, já no intervalo, o capitão D'Alessandro decretava o fim: "O campeonato continua e a gente continua errando. Assim o campeonato vai embora." Depois, ao fim do jogo, concluiu: "Precisamos fazer o maior número de pontos para dar tranquilidade. E aí vamos ver aonde chegamos." O argentino é muito sanguíneo quando a bola rola, mas sabe ser lúcido como poucos diante dos microfones. E sua leitura foi perfeita! Mas o campeonato terminou por quê?

A impressão que dá é que todo o comando do clube está perdido, falando línguas diferentes. A maior prova de todas foi o fato ocorrido nesta quinta-feira, quando o presidente da Federação Gaúcha de Futebol (FGF), Francisco Novelleto, convocou uma coletiva, ao lado do prefeito de Cascavel-PR, para anunciar que o Gre-Nal do segundo turno do Brasileirão aconteceria na cidade paranaense, no próximo dia 20. Os dirigentes negavam até a palavra final do mandatário colorado Giovanni Luigi: "O Novelleto estava autorizado para avançar nesta questão, mas coloquei para ele que tinha que ter uma visão do todo. Conversando com o departamento de futebol, houve uma solicitação explícita para que o jogo ficasse no Rio Grande do Sul", declarou.

A verdade é essa: o Inter, como clube de futebol, está perdido. Não sabe se renova o elenco ou se valoriza quem já está por ali. Trouxe de volta atletas que já haviam passado antes pelo clube, mesmo sem sucesso (Ronaldo Alves, Helder e Vitor Júnior). Passou um mês discutindo se contratava ou não Adriano Imperador. Sem o Beira-Rio, reformou estádios em Caxias do Sul e Novo Hamburgo, mas segue repetindo que joga sem casa. E tantas outras situações, como a que abriu o Brasileirão: em Salvador, contra o Vitória, quando Muriel e Fabrício não foram escalados, por temor de que tivessem de pagar pelas punições do ano anterior. Com todo o respeito, mas a temporada beirou o amadorismo. Personificar tudo em Dunga agora chega a parecer injustiça. Entretanto, alguém tem de pagar. Apesar dos pesares, Luigi confirma que o treinador fica. Mas não descarto uma entrevista horas depois para mudar os rumos da história de novo. Não seria novidade, pelo menos.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

100% sem Zé Roberto ou Elano

Foto: Fabiano do Amaral (Correio do Povo)

Poderia ser encarado como algo absurdo no início do ano. Ou melhor, vinha sendo tratado como impensável há bem pouco tempo. Mas a cada rodada, Renato Portaluppi vai dobrando os críticos. Nesta quarta-feira, mais uma vez resolveu deixar Elano e Zé Roberto no banco de reservas. E, como tem sido de costume, venceu (agora por 1 a 0). O treinador gremista abriu mão do futebol bem jogado dos dois para ter a briga e entrega de Riveros, por exemplo. Além disso, Renato está resguardado pela direção, que compactua da ideia de que, pelo bem da mecânica de jogo, o time ideal jogue sem um meia criativo. E o alicerce disso tudo são os números.

Se considerarmos somente os jogos do Campeonato Brasileiro, o Grêmio chegou a sua 5ª vitória conquistada tendo apenas volantes no meio-campo. Esta formação nunca empatou ou foi derrotada. São incríveis 100% de aproveitamento! Como combater tal ideia então? Já, se pegarmos os jogos em que Elano e Zé Roberto entraram com a bola rolando, o aproveitamento cai para 41,6%. Com a dupla desde o início então, os números são um pouco melhores: 44,4%. Alguém ainda ousa contestar o argumento de Renato?

"Se quiser ver só jogada bonita, lances de craque, muita técnica, vai ver o Barcelona jogar. Aqui não tem isso. (...) Muito time que diz que joga bonito, eu não vejo na minha frente. Estão bem longe na tabela", disparou o técnico tricolor em sua entrevista coletiva. E, justamente com os resultados, ele mostra que tem razão. E se alguém ainda tem dúvida, avalie abaixo...

- Sem Zé Roberto e Elano:
5v 0e 0d
100%

1x0 São Paulo
1x0 Flamengo
3x2 Vasco
3x1 Cruzeiro
1x0 Atlético-PR

- Zé ou Elano iniciaram jogo:
5v 3e 4d
44,4%

1x1 Santos
0x1 Atlético-MG
2x0 Náutico
3x2 Portuguesa
3x0 Bahia
0x1 Coritiba
1x1 Inter
0x2 Corinthians
2x0 Fluminense
1x2 Criciúma
2x1 Botafogo
1x1 Atlético-PR

- Zé ou Elano entraram no decorrer da partida:
1v 2e 1d
41,6%

0x0 Corinthians
0x0 Vitória
0x2 Goiás
1x0 Ponte Preta

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Grêmio quer repetir o prato em 2014

Foto: Vitor Rodriguez (Grêmio)

Há semanas se debate na Rádio GUAÍBA (no ar e na redação) sobre o futebol apresentado pelo Grêmio. A tese de alguns é que a posição na tabela é bem melhor do que o futebol apresentado e que a fase, por ser boa, dá aval ao trabalho desenvolvido. Eu, assim como outros, defendo que o Tricolor sabe que joga 'feio', mas compensa pela aplicação tática. Enfim, mais do que isso, utilizando uma metáfora: o Grêmio sabe quem não tem dinheiro para jantar um banquete todos os dias, por isso pede 'a la minuta' diariamente. E, pelo jeito, a direção está com vontade de repetir o prato em 2014.

O diretor-executivo Rui Costa admitiu nesta terça-feira que iniciaram as conversas para renovar o contrato com o técnico Renato Portaluppi. “Nós conversamos sobre isso. Ontem também trocamos uma ideia com o presidente. O Renato está muito bem, adaptado e fazendo um excelente trabalho. Ele tem a nossa confiança. Não vejo por que pensar em outro profissional. Ainda não está certo, depende de algumas coisas, mas tenho certeza que vamos continuar trabalhando com ele.” E tem tudo para dar certo.

Em 2010, quando tirou o Grêmio do Z-4 para levar ao G-4, Renato não teve o aval da direção. Enquanto pedia por reforços 'alcançáveis', via a direção correr atrás de Ronaldinho. Acabou perdendo jogadores importantes, como Fábio Santos e Jonas. Agora, sem eleições, pode dar continuidade ao trabalho que vem sendo desenvolvido. Se vai continuar jantando 'a la minuta', só o tempo dirá. Desde que ela mate a fome, como vem matando, não há problema algum nisso!

Pouca diferença entre o blindado e o rachado

Foto: Edu Andrade (Agência Freelancer)

D'Alessandro já declarou que, apesar dos últimos resultados do Inter, o ambiente do vestiário é melhor do que o vivido em 2012. "Já disse ano passado, o vestiário tem que ser blindado, tem que ser nosso. Nem vocês [imprensa] tem que saber o que acontece no vestiário, tem que ser assim." Pois este talvez seja o grande mérito de Dunga. Entretanto, se continuar vivendo este jejum de vitórias, o atual treinador pode igualar seu antecessor Fernandão.

Fernandão comandou o Inter no Brasileirão do ano passado por 26 rodadas. Obteve 9 vitórias, 8 empates e 9 derrotas - um aproveitamento de 44,87%. Dunga está a dois jogos de alcançá-lo. Até agora são 8 vitórias, 10 empates e 6 derrotas - aproveitamento de 47,2%. Se conquistar apenas um ponto nos próximos seis disputados (diante de Vasco e Fluminense), acabará com o mesmo aproveitamento de Fernandão. Ou seja, tanto faz: com o vestiário 'blindado' ou 'rachado', as coisas não funcionaram no Internacional.

Aliás, vale a lembrança. Com Fernandão, Forlán acabou no banco de reservas. É exatamente o que aconteceu na última rodada, diante do Cruzeiro, quando Otávio, Caio e Alan Patrick o ultrapassaram. "Ele sofreu uma lesão na seleção, voltou e também foi uma opção do treinador, por jogadores de outras características. E tem isso (convocação pelo Uruguai). Eu não acordo de manhã pensando em mudar o time. É tudo pensado", argumentou Dunga. Pois assim como Fernandão, Dunga não conseguiu formar um time-base. Muda de escalação a todo momento. É preciso que se diga: ambos fracassaram no Campeonato Brasileiro. O resto é tapar o sol com peneira.