terça-feira, 17 de novembro de 2009

É o meu guri!

Foto: Divulgação CBF


É o meu guri! - A Lupa no Gramado

Definitivamente, o torcedor colorado não assistirá mais aos jogos da Seleção Brasileira. Vislumbrar os comandados de Dunga é quase um martírio para a massa vermelha. E este é um sofrimento que já dura um bom tempo, mas tem se acentuado conforme o ano avança. Tudo isso se deve a relação Nilmar-Seleção Brasileira-Sport Club Internacional. Um triângulo amoroso que não deu muito certo (pelo menos para os colorados).

A história ainda começou no meio deste ano, quando o Colorado disputaria o primeiro jogo da decisão da Copa do Brasil. Acomodado na capital paulista, na iminência de entrar em campo contra o todo poderoso Corinthians, o Inter sentia um misto de felicidade com mau presságio. Estava na finalíssima de uma competição nacional, em pleno ano do centenário, mas sem o seu melhor jogador. Alguns riam sozinho, pois o atacante Nilmar estava servindo à Seleção Brasileira, e isso podia trazer alguns benefícios futuros para o Colorado. E assim começou o namoro do "guri do Beira-Rio" com a camisa amarela. O Inter acabaria perdendo a Copa do Brasil, mas os dirigentes ainda acreditavam no Brasileirão. Acontece que Nilmar foi se acostumando a vestir a amarelinha e acabou desistindo da cor vermelha. Resolveu trajar definitivamente a cor dos canários. Se mudou para o clube Villareal da Espanha que, curiosamente, tem o apelido de "Submarino Amarelo".

O tempo foi passando, Dunga foi chamando mais e mais vezes o ex-guri da beira do Guaíba. Até que, em um só jogo, contra o Chile, Nilmaravilha decidiu marcar três vezes. Foi o fim (ou o início, dependendo do ponto de vista). Conforme Nilmar se adonava de uma vaga no time titular do Brasil, o Inter afundava no Campeonato Brasileiro. Olhava para Alecsandro, o novo dono da camisa 9, como uma criança perdida em busca da mãe. Aquele não era o centroavante que o torcedor queria. Aonde ele estava? Pois eu respondo: estava com a Seleção, estufando redes de paraguaios, de ingleses e, por fim, hoje, de omanitas.

E agora, quando o Inter praticamente esmola por uma vaga na Libertadores do ano que vem, olha para a camisa nove e não enxerga um goleador nato. Mas quando liga o rádio, escuta notícias do seu artilheiro perdido no Oriente Médio, salvando, mais uma vez, o Brasil de um fiasco contra a Seleção de Omã. Não resta outra alternativa senão sentir de novo a mescla de felicidade com mau presságio. Afinal de contas, é o guri do Beira-Rio honrando as tradições.

Resta ao colorado olhar para o próprio umbigo. Não virão outros Nilmares, mas terão Marquinhos, Taison, Edu ou, quem sabe, algum outro jogador revelado até o ano que vem. Apenas fica a torcida para que ele não tome o mesmo rumo, mas que dê as mesmas alegrias de Nilmar. Pode ser mera ilusão, mas vale a pena sonhar.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Uma mãozinha dos amigos

Foto: Lucas Uebel (Vipcomm)


Uma mãozinha dos amigos - A Lupa no Gramado

Finalmente o Internacional aprendeu a utilizar a mãozinha dos "amigos". Nas últimas rodadas, o Palmeiras perdia, o Atlético perdia e apenas o próprio Inter se boicotava. Tropeçava dentro de casa, empatava com postulantes a rebaixamento e perdia para os adversários diretos na tabela de classificação. Mas ontem o Colorado deu uma respirada fora da água. Resolveu que vai brigar por alguma coisa. O problema é que pode ter sido tarde demais. Claro, tudo vai depender do próprio Inter.


Nesta última rodada, somente o São Paulo e o Flamengo se deram bem. De resto, tudo certo para a massa vermelha. O Atlético-MG foi ao Paraná e tombou diante do Coritiba, abrindo passagem pro Colorado. Ainda na quarta-feira, o Palmeiras despencou dentro de casa e por pouco não perdeu para o já rebaixado Sport Recife. Agora, a maior surpresa de todas veio neste sábado. O Grêmio - arquirrival histórico - decidiu agir a favor do Inter. De técnico novo e espírito revigorado, o Grêmio voltou a ser o velho Grêmio de sempre. Jogou melhor que o Cruzeiro, em pleno Mineirão, e por pouco não voltou para Porto Alegre com os três pontos. O problema é que Gilberto colocou o time mineiro na frente do placar, e Túlio e Fábio Santos acabaram sendo expulsos para desespero do torcedor gaúcho. Mas o Grêmio estava disposto a dar uma mãozinha ao Colorado e empatou a partida aos 46 do segundo tempo.


Assim, estancou o crescimento do Cruzeiro no Brasileirão e, de quebra, ajudou o Inter a retornar para o G-4. Claro, tudo isso porque o próprio Inter se ajudou - o que há tempos não vinha acontecendo! O time de Mário Sérgio se sobressaiu ao Santos e empolgou o torcedor colorado, que voltou a sonhar com a vaguinha na Libertadores. Agora resta para o clube da "beira do rio" se manter entre os quatro melhores, utilizando as suas próprias forças ou com uma ajudinha dos amigos.


E analisando a tabela dos jogos, podemos prever mais algumas mãozinhas. O Cruzeiro, por exemplo, vai à Arena da Baixada, enfrentar o Atlético-PR, de Paulo Baier e Cia. O São Paulo enfrenta no Engenhão o desesperado Botafogo, que já sente a sombra do Fluminense se aproximar. No Rio de Janeiro, os ex-colorados Fernandão e Iarley defenderão o Goiás em um duelo dificílimo contra o Flamengo. E, talvez a maior ajuda de todas, possa provir do Grêmio de novo, que recebe o Palmeiras dentro de casa. Então, podemos ter mais uma vez as equipes jogando a favor do Internacional na próxima rodada do campeonato. É claro, nada disso será válido se o Colorado não se ajudar. E a missão do expresso vermelho não será nada fácil. O time do técnico Mário Sérgio terá o Atlético-MG, de Celso Roth pela frente (provavelmente em um Mineirão lotado). Será a briga direta pela vaga no G-4. E se os colorados otimistas acreditam em mais uma vitória sobre Celso Roth, eu trago a novidade. Tite não está mais no Inter. Será que Mário Sérgio tem este mesmo retrospecto? É ver para crer.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Namoro às escondidas


Foto: Valdir Friolin (Jornal Zero Hora)


Este final de semana pode marcar um duelo de camaradas. Não daquele tipo de confronto combinado, onde as duas equipes empatam por tratado assinado. Não! Acontece que no sábado, o Grêmio vai à Belo Horizonte, enfrentar o Cruzeiro, enquanto no domingo o Inter recebe o Santos em Porto Alegre. À primeira vista, as partidas não oferecem nada de mais. É claro que não, pois ainda estamos com os pés fincados em 2009. Mas a dupla Gre-Nal já pensa à frente, planejando a temporada 2010. Por isso os jogos deste final de semana se fazem tão particulares.


No lado azul, Marcelo Rospide volta ao comando técnico do Grêmio. Promete não mexer muito na estrutura da equipe de Paulo Autuori - assim como fez quando assumiu o time de Celso Roth seis meses atrás. No entanto, mesmo que repita o ótimo retrospecto do início do ano (com cinco vitórias, um empate e uma derrota), Rospide não deve ser elevado à condição de "dono do time". Talvez a direção gremista ainda prossiga a sua procura pelo treinador com a cara de Grêmio. Talvez... Tanto que mergulha em seu passado para buscar o comandante para 2010. Quem não lembra do Capitão América? Dono da braçadeira em 1995, Adílson ergueu a taça da Libertadores para delírio do torcedor. Depois disso, ao pendurar as chuteiras, rumou para a vida de técnico de futebol. Chegou, inclusive, a treinar o próprio Grêmio em 2003 e 2004. Mas era principiante na função e passou quase desapercebido. Agora, com um vice da Libertadores com o Cruzeiro nas costas, Adílson Batista vira o principal alvo das propostas para se tornar o dono da casamata tricolor.


E este sábado se torna especial por isso. Cruzeiro e Grêmio se enfrentam. Adílson estará frente a frente com os possíveis futuros chefes, que, certamente, tentarão o seduzir. Aliás, neste ano, o sonho do tri da América gremista só caiu porque o Grêmio cruzou o caminho de Adílson nas semifinais. Será que 2010 não será o ano do pagamento da dívida de Adílson?


Do lado vermelho, o encontro especial ocorre no domingo. Vanderlei Luxemburgo desembarca no estádio Beira-Rio com o elenco santista já sem chances de título ou G-4. Porém, pode negociar o seu próprio futuro. O atual técnico colorado, Mário Sérgio, já declarou aos quatro cantos que não ficará para o ano que vem. Inclusive, logo após a demissão de Tite, o primeiro treinador procurado pela diretoria colorada foi Luxemburgo. Acabou não aceitando, preferiu permanecer no comando do Santos. Alguns dizem que ele só embarca em iate, nunca em barco furado e isso pode influenciar na vinda dele para o Internacional. Acontece que após a partida, seja qual for o resultado final, os dirigentes colorados vão puxar Vanderlei para um canto e apresentar a proposta. Assim como Adílson no Grêmio, Luxemburgo passou pelo Inter. Não recebeu o título de Capitão América. Aliás, no currículo consta apenas um título gaúcho. Vestiu o manto vermelho justamente em 1978, ano de vacas magras. Não foi como Mário Sérgio, que chegou no ano seguinte para se sagrar campeão brasileiro invicto.


Agora, além de não ter acrescentado nada à história colorada, Vanderlei, como treinador, jamais conquistou uma Libertadores da América. E qual o maior sonho do Inter senão conquistar o bi da América. Esse pode ser o prenúncio de um acerto. Ou, melhor ainda, este final de semana pode simbolizar o início de 2010 para a dupla Gre-Nal.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Guerra!



Guerra! - A Lupa no Gramado

Prestes a entrar no mês de dezembro, reta final do Campeonato Brasileiro e cinco equipes brigam pelo título nacional. Do lado de baixo da tabela, muita emoção também. O Sport Recife ainda ontem assinou o seu atestado de óbito. Ainda restam Náutico, Santo André, Fluminense, Botafogo e Coritiba, que persistem na briga contra a maré. Porém, no rodapé do território brasileiro, neutralidade total. O Grêmio não tem mais chances de nada. Daqui para frente apenas cumpre tabela e, ainda por cima, pode estragar a festa de alguns clubes. Já o Colorado, ladra, ladra e ladra. Mas faz um bom tempo que não morde. Aliás, infelizmente, as últimas manchetes da dupla Gre-Nal falam sobre os treinadores. No Grêmio, Autuori se foi e Rospide assume. No Inter, Mário Sérgio veste a boina de Che Guevara e inicia a revolução.

Para quem não sabe, Ernesto Guevara de la Serna (mais conhecido por Che Guevara), era argentino, natural de Rosário. Estudante de medicina, prestes a se formar, Guevara abandonou a faculdade aos 23 anos para viajar pela América Latina em sua motocicleta. Começou como um visitante curioso, conhecendo as belas paisagens da encosta andina e mergulhando fundo nas mazelas do continente. Começou assim e terminou como um revolucionário, vinculado a guerrilhas armadas na Guatemala e principalmente Cuba. Depois de tudo, acabaria assassinado por lutar contra tudo e contra todos, muitas vezes sem nem mesmo planejar, apenas agir por instinto.

Pois agora, passados 42 anos da execução de Che, Mário Sérgio tenta rumar pelo mesmo caminho da Revolução Cubano. Ele que, carioca de nascença, abandonou as praias do Rio de Janeiro para vivenciar os costumes gaúchos no final dos anos 70 e início dos 80. E justamente aqui, construiu uma imagem vitotiosa de futebolista, tanto com a camisa do Inter quanto com a do Grêmio, conquistando o Brasil e o Mundo. Agora, cego pelo instinto, Mário quer vingança. Em entrevista coletiva concedida no Beira-Rio, ele parte em fúria contra a imprensa, disparando que a mídia tem o costume de surrar os treinadores. Mário quer vingar as críticas contra Muricy, Abel, Gallo e Tite - os seus antecessores. E para ele, se os jornalistas não estão contentes com o futebol apresentado pelo Colorado é "guerra"!

O grande problema em tudo isso é que Mário Sérgio não consegue calar a crítica com ações. Prefere vociferar. Fecha treinos, se cala diante de perguntas e clama a revolução. Esquece que se o Inter simplesmente jogasse bola, nada disso seria preciso. Poderia nem estar mais na briga pelo título, simplesmente classificar-se entre os quatro que vão a Libertadores, que a torcida já estaria grata. Mas com as imprópéries, Mário briga com a imprensa, se afasta do torcedor e fica longe do seu próprio sonho: repetir os planos de Che Guevara e unificar a América Latina. Afinal de contas, com o andar da carruagem, Mário Sérgio não estará no cargo em 2010 para grafar seu nome como um dos Libertadores da América.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Amor platônico

Foto: Fernando Gomes (Jornal Zero Hora)

Amor Platônico - A Lupa no Gramado

Cinco meses e 24 dias (quase um semestre). Este foi o tempo que durou o trabalho de Paulo Autuori no comando do Grêmio. Foi quase um amor de verão, de adolescente, daqueles que se começa em dezembro, antes do Natal, e se acaba antes mesmo do retorno às aulas. Para outros, uma paixonite. Com validade pré-estabelecida. Paulo Autuori não foi contratado como um Mário Sérgio, não era um simples tampão. Foi trazido a Porto Alegre para tomar conta das categorias de base gremista, para promover a utilizaçã dos garotos, dar palpites sobre contratações, dispensas, enfim. Até mesmo o local da pré-temporada gremista partiu das vontades do treinador. Chegou por causa de um currículo extenso. Era a menina dos olhos da direção gremista. Inclusive, o desembarque dele foi festejado com aleluias. Alguns chegaram a pensar que finalmente o Grêmio perdia o "DNA do fracasso". Para resumir, nem bem tinha terminado o namoro com Celso Roth, já pedia a mão de Autuori em casamento. Estava completamente apaixonado.


Pois foram só as primeiras derrotas e eliminações começarem a aparecer para que a torcida desconfiasse do jeito Autuori de ser. "Ele não tem a cara do Grêmio!", acusaram alguns. Nem por isso a direção o mandou embora. Bancou Paulo e a comissão técnica. Tudo pelo bem do projeto. Em 2010 tudo seria diferente! O treinador teria jogadores de renome nas mãos, conheceria os garotos da base como ninguém e poderia, enfim, dar os títulos que a torcida queria. Quem sabe 2011 não seria o ano do bi-Mundial?


E agora, com todas as vontades realizadas, flores e bombons mandados, Paulo Autuori fez a desfeita. O antigo dono o chamou de volta. No Catar, ele receberá quase o triplo do que ganha no estádio Olímpico. Ele pensa na família, pensa nos filhos, pensa em tudo. Mas esquece da torcida que esperou pacientemente a sua chegada, demorada tal qual uma gestação. Deixou o Grêmio a "catar" coquinhos. Mas antes de sair pela porta da frente, não seria espanto se o comandante encontrasse na mochila uma carta de amor e despedida, de uma direção que já sente saudades antes mesmo dele partir. Na carta, estaria escrito a letra de uma velha canção de Roberto Carlos:


"Você foi dos amores que eu tive, o mais complicado e o mais simples pra mim. Você foi o melhor dos meus erros, a mais estranha história que alguém já escreveu e é por essas e outras que a minha saudade faz lembrar de tudo outra vez".


E quando Paulo Autuori estiver no avião, rumo ao Oriente Médio, vai ler a carta e lacrimejar por ter abandonado tanto amor gratuito. Ou vai ver, Autuori percebeu que nem tem a cara do Grêmio mesmo e que tudo não passou de um amoreco de verão. E assim ele parte para outros braços que, sabe-se lá, possam aceitar a sua própria cara. Enquanto isso, o Tricolor passa o tempo com Marcelo Rospide - o eterno pierrot do estádio Olímpico. Ele que já foi um hobby antes da chegada de Autuori, já espera uma nova chance de reconquistar sua direção. E quando estiver bem próximo de ser amado, o Grêmio encontrará outro amor platônico. E Rospide voltará a ser apenas mais um passatempo na história gremista.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Você não vale nada, mas eu gosto de você

Foto: José Doval (Assessoria Grêmio F.B.P.A)


Você não vale nada, mas eu gosto de você - A Lupa no Gramado
Durante o programa Show de Bola de ontem, discutimos algo muito interessante: quem são os goleadores da dupla Gre-Nal em 2009? E aí, entramos em contato com um quadro crítico - pelo menos em meu ver. No Internacional, existem dois artilheiros empatados. Tanto Taison quanto Alecsandro tem os mesmos 26 gols cada. No Grêmio, Jonas aparece isolado, com 24 tentos marcarados em todo o ano. Agora, tirando por base apenas o Brasileirão, poderemos nos atentar apenas em Alecsandro e Jonas, que ostentam 15 e 14 gols respectivamente. Acima deles, apenas Diego Tardelli e Adriano Imperador com 18. Porém, os atacantes de Atlético-MG e Flamengo são unanimidades em suas torcidas. Enfim, carregam praticamente nas costas toda a responsabilidade de manter as suas equipes em briga pelo título. Mas o que falar de Alecsandro e Jonas, que são meros refugos no Rio Grande do Sul?

Aliás, Jonas é a prova viva de que não se pode agradar a gregos e troianos ao mesmo tempo. Esculachado por um jornal espanhol no início deste ano, chegou a ser classficiado como o pior atacante do mundo ao errar três gols em apenas um lance, em plena Libertadores da América. No entanto, nunca deixou de receber propostas do AEK Atenas, que adoraria ter os seus gols a favor da comunidade grega. E mesmo que o torcedor tricolor não seja um amante do futebol de Jonas, ama os seus gols. E, principalmente, o modo como ele os faz. Não interessa se eram de fio de canela, de boca de estômago ou de orelha. Todos ajudaram o Grêmio a galgar algo a mais no campeonato. Tanto que, ao se lesionar diante do Corinthians, Jonas deixou o Imortal órfão de goleador. Perea, Herrera, Douglas Costa, Máxi López e Roberson não fizeram nem a metade do que Jonas fez este ano todo.

Do lado vermelho, a imposição é praticamente igual. O único porém é que Alecsandro resolveu jejuar de uma hora para outra. Ainda nos tempos de Nilmar, colocar Alecsandro em campo era praticamente assistir a um golzinho do centroavante. Ele, que entrava sempre com a 19 às costas, descontava o marcador para os colorados. Vide a finalíssima da Copa do Brasil, quando o atleta entrou no segundo tempo e empatou um jogo que estava 2 a 0 para o adversário. O problema maior é que quando Nilmar se foi, Alecsandro parou de fazer gols. Ele simplesmente não sabe ser titular. A graça do jogo era colocar uma pulga atrás da orelha do treinador. Por isso se especula tanto que o São Paulo esteja interessado nele. Porque lá ele vai ter de desbancar Dagoberto e Washintgon. E isto motiva Alecsandro.

Mas, analise a situação: os artilheiros da dupla Gre-Nal não são bem quistos por suas torcidas. São uns Macunaímas - uns heróis às avessas. Devemos idolatrá-los ou vendê-los?

Talvez se jogassem juntos, Alecsandro e Jonas formassem a dupla de ataque mais bem sucedida da história gaúcha. Poderiam bater inclusive aquele outro ataque de refugos: Paulo Nunes e Jardel. Aliás, para quem não lembra, Nunes veio do Flamengo e Jardel do Vasco. Ambos vieram excomungados do Rio de Janeiro, e se tornaram heróis com a camisa tricolor. Será que o errado não somos nós? Bom, o Novo Hamburgo pensa mais ou menos assim, tanto que contratou uma dupla de atacantes extraditados de Porto Alegre a pontapés. Em 2010, para a disputa do Gauchão, o Nóia terá Rodrigo Mendes, ex-Grêmio, e Michel, ex-Inter. Será que eles estão certos? Bom, só Gauchão 2010 poderá nos responder.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Já foi!


Foto: Gaspar Nóbrega (Vipcomm)

Já Foi! - A Lupa no Gramado

O ano de 2009 nasceu para ser vermelho. O Inter patrolava adversários no Gauchão. Tite escalava os reservas e, sem dificuldades, goleava adversários. Para melhorar o estima, os colorados enfrentaram o arquirrival Grêmio por três vezes e, nas três, saiu vitorioso. Enfim, venceu o Gauchão com folga e era tido como o melhor elenco do país. Alguns já diziam que nem se fazia necessária a disputa do Brasileirão. Bastava entregar o troféu para o clube do Beira-Rio e estava tudo feito. Era o ano do Centenário perfeito. Até que a carruagem começou a virar abóbora. Derrota na final da Copa do Brasil, fiasco na Recopa, eliminação na Sul-Americana e tropeços no Brasileirão. O Inter mudou de esquema tático, treinador e jogadores. Nada melhorou o clima.

Mesmo assim, com toda esta insistência do Inter em não ser líder, o Campeonato se insinuava para o clube gaúcho. Mas o Colorado se fez de difícil. Dizia que estava a fim de trocar afagos, mas na hora "H" sempre fugia da raia. O Brasileirão se mostrou por diversas vezes interessado em pedir a mão do Inter em casamento, porém, o Inter, preferiu não assumir responsabilidade. Os dias foram passando, o calendário foi andando, e o amor esfriou. Foi então que o Inter se arrependeu. Como toda paixão platônica, decidiu que iria se arriscar. Tarde demais. O Brasileirão já se insinuava para outros. Vários concorrentes. São Paulo, Palmeiras, Atlético-MG, Flamengo, Cruzeiro... o Inter não ficou nem em segundo plano. E aí, ontem, quando o pacto pelas cinco vitórias havia iniciado, o Barueri percebeu que o Brasileirão não estava nem aí pro Inter. Ajudou a assinar a papelada do divórcio. Agora os colorados choram, desesperados de arrependimento. Mas já foi. Tarde demais!

Nem que o Inter vença os quatro últimos jogos ganha o título nacional. Até mesmo a classificação para a Libertadores da América já ficou difícil. Mas analisando friamente, até 2010 aparece obscuro pro Internacional. O que será do ano que vem? Quem fica e quem vai? Quem será o técnico? Resta ao Inter fazer como faz o Grêmio: pensar na pré-temporada, contratar jogadores, dispensar outros, enfim, planejar bem o ano que vem. Quem sabe 2010 não será melhor? Porque este ano já foi.