domingo, 25 de abril de 2010

Grêmio nas alturas

Foto: Daniel Marenco (Clicesportes)

O Gre-Nal foi decidido através da objetividade - eu diria até da obviedade. O Grêmio traçou o caminho certo, foi rumo à vitória e conquistou uma grande vantagem (quase irreversível). Enquanto isso, o Inter se perdeu no meio do discurso. Apostou em um futebol refinado, de toques curtos e muito superficial. Aliás, tem sido assim sempre. O que ele não percebeu é que clássico regional nem sempre se ganha na beleza. Muitas vezes o balão para o lado e a bola aerea são as maneiras mais rápidas de se chegar à meta adversária. Ainda mais em um campo encharcado como o de hoje. Pois o Tricolor percebeu, e desta maneira superou o rival em pleno estádio Beira-Rio.

Mesmo que o Inter tenha sido inferior no segundo tempo, dá para se perceber que as oportunidades de gols azuis são todas provenientes de cruzamentos. A bola parada é quase uma especialidade histórica do Grêmio. Rodrigo (foto) e Borges comprovaram ao anotarem os seus. Já o Inter, perdido entre escorregões e dribles desnecessários, via o arco de Victor cada vez mais distante. Sem conseguir se sobrepor a defesa, Walter arriscava chutes de longa distância. E só! Este foi o Colorado nesta tarde de domingo. Faltou raça, faltou pegada, faltou encarar o jogo como decisão. Talvez, pensassem todos eles que, a qualquer momento, a bola bateria na nuca de Edu e sobraria para Alecsandro. Mas nem isso. O ataque vermelho foi mais uma vez nulo - como em grande parte desta temporada.

Agora, resta ao Grêmio encomendar as champanhes. Com uma vitória fora de casa por 2 a 0, o saldo qualificado praticamente entrega o troféu aos comandados de Silas. Para que isso não ocorra, os de Fossati teriam de repetir a dose, levando para as penalidades, ou aplicar uma goleada nos rivais - o que, convenhamos, é muito difícil depois de tudo que vimos neste domingo. Na próxima semana, teremos um simples cumprimento de protocolo. O Grêmio, merecidamente, subindo ao reino dos Céus, e o Internacional descendo ao Inferno (como anunciava uma das faixas da torcida no Beira-Rio).

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Quando o extracampo pisa na grama

Foto: Divulgação Gremio.net

No início da semana, a manchete era o acidente do zagueiro Índio, do Internacional, com um copo de vidro. Depois, chegou a informação de que o atacante Leandro, do Grêmio, estaria presente na festa onde ocorreu o fato. E, pior ainda, seria dele o apartamento. É uma surpresa e tanto para uma terra onde azuis e vermelhos, geralmente, se encaram como inimigos. Ainda mais considerando o fato de que neste domingo teremos um clássico Gre-Nal. Mas, como nem um, nem o outro, conseguem viver este clima pré-jogo sem alfinetadas, apareceu o assessor de futebol do Grêmio, Alberto Guerra, com a seguinte frase: "Não é o Leandro que ficará 30 dias fora, não foi ele que teve de operar a mão", como que ausentando o atleta gremista de culpa.

Porém, os deuses do futebol são maravilhosos - e talvez por isso o referido esporte bretão seja tão admirado. Quis o destino que o lateral-esquerdo Fábio Santos, fosse vítima também de um acidente doméstico. Enquanto tomava banho com a filha, a porta do box se quebrou e os cacos atingiram o pé do jogador gremista. Um deles atingiu os tendões, o impossibilitando de entrar em campo neste final de semana, diante do Inter. Aliás, pelos próximos trinta dias o Grêmio ficará sem o seu lateral canhoto titular. Vale lembrar que ele já vinha ocupando a vaga que era de Lúcio, após este ter passado por uma cirurgia no joelho.

Naturalmente, a camisa seis cairia nas costas do jovem Bruno Collaço. Ele, que chegou a atuar por boa parte do ano passado, sob o comando de Paulo Autuori, não sentiria o peso da camisa imortal tricolor. Contudo, o técnico Silas prefere o improviso. Deixou o atleta de fora da lista dos relacionados para o clássico e fica na dúvida entre Joílson (que é lateral-direito) ou Neuton (zagueiro de origem). E agora, quem poderá nos defender?

Mas casos como este, demonstram para o torcedor, dirigentes e jogadores que, realmente, não sabemos o dia de amanhã. Em uma noite podemos estar sentados na sala da casa de um amigo quando, puf!, caímos com a mão sobre um copo. No outro, podemos estar tomando um banho quente e revigorante quando, sem perceber, estamos imersos em uma poça de sangue. Cena digna de filme do Hitchcock, ela também pode fazer parte dos gramados de futebol. Quem diz que não?

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Décimo segundo jogador é a mãe!

Foto: Alexandre Lops (Divulgação)

Andrezinho já havia dito que não gostava de ser apontado como o 12º jogador do elenco colorado. Mesmo assim, alguns fechavam os olhos para a possibilidade do meia ganhar uma vaga entre os titulares. Os mais críticos chegaram a afirmar que André era jogador de segundo tempo - uma alcunha que ficou conhecida através de Denílson, na Seleção Brasileira. Porém, nesta quinta, na vitória mais convincente do Inter na temporada (3 a 0 sobre o Deportivo Quito), o atleta confirmou que é, mais do que nunca, um dos onze melhores. Senão o melhor!

O golaço dele, logo com quatro minutos de partida, além de abrir o caminho para as oitavas-de-final da Libertadores da América, confirmou o acerto do técnico Jorge Fossati em mantê-lo na equipe. Andrezinho proporcionou ao Inter tudo aquilo que não era conseguido antes: fez a ligação da defesa com o ataque, auxiliou na marcação e arrematou de fora da área. Uma atuação exuberante e que conduziu o time para a melhor apresentação do ano. É verdade que a má fase que Giuliano enfrentava também contribuiu para que André fosse transformado em titular. Mas veja bem, hoje Giuliano chegou a marcar um gol também (belíssimo, fechando a goleada sobre os equatorianos), e nem assim ofuscou a imponente atuação do camisa 17.

Passado o sufoco, que venha o Banfield, da Argentina! Podia ser Cruzeiro ou Alianza Lima. Mas não, será o Banfield! Antes dele ainda, o Grêmio - pelo primeiro jogo da final do Gauchão. Mas agora o torcedor vermelho não tem medo de nada. Os tempos de vaca magra se foram. Com um esquema tático definido e meio-campo encontrado, só faltam duas coisas: o ataque resolver marcar gols. O Gre-Nal pode ser mais uma chance para Alecsandro e Walter.

Uma Rochebomba para desarmar

Foto: Flávio Neves (Clicesportes)

Como seria bom encerrar a noite com o petardo de Fábio Rochemback na memória. Um verdadeiro golaço, no ângulo do goleiro Zé Carlos, que eliminou o Avaí e carimbou a passagem do Grêmio para a próxima fase da Copa do Brasil. No entanto, as coisas não estão tão boas quanto se quer. Diante de uma equipe modestíssima, o Tricolor demonstrou toda sua fragilidade defensiva, preocupando o torcedor. A prova está no placar: 3 a 2 para os catarinenses. Bastou para continuar vivo na competição, mas para ligar o dispositivo de uma bomba que pode explodir a qualquer momento no estádio Olímpico. Será que o Silas consegue desarmá-la?

Nem toda a hostilidade que recebeu o treinador deve preocupar tanto quanto os problemas demonstrados dentro de campo pela equipe gremista. Tudo bem que o clima era bélico e que a vantagem era grande (relaxante, ainda por cima), mas o time deu sorte pro azar. Esteve duas vezes atrás do placar, fazendo o torcedor suar as axilas. E, somente aos 32 minutos do segundo tempo, conseguiu espantar o fantasma com uma "Rochebomba" do meio da rua. Aliás, finalmente a arma de Rochemback apareceu! Mas é pouco. Muito pouco para quem deseja conquistar a Copa do Brasil. Atlético-MG, Santos e até mesmo o Fluminense (possivelmtente o próximo adversário) prometem aterrorizar os sonhos da massa azul. E o Gre-Nal do final de semana? Será que a defesa vai dar mole na decisão do Estadual também?

Há quem queira ver apenas o lado bom das coisas. Jonas marcou mais uma vez, Victor foi estupendo como de costume e o time está nas quartas-de-final da Copa do Brasil. Ok, tudo bem. Até se pode chegar longe levando em consideração todos estes fatores. Agora, um sistema defensivo falho, um meio-campo sem pegada e laterais nulos, são como nitroglicerina. Pior do que uma Ressacada inteira te chamando de "traíra". Acredite!

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Superatletas

Foto: Edison Vara (Divulgação SESI)

A Lupa no Gramado quebra as regras nesta quarta-feira. Neste 21 de abril, feriado nacional, abrimos parênteses no assunto "dupla Gre-Nal", para abordar os Jogos Nacionais do Sesi. Evento que teve sua abertura oficial no dia de hoje e que reúne mais de dois mil atletas em Bento Gonçalves. Pessoas que não ganham salário para competir, e sim para trabalhar normalmente pelas empresas do país. E, desta maneira, se doam ao máximo para conquistar uma medalha, um troféu e nada mais. Não buscam idolatria, fama ou prêmio em dinheiro. Fazem tudo por simples hobby, por diversão - como deveria ser. Sendo assim, têm muito a ensinar a alguns jogadores da velha dupla. Por esse e tantos outros motivos, visitei Bento Gonçalves.

Para quem não sabe, estou morando em Porto Alegre há alguns dias. E, confesso, não esperava voltar à cidade serrana tão cedo. Foi uma boa escolha! No lugar onde o vôlei faliu e onde o futebol profissional ruiu, outros esportes ganharam vez, deleitando-se de toda a estrutura que o município oferece.

Independente dos resultados obtidos, dos vencedores e seus respectivos Estados, todos saem vitoriosos. Parabéns a este evento, que como anunciado, se repetirá de maneira anual a partir de agora. E ficam neste blog os votos pelo sucesso da organização. Parabéns, um grande exemplo a ser seguido!


Obs.: Para acompanhar os Jogos, você pode visitar o site http://releases.fsb.com.br/SESI/ e http://www.flickr.com/photos/jogosdosesi2010 .

terça-feira, 20 de abril de 2010

Dois estranhos no ninho

Foto: Gremio.net

Nesta quarta-feira, Silas estará de volta na Ressacada. O treinador, tratado com certa desconfiança pela torcida do Grêmio, reencontrará seu antigo ninho - o palácio onde reinou por dois anos. Na curta carreira de técnico de futebol, foi lá que Silas obteve suas maiores conquistas. Levou o Avaí à primeira divisão brasileira e, no ano seguinte, surpreendeu o país com um elenco limitado. Virou ídolo em Florianópolis. Mas, pelo que parece, a imagem se ruiu. Quis o destino que ele cruzasse o caminho avaiano mais uma vez, agora como inimigo. E o desfecho desta história se dará nesta quarta.

Pelo que se percebe, não será estendido um tapete vermelho para o retorno de Silas. Ainda no último treino gremista, em território catarinense, antes do jogo, o comandante teve seu nome gritado por um torcedor do Avaí. Mas não com vibração, e sim aliado à impropérios e xingamentos. Por isso, Silas terá os holofotes do estádio voltados para sua cabeça no início da partida. Será o grande protagonista avaiano na Copa do Brasil, podendo assumir o papel de vilão na história do clube.

Enquanto isso, do lado gremista, as atenções deverão estar voltadas para outro ator: o volante Ferdinando. Isso porque na última partida disputada pelas duas equipes na Ressacada, foi ele o autor do gol em uma vitória magra por 1 a 0. Contudo, o meia defendia as cores do Avaí, ou seja, responsável pela derrota tricolor em Santa Catarina. E, para piorar sua dívida com a massa azul, Ferdinando deve boas atuações, sendo constante alvo de vaias. Aliás, no primeiro confronto contra o próprio Avaí, pela Copa do Brasil, na semana passada, o atleta foi substituído ainda no intervalo. Portanto, um possível desastre do Grêmio pode ter o nome de Ferdinando fortemente vinculado.

Ou, quem sabe, ele não se recupere? Será a chance de ouro para, assim como Silas, provar que o coração bate azul, preto e branco a partir de agora. Quem sabe ele não possa repetir a grande bomba de fora da área, que matou o Grêmio no ano passado e que deu o título da Taça Fernando Carvalho, contra o Novo Hamburgo? São as duas grandes ações do jogador em sua curta carreira, e que, se acontecer novamente nesta quarta, não magoarão o torcedor gremista. Muito pelo contrário.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Jogando bem, que mal tem?

Foto: Emílio Pedroso (Clicesportes)

A notícia de que o zagueiro Índio, do Inter, teria dado entrada no Pronto Socorro do Hospital Cristo Redentor, em Porto Alegre, alvoroçou os sensacionalistas de plantão. Famoso pelos boatos de que estaria constantemente presente em festas durante a madrugada, o defensor foi alvo fácil mais uma vez. Já houve quem dissesse que os cortes no pulso do atleta foram ocasionados por uma briga em boate. Outros, mais maldosos, levantaram a hipótese de tentativa de suicídio. E, assim, a novela vai ganhando proporções imensas.

O grande porém, e que sempre defendo com unhas e dentes, é que ninguém tem nada a ver com as festas que fazem os jogadores de futebol. Se é que fazem, pois às vezes tudo não passa de fofocalhada. É preciso saber medir uma coisa: um boleiro é pago pelo seu clube para jogar. O papel está sendo cumprido dentro de campo? Bom, então nos calemos e que fique por isso mesmo. Se ele bebe ou deixa de beber, o problema é dele e da família, exclusivamente. Podemos ter um centroavante que encha a cara de conhaque na noite de sábado e a rede adversária de gols na tarde de domingo. Ninguém irá se opor. Garrincha, Adriano e Romário cansaram de nos provar que a vida particular nada tem a ver com os 90 minutos de uma partida de bolapé.

No entanto, Índio deixou de ser aquele velho guerreiro de antigamente. Talvez pela idade já avançada, ou pelas lesões mesmo, as atuações não encantam a torcida. E, quando isso ocorre, a primeira alternativa que vem à cabeça do torcedor é o álcool, seguido da "noite", mulherada e afins. Caberá ao Indião corresponder dentro das quatro linhas a partir do seu retorno e, então, calar as críticas. Só assim.