segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Mesmo que mude


O verão do amor aconteceu em 1967, no auge do movimento hippie. Neste final de semana tivemos um acontecimento semelhante. Tivemos o "veranico do amor". Veranico por que ainda não estamos na estação da praia e do sol, e nem por isso o termômetro deixou de marcar quase 30 graus. Mas afinal de contas, por que o amor?

Bom, no domingo tivemos o retorno de Fernandão a Porto Alegre. O maior ídolo da história contemporânea do Internacional, responsável por erguer as duas mais importantes taças do clube, pisou novamente no estádio Beira-Rio. Era um reencontro muito esperado pelo Brasil inteiro. Aliás, Inter e Goiás tinha tudo para ser um grande jogo. Além de Fernandão, estreiariam o atacante Edu, o zagueiro Fabiano Eller e o esquema tático 3-5-2. Todos pelo lado colorado. Acontece que os holofotes abriram mão dos experientes e privilegiaram o novato Marquinhos. Estrela do jogo, a mais nova pedra preciosa do Inter marcou um gol, deu passe para outro e fez a jogada do terceiro. E o atacante Fernandão, que era o protagonista antes da bola rolar passou em branco na partida. Aliás, foi expulso com apenas 15 minutos de jogo! O que não nos deixa outra alternativa senão pensar que o "Capitão América" ainda ama o Gigante da Beira-Rio.

E como canta a banda gaúcha Bideoubalde, amor é sempre amor mesmo que mude...

Do lado azul o amor é totalmente caseiro. Se foram 22 rodadas, metade delas atuando fora de casa, e o Grêmio segue sem vencer longe do Olímpico. Ainda ontem, contra o Botafogo, no Rio de Janeiro, o time esteve atrás no placar por duas vezes. Não fosse Jonas, o "homem dos gols estranhos", a desgraça seria maior ainda. Até que, faltando poucos minutos para o fim, Souza conseguiu colocar o Tricolor em vantagem. Eis que surgia a luz no fim do túnel. Finalmente o Grêmio venceria fora de casa! Pelo menos, este foi o pensamento do torcedor, que já se preparava para pagar a promessa. Até que apareceu Leandro Guerreiro. Ele recebeu a bola no meio campo, e em uma jogada totalmente despretenciosa se livrou dela, com um chutaço pro ar. Pois não é que a redondinha teimou e entrou no ângulo do goleiro Victor? Sim, pois era o veranico do amor! E o amor do Grêmio é comprometido com apenas uma pessoa. Fiel, o Imortal só joga dentro de casa, apenas para o seu torcedor.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Como nossos antepassados


A nostalgia é um sentimento deveras dolorido, porém muito presente. Quem, em algum período da vida, não se pegou relembrando momentos passados? Nós temos isso presente. O hoje nunca é tão bom quanto o que já foi vivido, assim como dias melhores virão. Ou seja, insistimos em avaliar a atualidade como algo nem tão feliz assim.

Pois da mesma maneira, os torcedores da dupla Gre-Nal são apegados a tal sentimento. Por exemplo, basta surgir um camisa 7 veloz e driblador no Beira-Rio, para que a lembrança de Tesourinha volte na memória dos colorados antigos. Vive-sem em busca de um novo Taffarel, um novo Figueroa, um novo Falcão, um novo Fernandão. Pois este último estará de volta, inclusive, ao imaginário vermelho. Quando se enfrentarem Goiás e Internacional neste domingo, os saudosistas vão chorar de saudades do Capitão do Mundo. Pois quero chamar a atenção para um fato que talvez passe desapercebido para os torcedores colorados. Alguém lembra como Fernandão chegou ao estádio Beira-Rio? Desacreditado e desconhecido. Entrou para história do Inter logo de cara, quando marcou o "gol Mil" em grenais. Pois quero tratar de compará-lo com outra personalidade. Desembarcou em Porto Alegre, há menos de um mês, o atacante Edu. Alguém conhece o Edu? Pode se dizer que ele chega desconhecido e desacreditado, de certa forma. Pois trato de contar que em seu primeiro treino com o manto vermelho, Edu fez dois gols logo de cara. Será ele um novo Fernandão? Não sei. Nem quero afirmar isso. Só quero lembrar de uma canção de Belchior, que na voz de Elis Regina se imortalizou.

"Você pode até dizer que eu tô por fora ou então que eu tô inventando. Mas é você que ama o passado e que não vê que o novo sempre vem".

Pois da mesma forma que Edu surge com dois gols em um treinamento, o torcedor gremista deslumbra o meio-campista Renato Cajá treinar pela primeira vez com o grupo principal do Grêmio. E assim, desta forma, ele deu a vitória dos reservas sobre os titulares, por 1 a 0. Não é um fato qualquer. Lembre que nas últimas rodadas Adriano Imperador e Diego Tardelli (dois atacantes convocados para a Seleção recentemente) não balançaram as redes de Victor. Pois Renato conseguiu. Não quero dizer que ele será o novo Renato Portaluppi. Inclusive, faço um pedido. Assim como pedi aos colorados, por favor torcedor gremista, os ídolos não voltam mais. Por isso, desista de assistir ao "novo Lara", ao "novo Ronaldinho Gaúcho" ou ao"novo Jardel". Lembre que o passado é passado e o presente é o presente. Assim como treinos, às vezes, são apenas treinos.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

O (ex) vencedor


As desculpas se foram pelo ralo. O Inter iniciou o ano sonhando com todos os campeonatos que iria disputar. Veio o Gauchão, com uma certa facilidade, diga-se de passagem. Depois, a Copa do Brasil apareceu e começaram as lamentações. Muitos jogos, muitos desfalques, enfim. Mas, pelo menos ainda existia a Recopa. Foi-se a Recopa e veio a Copa Suruga. Terminado tudo isso, pelo menos o Inter está entre os quatro melhores do Brasileirão. E eu que pensava que a prioridade era o título.

Ontem contra o Santos, os colorados tiveram três infartos durante os 90 minutos. Sairam perdendo por 2 a 0. Graças à efetividade de Alecsandro viraram para 3 a 2. E quando tudo parecia findado, eis que o Santos empata a partida. Para um desgosto maior ainda, o torcedor teve que assistir Sorondo e Daniel abandonarem o gramado expulsos. Porém, antes mesmo que o escandaloso reclame do árbitro, eu trago uma análise mais profunda. Ainda ontem, assistindo o jogo, um amigo meu comentou: "este time do Inter tem a cara do Tite". É verdade. A pura verdade. Um time que troca passes, faz a bola girar e dá gosto de ver jogar - com tanta pompa quanto os discursos de seu comandante. No entanto, efetividade zero! Poucos chutes a gol, assim como a prática do discurso de Tite. A partir de então, o Inter perde de vencer por medo de ganhar. Troca passes como quem espera o fim do jogo e assiste o seu próprio funeral. Aliás, existe uma música da banda brasileira Los Hermanos, que descreve perfeitamente o personagem.


"Eu que já não sou assim muito de ganhar, cruzo as mãos ao meu redor. Faço o melhor que sou capaz só para viver em paz."

Até quando o Inter vai ficar refém do medo de ganhar? O mesmo vale para o Grêmio. O problema é que a síndrome tricolor diz respeito aos jogos fora de casa. Espera-se que quando voltar desta folga de uma semana, os jogadores retornem vacinados contra o medo. Ao que parece, os gremistas voltarão fortes para o Brasileirão. Com Lúcio e Renato como reforços, jogadores se recuperando de lesão e a estima da defesa melhor do que nunca. Fica a esperança de um recomeço no segundo turno.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Pro caminho do bem


Já faz algum tempo que a quarta-feira deixou de ser o "Dia do Sofá" para se transformar no "Dia do Futebol". Pelo menos durante a semana. Acontece que nesta quarta-feira, o Brasileirão tira uma folga. Tudo isso porque teremos enfrentamentos pela Copa Sul-Americana (como o Fla-Flu, por exemplo). Desta maneira, a dupla Gre-Nal está de folga, certo? Errado. Pelo menos para os vermelhos.

O Inter já tirou a sua folga quando foi disputar a tal Copa Suruga no Japão. Agora tem que pagar pelos dias que ficou fora. E hoje a primeira parcela será acertada. Os comandados de Tite entram na Vila Belmiro para enfrentar o Santos, ainda pela 16ª rodada do Campeonato. Acontece que a vida dos Colorados passa por mais um período de turbulência. Depois de perder para o Corinthians em casa e para o Palmeiras fora, a delegação vermelha tentará fazer o crime contra o time de Vanderlei Luxemburgo. Na tabela de classificação, a distância dos santistas é de cinco pontos para o Inter. Mas a preocupação não é esta. É que se os colorados passarem mais uma vez em branco, já se vão três rodadas sem pontuar. A partir de então, aquele time que era dado como um dos favoritos para o título nacional começa a ver até mesmo a sua participação na Libertadores de 2010 ameaçada. Inclusive, o chefão do Beira-Rio, o vice de futebol Fernando Carvalho, falou que não admite maus resultados, pois, segundo ele, o investimento foi muito alto. Fica a pergunta: será que o Inter quer rumar para o caminho do bem?

O mesmo serve para o Grêmio. Autuori não terá que arregaçar as mangas nesta quarta-feira, e nem por isso a cobrança será menor. A sua tarefa árdua prossegue: fazer o time gremista vencer fora de casa. O Tricolor só adentrará os gramados inimigos no próximo domingo, quando enfrentará o Botafogo no Rio de Janeiro. Porém, as pretenções passam justamente por uma vitória longe de Porto Alegre. E, pelo que parece, o Bota é justamente a presa fácil para este momento. Fora dos campos, rumores surgiram em torno da pré-temporada em 2010. Mesmo que diretores, consulados e representações municipais tenham se manifestado contrários a qualquer mudança, a polêmica prossegue. E, na verdade, prosseguirá até que o ônibus azul estacione em frente à Pipa Pórtico, na entrada de Bento Gonçalves. Afinal de contas, qual caminho o Grêmio irá rumar?

Segundo Tim Maia, todos devem escolher o caminho do bem. Agora falta saber qual será o rumo escolhido por Inter e Grêmio.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Encontros e despedidas


Não é de hoje que a dupla Gre-Nal vive constantes expectativas. E aqui me refiro às contratações. São jogadores que chegam e jogadores que saem, treinadores que vão e voltam. E, na grande maioria das vezes, são apenas especulações.

Nas últimas horas o Beira-Rio sequer respira. Na iminência de mais uma partida pelo Brasileirão, os holofotes se voltam para mais uma venda homérica. Desta vez, o volante Sandro aparece em meio a uma proposta do Tottenham. O clube inglês teria oferecido 16 milhões de euros (quase R$ 40 milhões). Um absurdo por um homem de sua posição! Para tanto, se a oferta alcançar esta quantia, não seria anormal receber a notícia de que a diretoria aceitou a proposta. O mais anormal é assistir o desapego do Colorado com relação aos seus meninos, em detrimento do dinheiro. Alguém chegou a avisar que se o Internacional alcançasse os mais de 100 mil sócios, pagaria a folha salarial tranquilamente. Além do mais, integre a este quadro os valores de Alex (€ 5 milhões), Edinho (€ 2,5 milhões) e Nilmar (€ 16 milhões), todos vendidos em euros! Ou a diretoria engana o seu torcedor ou ludibria a si mesmo. Em troca, desembarcaram Edu e Fabiano Eller, e foram dispensados Leandrão e Álvaro. São idas e vindas muito além da vã consciência torcedora.

Porém, não é uma exclusividade vermelha. No Olímpico, há quem diga que Réver e Victor estão próximos da Europa também. Em contraponto, a diretoria afirma que tem novas estrelas surgindo nas categorias de base. Apresentou-se Bruno Collaço e Mário Fernandes, por exemplo. Assim como surgiram Felipe Mattioni e Rafael Carioca no ano passado. Por isso, eu trato de perguntar: até quando os meninos ficarão em Porto Alegre? É bem verdade que o Grêmio trouxe de volta o lateral Lúcio e isso foi um ponto a favor. Também se fala muito no atancate Leandro, que ora é tido como negócio fechado, ora é dado como negócio melado. E nestas, poderíamos citar as especulações sobre Máxi López, Souza e até mesmo em torno de Jonas.

Bom, existe uma música chamada "Encontros e Despedidas", composta por Milton Nascimento e Fernando Brant, que explica esta situação toda.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Compromisso adiado


Os confrontos da dupla Gre-Nal neste final de semana me deixaram um pensamento vago. Deixando de lado as euforias e as decepções, a 21ª rodada do Brasileirão nos oportuniza uma análise mais a fundo.

Comecemos pela partida de sábado. Na capital paulista, o Inter perdeu um jogo de seis pontos. Um duelo direto pelo primeiro lugar na classificação, justamente contra o líder do campeonato. Alguém poderá dizer que o Palmeiras levou a melhor porque jogava em casa. Ora, nada disso me cabe. Até porque, na penúltima rodada, o Internacional deixou de fazer o seu dever diante do Corinthians e amargou a perda de três pontos. Com isso, o time de Tite apenas adia o compromisso da vitória. Sim, pois, para um time se dar ao luxo de sonhar com a taça no final do ano, precisa ser invencível dentro de seus domínios e um visitante ingrato. Muito pelo contrário, o Inter apenas rosna para os pequenos. Dos grandes, como São Paulo, Corinthians e Palmeiras, os colorados têm medo.

Pelo lado do Grêmio, a vitória convincente deste domingo também traz mais um compromisso. Apesar da goleada sobre o Atlético-MG, os comandados de Paulo Autuori tomam para si a responsabilidade de trazer bons resultados fora de casa. No Olímpico já está provado que o Tricolor é Imortal mesmo. Resta saber como será o comportamento além do território sul-riograndense. Isso é um tanto engraçado. Muitos chegam a dizer que não existem explicações para esta situação. Vencer dentro e perder fora. Bom, eu tenho uma explicação. O Grêmio gasta seus gols dentro de casa. Goleia paranaenses, mineiros, paulistas e cariocas, e aí chega na casa do inimigo sem munição. Prepara a metralhadora de gols e ela já foi usada. O estoque de tentos da semana foi gasto dentro do Olímpico. Por isso, Grêmio, faço um pedido: não façam tantos gols da próxima vez. Pode ser que noutra oportunidade os chutes passem mais perto do gol e até parem de acertar a trave.


E antes que alguém exclame, eu não esqueci! Parabéns, Rubens Barrichelo. Com o primeiro lugar de domingo, Rubinho celebra a 100ª vitória de um brasileiro na história da Fórmula 1. Aliás, isso serve de exemplo para Celso Roth. Um dia os últimos serão os primeiros e alcançarão o reconhecimento. Força Roth!

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

O Brasileirão é um bife mal passado


Percebi que nem Inter nem Grêmio querem vencer o Campeonato Brasileiro. Embora digam aos microfones que a intenção é levantar o caneco no fim do ano, que o G-4 é prioridade, que este ano a coisa vai mudar, enfim. No fundo do peito, nenhum dos dois quer a medalha de ouro.

Isso ficou visível nesta última rodada, quando o Inter podia ter ganho dos reservas do Corinthians e encostado no líder Palmeiras. E ainda por cima, totalmente decepcionados com a derrota dentro de casa, os colorados tremiam só de pensar que o Atlético-MG iria vencer o Avaí e tiraria o Inter do G-4. Além do mais, se o Goiás tivesse batido o Náutico, dispararia na frente de todos, assumindo a liderança. Mas não. Nada disso aconteceu. O que nos leva ao pensamento insano, mas totalmente apoiado em argumentos. Quando os comandados de Tite adentrarem o Parque Antártica, deverão estar preparados para disputar uma decisão de campeonato. Até porque, se conseguirem vencer o Palmeiras, estarão muito, mas muito mesmo, próximos do primeiro lugar. Acontece que o Internacional não quer ganhar. Não quer se complicar com ninguém. É quase um diplomata - ainda mais contra os paulistas.

Mas se você pensa que o Grêmio está longe de passar pela mesma análise, engana-se. Jogando no estádio Olímpico, Jonas é um artilheiro nato, Adílson é um marcador implacável e Douglas Costa é o terror do meio-campo. Longe do ar frio do rio Guaíba, todos tremem de medo. Aliás, a rodada desta quinta-feira foi boazinha com o Tricolor. Tivesse o Flamengo ganho do Cruzeiro, Paulo Autuori estaria pendurado na 10ª colocação da tabela. Por isso, gremsitas, agradeçam aos rubro-negros que lhes deram duas vitórias consecutivas no Brasileirão.

Por essas e outras, não me resta outra alternativa senão pensar que Grêmio e Inter não querem vencer o Campeonato Brasileiro. Até porque a tabela se oferece como um bife suculento em cima da mesa. Mas os times gaúchos, não sei se por medo ou constrangimento de comemorar uma vitória, preferem se recolher aos aposentos, aguardando pelo Gauchão de 2010. Ah, antes que eu me esqueça, o São Paulo agradece.