quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Um Vargas no Grêmio, outro no Chile

Foto: Carlos Parra (ANFP)

O golaço de Eduardo Vargas contra a Seleção Brasileira nesta terça-feira, apesar da derrota do Chile no amistoso em Toronto-CAN, aumentou minha dúvida: o que ele faz lá que não consegue fazer aqui no Grêmio? Sim, pois Vargas só continua sendo convocado por Jorge Sampaoli pela fama que deixou desde os tempos de 'La U'. Ou alguém vai tentar me convencer que suas atuações com a camisa tricolor são convincentes? Você enumera alguns poucos jogos que chamaram a atenção no Brasil. E só!

Fiquei abismado com os números apresentados por Igor Póvoa nesta manhã na Rádio GUAÍBA, que resolvi esmiuçá-los. Apesar de ter mais jogos pelo Grêmio, Vargas marcou menos gols do que por sua seleção. No papel, com os compatriotas chilenos, Eduardo disputou 13 jogos neste ano, anotando 9 gols (média de 0,69 gol por jogo). No Tricolor, são 8 tentos em 34 partidas (média pífia de 0,23). Por isso, entendo a grande dúvida da direção gremista na hora de decidir se irá ficar ou não com o atacante para 2014.

Se precisasse bater o martelo hoje, o Grêmio não ficaria com Vargas. Primeiro porque o Napoli-ITA só aceita vendê-lo (não mais emprestá-lo), e ainda exige cerca de 10 milhões de euros. Pelo menos são estes os valores que vazaram pelo lado do Santos, que está interessadíssimo e já discute a possibilidade de adquirir 50% dos direitos do chileno. Em Porto Alegre, Fábio Koff e seus pares alertam que correm atrás de um investidor. O nome Eduardo Vargas ainda é valorizado, principalmente porque tem uma Copa do Mundo pela frente e pode valer ainda mais a partir de julho de 2014 dependendo de suas apresentações. E, convenhamos, com o Chile, o atleta mostra que sabe jogar bola. Pelos clubes, no entanto, é outro jogador - seja por Grêmio ou Napoli. Mas afinal de contas, o que acontece com ele?

- Números de Eduardo Vargas:

No Chile (13 jogos - 9 gols)
6 jogos amistosos - 5 gols
7 jogos Eliminatórias - 4 gols

No Grêmio (34 jogos - 8 gols)
6 jogos no Gauchão - 1 gol
9 jogos na Libertadores - 2 gols
15 jogos no Brasileirão - 5 gols
4 jogos na Copa do Brasil - 0 gol

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Hora de maximizar o Grêmio

Foto: Lucas Uebel (Grêmio)

Amigo, sejamos sinceros: o Grêmio ia empatar com os reservas do Flamengo neste domingo na Arena. O resultado deixaria o Tricolor na 4ª colocação, na preocupação com resultados de Copa do Brasil e Sul-Americana. Mas não, venceu! Venceu graças a um menino que saltou do banco de reservas chamado Maximiliano Rodríguez. Foi ele o autor dos gols que deram a vitória de 2 a 1 sobre o Rubro-Negro carioca. É justamente ele que tem sido o diferencial da equipe nesta reta final e decisiva do Brasileirão. Portanto, qual a dificuldade em deixá-lo titular?

O técnico Renato Portaluppi insiste que falta combatividade ao uruguaio. "A gente vem preparando ele, ganhou 3 quilos. Precisa se adaptar ao futebol brasileiro, ser mais competitivo. (...) Eu disse para ele que tem tudo para estourar ano que vem", declarou o treinador. Pois bem, o argumento de Renato é que Maxi não tem gás para aguentar os 90 minutos de partida com a mesma intensidade que trucidou o Flamengo. São situações diferentes, mas semelhantes às justificativas que fizeram Elano e Zé Roberto sentarem no banco de reservas durante um bom tempo. O comandante tricolor prefere ver pegada no meio-campo, para depois pensar em vencer. Ora tem razão, ora não tem.

É hora de maximizar o Grêmio, e não minimizar. Não há como entrar se defendendo dentro de casa. O time gremista precisa impor seu ritmo, fazer o adversário correr atrás da bola. Não é o Grêmio que tem de correr. Afinal, quem está brigando pelo topo da tabela? O esquema minimalista de três volantes, em um determinado tempo, surpreendeu os inimigos e deu certo. Agora ficou manjado. Se o esquema bom é o que ganha - como repetiu Renato -, é hora de lançar Maxi Rodríguez como titular. Qualquer outro ato (como o retorno de Eduardo Vargas) é minimizar o grande momento que viveu o garoto de Montevidéu e o Grêmio no último domingo.

De Belém a Goiânia

Foto: Divulgação Goiás

Neste domingo, curiosamente, completaram-se 11 anos da vitória colorada sobre o Paysandu, em que Fernando Baiano e Mahicon Librelato impediram que o clube frequentasse pela primeira vez a Série B do Campeonato Brasileiro. Neste domingo também, o Internacional sacramentou sua pior campanha na Era dos pontos corridos. Com uma derrota de 3 a 1 para o Goiás, em Goiânia, ficou a apenas 4 pontos do Z-4. Uma temporada abaixo daquele ano passado turbulento, onde o inexperiente Fernandão pediu demissão no vestiário do mesmo estádio Serra Dourada, depois de perder para o rebaixado Atlético-GO. Ah, se o vestiário do Serra Dourada falasse!

Pois nesta segunda-feira ele falou. Não há como desmentir que houve uma briga entre jogadores do Inter. Ninguém disse que foi a socos e pontapés. Ninguém disse que o ambiente foi totalmente destruído. O que me disse um funcionário, e eu logo repassei aos repórteres na Rádio GUAÍBA, foi que uma 'briga de bar', com forte discussão, muita gritaria e um solavanco na porta (que estragou a maçaneta) aconteceu após a péssima jornada em Goiânia. E tudo isso foi motivado pela expulsão de Rafael Moura - visto pelos companheiros como o causador da virada goiana para cima do Colorado. "Eu falei educadamente com ele (árbitro), mas ele quis me expulsar. Prejudicou o time e a minha família, já que eu precisava de uma sequência", declarou o centroavante na saída de campo.

Quem se desentendeu, ou quem defendeu quem, não importa. O que interessa é o que será feito de tudo isso a partir de agora. A reação imediata da direção foi, primeiramente, negar qualquer ato grave no Serra Dourada. "Houve discussão no vestiário, mas ninguém brigou a socos", relatou o vice-presidente Marcelo Medeiros. O próximo passo foi chamar a torcida para uma verdadeira decisão que se fará com o Coritiba no próximo domingo, em Caxias do Sul. Esta missão coube ao presidente Giovanni Luigi, que evitou falar em rebaixamento e comparar o momento àquele ano de 2002. Entretanto, basta pensar: desde o episódio de Belém, o Inter nunca bateu tão perto à porta da Série B. Goiânia vai aglutinar ou rachar o elenco nessa hora?

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Transição preocupante

Foto: Alexandre Lops (Inter)

Transição é a palavra-chave. Ela ajuda a explicar o atual momento do Internacional, incluindo a derrota desta quinta-feira, de 2 a 1, para o Atlético-MG. "O Internacional está em fase de transição e temos de dar desconto para esta rapaziada", avaliou o técnico Clemer. Verdade. Literalmente, da defesa ao treinador (e parando até na direção), são profissionais que estão sendo testados para um futuro próximo. Mas, convenhamos, o torcedor colorado não merece isso. Um clube com tamanha folha salarial não permite isso.

A frase de D'Alessandro, ao deixar o gramado do estádio Independência, diz tudo: "A gente tinha qualidade para brigar lá em cima, mas nosso segundo semestre foi muito ruim. Esse ano tem que acabar logo." Fui e sou a favor do pensamento que, restando nada mais a fazer no Brasileirão, seria necessário observar melhor Cláudio Winck, Alan, Jackson, Valdívia e cia. Acontece que a qualidade é inferior a qual imaginava. É verdade, quando a barca está furada, qualquer marinheiro é um naufrago. Porém, está difícil salvar alguém. Agora só é possível ver defeitos, sem enxergar um futuro promissor - até mesmo na diretoria.

O discurso do diretor Luis César Souto de Moura, por exemplo (com todo o respeito que ele merece), já não cabe à grandiosidade do clube: "Aparecer na segunda página é inaceitável", avaliou ele, para logo em seguida emendar que só se pode pensar em 2014 a partir do término do campeonato. Ou seja, seguindo nesta toada, o Inter tem tudo para abrir mais uma temporada como retardatário. E aí, as primeiras posições da segunda página serão pouco para a mediocridade que vive o Colorado - futebolisticamente falando.

Vaias para o 'Homem-Gol'

Foto: Ricardo Giusti (Correio do Povo)

"Quando se fala em torcedor, é o da Geral. Esse é o torcedor do Grêmio", assim falou Renato Portaluppi após a vitória suada sobre o Vasco da Gama nesta quarta-feira. Finalmente o Tricolor venceu. Finalmente voltou a marcar gol. Mesmo assim, parte da torcida pegou no pé, como se a maré de azar continuasse a afligir o time. É bem verdade que os apupos atingiram apenas o treinador e não a equipe. E Renato sabe que a atuação não foi das melhores. Eu estava na passagem da zona mista quando o 'Homem-Gol' rumou para o vestiário, antes mesmo dos atletas. Com expressão de alívio, bufou e sussurrou: "Sofrido!"

Mas desta vez as vaias foram pelas substituições de Renato. Zé Roberto finalmente iniciou como titular. Foi dele, inclusive, a cobrança do escanteio que originou o gol de Rhodolfo. Entretanto, não bastou para convencer o comandante - acabou sendo substituído por Maxi Rodríguez: "Eu fiquei chateado, queria continuar em campo. Mas respeito a opção do treinador. Vamos valorizar a vitória, que ajuda na classificação", explicou o camisa 10 depois de ter atirado a chuteira no chão, em frente ao banco de reservas.

E pelo jeito, Renato não se importa muito com as opiniões alheias: "No Brasil temos 200 milhões de treinadores. Todo mundo é treinador, então é só pedir emprego no clube e ir para a beira do campo. Vai ganhar um bom salário, mas precisa ir lá escutar a torcida." E com esta posição forte, querendo ou não, Portaluppi está mantendo o Grêmio no G-3. Uma classificação a Libertadores ajuda e muito na hora de optar pela renovação de contrato. E a direção sabe que jogar bem nem é o mais importante. O importante é vencer: "Curiosamente, quando jogamos melhor, criamos várias oportunidades de gol, como contra o Bahia e Atlético-PR, não ganhamos", analisou o assessor Marcos Chitolina. E assim, com vaias ou sem, segue o trabalho de Renato, o 'Homem-Gol'.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

As renovações dos últimos 10 anos

E aí, Renato renova ou não renova com o Grêmio para 2014? Em um país onde a profissão de treinador de futebol não é lá muito estável, dá para dizer que o Grêmio dá oportunidade para que os profissionais permaneçam por mais de uma temporada. Nos últimos 10 anos, 5 técnicos puderam discutir contrato com a direção tricolor. Isso sem contabilizar Tite, que chegou como aposta em 2001 (como campeão gaúcho vindo do Caxias) e permaneceu até a metade de 2003 - ou seja, renovou por duas vezes seu vínculo com o clube.

Em minha contabilidade, o primeiro a renovar foi Adílson Batista. No comando da equipe quando da salvação do rebaixamento em 2003, sentou com o então presidente Flávio Obino para discutir sua permanência para a próxima temporada, além de uma reciclagem na equipe - incluindo a saída do goleiro/ídolo Danrlei: "O Danrlei acha que eu vim com a ideia fixa de tirá-lo do time, mas eu disse a ele, hoje, que não tenho nada de pessoal contra ele", contou à época, sem imaginar que cairia do cargo 6 meses depois, com uma campanha que culminaria no segundo descenso da história do clube. Pois coube a Mano Menezes a missão de devolver o Grêmio à Série A. Com o objetivo alcançado, Mano também conseguiu renovar seu contrato por duas temporadas seguidas, permanecendo 2 anos e 7 meses no cargo, e só deixando Porto Alegre por contra própria após oferta do Corinthians. 

As outras renovações foram mais turbulentas, e envolveram eleições presidenciais. Após a campanha do vice-campeonato brasileiro em 2008, Celso Roth ganhou reajuste salarial do novo mandatário Duda Kroeff. "Ele (Roth) está maduro e está pronto para ganhar um título. Que seja no Grêmio", disse Kroeff. Porém, Celso não repetiu a boa campanha dos tempos de Paulo Odone, sendo demitido após 2 meses e insucessos em grenais pelo Gauchão. Fato semelhante aconteceu com o próprio Renato que, contratado por Duda, renovou seu vínculo com Paulo Odone no fim de 2010. Foram 6 meses de um casamento turbulento. Por fim, o atual presidente Fábio Koff experimentou o que é engolir quem não se quer. Com Vanderlei Luxemburgo (ex-funcionário de Odone), a paciência durou praticamente o mesmo período: 6 meses. Agora, a favor de Renato e Koff, um item: o carinho recíproco desde os tempos de Tóquio. Resta saber se conseguirão transportar todo este reconhecimento para a relação empregado-empregador.

- Últimos treinadores que renovaram contrato com o Grêmio:

Adílson Batista (10 meses): 23 de agosto de 2003 a 4 de junho de 2004*
Mano Menezes (2 anos e 7 meses): 22 de abril de 2005 a 2 de dezembro de 2007**
Celso Roth (1 ano e 2 meses): 15 de fevereiro de 2008 a 5 de abril de 2009*
Renato Portaluppi (11 meses): 10 de agosto de 2010 a 30 de junho de 2011*
Vanderlei Luxemburgo (1 mês e 4 meses): 21 de fevereiro de 2012 a 29 de junho de 2013*


*Renovou contrato para a temporada seguinte
**Renovou duas vezes o contrato

O legado de Clemer

Clemer concluiu a primeira parte de sua missão como técnico do Internacional: eliminou as mínimas chances que existiam de rebaixamento. Agora, terá 5 jogos pela frente em que poderá testar alternativas das categorias de base e, assim, completar sua função de rejuvenescer o elenco colorado. Com a lesão muscular de Ednei (aliada a de Gabriel), a próxima posição a ser testada na próxima quinta-feira, contra o Atlético-MG, será a lateral direita: "A gente tem o Winck né, que podemos testar neste jogo, já que eu tinha posto para jogar dois jogos pelo time B. Tamtém tem o Diogo, que é um outro lateral que vem do sub-23", avaliou o próprio treinador.

Não é de hoje que Clemer trouxe meninos da base para o grupo de cima. A cada viagem com a delegação ou treino no CT Parque Gigante, os repórteres têm dificuldades em reconhecer todos os rostos presentes. É preciso ter um certo conhecimento sobre os times inferiores, ou um auxílio da assessoria de imprensa (a quem eu, no caso, recorro). Para a zaga, Alan e Jackson continuarão como titulares em Belo Horizonte. Na lateral esquerda, o jovem Artur pode ser opção no banco de reservas mais uma vez. De volantes, além do afirmado João Afonso, os garotos Jair e Nathan Índio (que foi improvisado na lateral) foram outros a aparecer entre os relacionados. Do meio para a frente ainda são observados Valdívia, Fernando Baiano, Nathan Cachorrão - isso sem citar Otávio, que além de titular desde os tempos de Dunga, vem sendo cobiçado pelo Borussia Dortmund-ALE.

Mas e no gol, nenhum arqueiro da base subiu? Bom, aí pode se entregar a sensível melhora de Muriel, perceptível por exemplo na vitória sobre o Botafogo, em Caxias do Sul: "Ele vem trabalhando um pouquinho mais. Conversei com o Pavan (Daniel, treinador de goleiros) para puxar um pouco mais. E graças a Deus ele vem se recuperando e voltando àquela fase boa que tinha. É trabalho, não tem outro remédio. E a vitória também dá mais confiança", confidencia Clemer. Enfim, eis o legado deixado. Se vai ser contratado por mais uma temporada em 2014, aí são outros 500 e outras missões.