domingo, 28 de fevereiro de 2010

Quanto pior, melhor

Foto: Divulgação (Gremio.net)

Vitória de 1 a 0 e taça no armário. Esse é o lado positivo da tarde do domingo para os gremistas. Pois, acima de tudo, dá fim a um jejum de títulos que durava quase três anos. No entanto, basta analisar a última conquista do clube para ver o quanto a equipe deste ano deixa a desejar. Foi em 2007, quando Tcheco ergueu o caneco do Gauchão após uma goleada de 4 a 1 sobre o Juventude. Pois nesta Taça Fernando Carvalho, que nada mais é do que o primeiro turno do Campeonato Estadual, o título veio de forma suada e sofrida, diante do Novo Hamburgo. Podemos, claro, considerar a força do próprio adversário, que se reforçou de tal maneira chegando ao cúmulo de receber o apelido de "Galáticos do Vale". Mas, mesmo assim, foi muito pouco para o que se espera do Grêmio.

Aliás, o próprio gol da vitória explica o momento do time de Silas. Ferdinando (foto), autor do petardo que deu o título ao Tricolor, era surrado pelas críticas há duas semanas. Não havia um único torcedor que apoiasse a permanência dele na equipe titular. Todos paparicavam o centroavante Borges, o meio-campista Douglas e até mesmo o dublê de lateral-direito Mário Fernandes. Pois quando mais se precisou de um herói, todos passaram em branco. Nem Jonas, o Macunaíma do estádio Olímpico, conseguiu balançar as redes do Noia. Coube ao volante Ferdinando assumir o papel de salvador, e à torcida pedir perdão pelas vaias.

Porém, mesmo que seja o campeão do primeiro turno, o Grêmio agiu exatamente como Ferdinando. É burocrático, limitado e vaiado constantemente. Nem por isso deixa de ser eficiente na hora H. Para levar o troféu para a casa, o Tricolor não precisava amassar e trucidar o adversário. Era preciso apenas uma vitória simples para chegar ao lugar mais alto do pódio. E, desta maneira, o Grêmio cumpriu a sua meta.

Porém, o domingo acabou. A chance de quebrar o jejum sem títulos foi aproveitada - pelo menos em parte. A partir desta segunda os gremistas já devem começar a planejar o futuro. Até porque, mesmo que o Gauchão seja um objetivo, ainda existe a Copa do Brasil pela frente. E se depender da apresentação deste domingo, o torcedor pode ficar preocupado. Ou torcer para que a sorte esteja lado a lado novamente.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Tente outra vez

Foto: Gremio.net

Quando o goleiro Victor chegou ao Grêmio, no início de 2008, foi visto com desconfiança. Aliás, toda aquela equipe era vista desta maneira. Com a saída do técnico Mano Menezes, que foi para o Corinthians, o torcedor azul ficou todo desconfiado. Para o seu lugar, foi contratado Vágner Mancini, que trazia no currículo o título da Copa do Brasil, de 2005, com o Paulista, de Jundiaí. E exatamente deste clube do interior paulista, Mancini apontou dois reforços para o Tricolor Porto-Alegrense. O zagueiro Réver e o goleiro Victor. Dias depois, o treinador seria demitido. Ficariam suas indicações.

Victor e Réver viveram o período de vacas magras no estádio Olímpico. E, mesmo assim, conseguiram colocar o Grêmio em patamares inimagináveis no início da temporada. Naquele mesmo ano, pelo Brasileirão, chegaram às últimas rodadas liderando a tabela de classificação. No final das contas, perderiam o título para o São Paulo, mas ficou a idolatria da torcida. No ano seguinte, classificados para a Libertadores da América, arrastaram o Tricolor até as semifinais da competição, quando cairam diante do Cruzeiro. Alguns, mais antigos - como Tcheco, por exemplo -, foram rotulados por fracassados, sem títulos. Victor e Réver sairam ilesos. O goleiro chegou a ir à Seleção, fazendo parte do grupo campeão da Copa das Confederações. Desde Danrlei, o torcedor gremista não idolatra um arqueiro. E, veja, isso está no sangue da massa azul. Desde os primórdios, a torcida exalta arqueiros. Tanto é que apenas o Grêmio tem um hino que cita um ex-jogador de futebol. Justamente um goleiro, chamado Eurico Lara.

Porém, Victor, apesar do reconhecimento, nunca ganhou nada no Grêmio. Foi só ele pisar no Olímpico para que as taças parassem de repousar nos armários do clube. A culpa é dele? Claro que não! Foi mera coincidência, puro azar. Tanto é que o rótulo de perdedor jamais atingiu o arqueiro. Pois neste domingo, Victor poderá se redimir com o torcedor gremista. Quando adentrar o campo, para enfrentar o Novo Hamburgo, pela final do primeiro turno, o arqueiro terá a chance de conquistar sua primeira medalha de ouro como atleta tricolor. E, melhor ainda, será dele a responsabilidade de erguer a Taça Fernando Carvalho. Sim, pois dos antigos ídolos, todos foram embora. Tcheco, Réver e até mesmo Souza não vestirão a camisa azul, preta e branca tão cedo. Apenas o goleiro está lá, agora como capitão. Um imortal entre os reles mortais.

Portanto, neste domingo, se Chicão não repetir o chutaço que deu contra o Inter, se Rodrigo Mendes não quiser vingar sua excomunhão do Olímpico, e se Gustavo e Michel não decidirem mostrar seus coloradismos, finalmente, o Grêmio poderá ser campeão de novo. E pelas mãos de Victor ainda por cima.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Agradeça ao Grêmio!

Foto: Alexandre Lops (Assessoria Internacional)

Danilo Silva foi embora do Inter. Justamente ele, que passou 2009 inteiro ouvindo xingamentos enquanto subia pela lateral-direita, está de saída. Analisando desta maneira, a torcida colorada deveria estar soltando foguetes. Porém, 2010 iniciou de uma maneira especial para Danilo. Desde que foi confirmado por Jorge Fossati como o substituto de Fabiano Eller, o jogador passou a ser respeitado. Isso porque está, finalmente, atuando na sua posição de origem, como zagueiro. E assim, o torcedor lamentará a ausência do defensor. Mesmo que Eller retorne de lesão amanhã, o Colorado está com um guerreiro a menos.

Mal havia terminado a partida contra o Emelec, pela estreia da Libertadores nesta terça, a notícia estourou nos corredores do Beira-Rio. Os ucranianos do Dínamo de Kiev estavam dispostos a pagar € 4 milhões. Veja bem, trazendo os valores para o Brasil, são quase R$ 9 milhões por um jogador reserva! Já bastaria para que o clube liberasse Danilo Silva. Mas, as contusões de Índio e Fabiano Eller deixaram o Inter em alerta, temeroso em vender o atleta. Quem seria o titular? O jovem Juan? Bom, pode até ser. Mas não deixa de ser um sinal de alerta. Porém, para permanecer com Danilo, o Colorado teria de abrir os cofres, teria de adquirir 50% do passe do zagueiro - ou € 2 milhões. Pergunta cretina: você desembolsaria ou prefere receber os milhões nos seus bolsos?

Porém, a curiosidade maior é o porquê da saída de Danilo Silva. Caso você não recorde, há uma semana atrás, desembarcava no estádio Olímpico o zagueiro Rodrigo. Pois, para rememorar ainda mais, o clube de origem do novo defensor gremista foi o Dínamo de Kiev. Ou seja, justamente a equipe que buscou Danilo Silva no Inter. Por isso, a situação não nos deixa outra alternativa senão pensar que o Grêmio tirou o zagueiro do Inter. Indiretamente, mas tirou. Os ucranianos, reféns de um desfalque em sua defesa, vieram ao Brasil buscar uma compensação. E encontraram no rival do Grêmio o alvo da compra. Pior para o Inter.

Agora, já que envolvemos o Tricolor na história, a venda de Danilo Silva deixa escancarada uma situação: o Grêmio não sabe vender seus jogadores! No início do ano, o jovem Douglas Costa, meio-campista das Seleções de Base, foi vendido ao Shakhtar Donetsk, também da Ucrânia, por 6 milhões de euros. Pasme! Um meia de 19 anos, com muito a oferecer ao mundo do futebol, custou "apenas" dois milhões a mais que um zagueiro reserva. E, na comparação direta, Réver, titular indiscutível da zaga gremista por três anos consecutivos, foi para a Alemanha por 5 milhões. Não sei se o Inter é bom de lábia ou o Grêmio um péssimo vendedor.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Noite de espectador

Foto: Globoesporte.com

Mal ou bem, seja com críticas ou elogios, a dupla Gre-Nal vem fazendo o seu papel. Tanto Grêmio quanto o Inter estão cumprindo com aquilo que se propuseram ainda no início de suas temporadas. O Colorado, visivelmente, está totalmente focado na Libertadores. Enquanto o Grêmio projeta recuperar a estima dentro do Estado e, quem sabe, beliscar a Copa do Brasil. Pois nesta quarta-feira, geralmente um dia de futebol, voltará a ser o "dia do sofá" para os clubes de Porto Alegre. Digo isso porque se obrigarão a sentar na frente da TV e ao lado do rádio, para acompanhar os adversários de amanhã.

O Internacional, ainda ontem, suou a camisa para bater o Emelec. Alguns esperavam goleada, outros queriam simplesmente vencer. E assim, o Colorado quebrou o próprio tabu de jamais ter vencido em estreias de Libertadores da América. É claro que o 2 a 1 sobre os equatorianos deixaram muitas lições - inclusive algumas percepções sobre titularidades -, mas os três pontos foram fundamentais. E, se tratando do torneio continental, sabemos, nem sempre o futebol dar show é sinônimo de alcançar os mais altos degraus. Portanto, passado o susto, e tendo Alecsandro (foto) salvado a pele vermelha mais uma vez, o time colorado pode descansar nesta quarta. Descansar fisicamente, pelo menos. Porque os neurônios seguirão funcionando, principalmente no período da noite. Ao passo que já atuou, cabe ao Sport Club Internacional avaliar as demais estreias. E, nesta quarta, teremos Corinthians e Racing. Ronaldo, Roberto Carlos, Tcheco e Iarley estarão fazendo a primeira partida com a camisa corintiana na competição. Geralmente, pouco se tira de equipes nos jogos iniciais, mas não custa dar uma espiada nas armas de Mano Menezes. Além disso, o São Paulo também estará estreando, só que agora fora de casa. Depois de passar pelo Monterey no Morumbi, os tricolores vão à Colômbia enfrentar o Once Caldas. Então, vale à pena acompanhar.

Já o Grêmio, que ganhou uma grande folga no calendário com a vitória de 3 a 1 sobre o Araguaia, terá a noite inteira para dissecar a rodada da Copa do Brasil. Santos, Fluminense e tantos outros clubes estarão em campo. Oportunidade de ouro para medir a potencialidade destas equipes concorrentes ao título nacional. Além do mais, também se enfrentam Votoraty e Treze, da Paraíba, decidindo qual deles será o próximo adversário dos gaúchos no certame. Pode ser uma lição de casa do técnico Silas. Tudo isso enquanto os gremistas aguardam pelo domingo, para enfim soltar o grito de campeão da garganta. Aliás, ontem, os reservas, mais os últimos contratados, enfrentaram o Porto Alegre em um jogo-treino no estádio Olímpico. Pouco deu para avaliar, devido à fragilidade do adversário. Melhor é sentar no sofá e estudar as possíveis pedras no caminho.

Por isso, você, gremista ou colorado, já sabe que tem um dever nesta noite. Bom estudo!

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Reescrevendo a história das estreias

Até hoje o Internacional disputou sete Libertadores da América. Nesta terça-feira, inicia o caminho da oitava participação. Porém, quando entrar no estádio Beira-Rio, para enfrentar o Emelec, o Colorado tentará reescrever a sua história na competição. Nem mesmo a edição de 2006, quando o clube chegou a sua única conquista, serve de exemplo. Não para as pretensões do Inter nesta noite. Não para quem quer estrear com vitória. Claro, pois o Inter jamais venceu em estreias pela Libertadores.

E a história vermelha neste certame começou a ser escrita ainda lá em 1976, quando o Inter de Manga e Figueroa vinha do seu primeiro título nacional, se tornando a primeira equipe gaúcha a disputar o torneio continental. Logo de cara, Inter e Cruzeiro se encontravam, reeditando a decisão do Brasileirão do ano anterior. Em Belo Horizonte, um jogo emocionante decretou a vitória mineira de 5 a 4. O Cruzeiro seria o campeão daquele ano. Em 1977, novamente como campeão brasileiro, o Colorado retornou ao certame sul-americano. Na estreia, o enfrentamento contra o Corinthians, também derrotado pelos gaúchos na final do Brasileirão. Em São Paulo, as duas equipes ficaram empatadas em 1 a 1. O Colorado chegaria até as semifinais do torneio, sendo eliminado pelo Cruzeiro novamente. O grande campeão foi o Boca Juniors, da Argentina. O Inter voltaria a disputar uma Libertadores em 1980, após conquistar o campeonato nacional sobre o Vasco. E foi o time carioca o adversário da estreia. Porém, jogando no Maracanã, o time de Falcão e Cia. não saiu do zero no placar. A equipe colorada chegaria à final daquele ano, sendo derrotada pelo Nacional, do Uruguai.

Em 1989, o Inter retornaria ao cenário continental. Vice-campeão brasileiro, o Colorado reencontrou seu algoz no primeiro jogo. Atuando dentro de casa, o time gaúcho foi derrotado por 2 a 1 pelo Bahia. Comandado por Abel Braga, chegaria às semifinais, caindo de forma dramática diante do Olímpia, do Paraguai - posteriormente campeão. Em 1993, realizou a pior campanha da sua história. Campeão da Copa do Brasil, o Inter estreou dentro de casa novamente, e não saiu de um empate em 0 a 0 com o Flamengo. Terminaria a primeira fase com apenas três pontos, sem nenhuma vitória e em último lugar no grupo. Mas, o retorno à Taça Libertadores foi em grande estilo. Em 2006, novamente com Abel Braga no comando, o Colorado foi o grande campeão. Mas antes de escrever seu nome entre os gigantes da América, o Colorado empacou na estreia contra o fraco Maracaibo, na Venezuela, em 1 a 1 (foto). Finalmente, em 2007, o Inter participou pela última vez da competição. E, com pompas de campeão mundial, Fernandão, Pato e Clemer não passaram da primeira fase. Na estreia, derrota de virada para o Nacional, do Uruguai, por 3 a 1.

Agora, o Inter está de volta e quer vingar suas últimas atuações. Contra o Emelec, nesta noite, os vermelhos buscarão sua primeira vitória em estreias. É primordial largar com três pontos conquistados - ainda mais considerando que a estreia será dentro de casa, diante do seu torcedor. Mas, claro, ninguém ficará magoado se a vitória não vier, desde que se repita o feito de 2006.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Paranoia ambulante

Foto: Jefferson Bottega (ClicRBS)

A zebra está solta. O Novo Hamburgo, mais conhecido pela alcunha de Noia, está na final do primeiro turno do Gauchão. Ou seja, Fernando Carvalho, vice-presidente de futebol do Internacional, terá de entregar a taça, que carrega o seu nome, a outro clube. Grêmio ou Novo Hamburgo levarão para casa as medalhas no próximo domingo. Mas o que fica depois disso tudo? Quais as percepções que a dupla Gre-Nal tira da vitória do Noia sobre o Inter? Sim, pois o Tricolor também entra nessa, está totalmente envolvido com a situação.

Logo após a partida, conversei com alguns gremistas. Uns comemoraram a derrota do Colorado. Isso quer dizer que a finalíssima será disputada no estádio Olímpico e, principalmente, o Inter não entrará em campo. Isso é motivo de festa para alguns frente aos fatos de ultimamente. Já outros torcedores que escutei, lamentaram a ausência do Internacional no próximo domingo. Claro, pois há aqueles que estão sedentos por vingar as derrotas em Grenais. Mas está aí, o Novo Hamburgo será o adversário, com Rodrigo Mendes e companhia.

Já no lado vermelho, as percepções estão à frente. Pensam já na partida contra o Emelec, da terça, que marcará a estreia na Libertadores. Como estará o emocional do Inter? Os colorados ficarão com medo de ir ao Beira-Rio? A confiança no título da América cai por terra? Estas perguntas ficarão imersas até o jogo contra os equatorianos. Mas a verdade, mais forte de todas, é que pior do que perder para o Novo Hamburgo com os reservas, é perder para o Grêmio, eterno rival, com os titulares, em uma final de campeonato. Então, pode se levar em conta tudo isso. A tabela de jogos, o calendário, nada disso é tão importante quanto a eliminação em si. Agora, o Inter estará com a cabeça apenas no enfrentamento contra o Emelec. E assim, poderá se desligar um pouco do tão falado clássico Gre-Nal. Óbvio, terá de assistir a finalíssima do primeiro turno de longe, correndo o risco de ver o arquirrival erguer a taça com o nome de seu vice-presidente. Mas isso são outros 500... Até porque, a paranoia muda de cabeça. Depois de eliminar o Inter, o Novo Hamburgo - o Noia - ficará frente a frente com o Grêmio.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Mais um pra rescisão

Foto: Divulgação Ponte Preta

Chegou o lateral do Grêmio. Edílson (à esquerda na foto), trazido da Ponte Preta, que passou também pelo VEC, é o escolhido para vestir a camisa tricolor. Mas, mesmo assim, nada me convence de que Mário Fernandes não seguirá com o número 2 nas costas. Ainda no final de 2009, já iniciavam as projeções sobre uma zaga composta por Réver e Mário neste ano. O primeiro foi até embora e o garoto não consegue atuar na sua função de origem. Mas, como iniciamos dizendo, chegou um lateral ao Grêmio. Porém, isso não quer dizer que ele chegou para ser o titular.

Aliás, no atual elenco gremista, já existe um lateral. Joílson está lá. É bem verdade que ele não agradou e foi vaiado diversas vezes pela torcida. Mas é exatamente a isso que me refiro. Do que adianta trazer um lateral que não vem para tirar a improvisação de campo? Do que adianta gastar dinheiro em contratações que não serão utilizadas? Não quero dizer que Edílson não tem condições de estar entre os onze melhores, mas convenhamos, são poucos os que levam fé. Mesmo que o lateral tenha desembarcado no estádio Olímpico, tudo me leva a crer que Mário, Ferdinando e até mesmo Henrique seguirão sendo utilizados ora como alas, ora como laterais. E mesmo que me digam que Mário, por exemplo, tem condições de exercer esta função, eu lhe respondo: imagine como ele não será atuando na sua própria função! Se ele já quebra o galho como lateral, corta o zagueiro adversário e estufa as redes como um ponteiro à moda antiga, pense nas habilidades que o Grêmio perde não usando Mário como xerifão de área. E olha que a situação lá atrás segue sofrível.

Mas o Grêmio só repete os erros do seu co-irmão. Em 2008, o Inter iniciou o ano com Wellington Monteiro, um volante, na lateral-direita. Foram contratados Bustos, Ricardo Lopes e Ângelo. E o Inter seguia com uma improvisação na ala. Tudo isso porque dos três originais, quem mais agradava ainda era o volante. Depois, no final do ano, Bolívar assumiu a lateral-direita, enquanto Marcão a esquerda. Ou seja, dois zagueiros. Era melhor do que escalar os outros que tinha à disposição. Entrou 2009 ainda com Bolívar na direita. O jogador, antes apelidado de "General" quando atuava na zaga, era vaiado constantemente pelo torcedor. E o Inter tentou Danilo Silva, um outro zagueiro. Mas nunca, nunca na vida eles seriam ídolos jogando naquela posição que não era a deles. Hoje, com Nei e Bruno Silva como laterais, Bolívar e Danilo Silva jogam tranquilamente na zaga.

É isso que acontece com o Grêmio. Enquanto não contratar um jogador com condições de chegar e vestir a camisa titular, as improvisações não cessarão. Nem adianta gastar o dinheiro! Tomara que Edílson me queime a língua. Mas, sinceramente, não levo fé.