terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Entre Carajás e Tapajós

O lateral Pará, do Santos, realizou exames médicos em Porto Alegre. Depois de estar nos planos do Internacional, é com o Grêmio que ele deve assinar contrato. Não é a única curiosidade na vida deste jogador. Marcos Rogério Ricci Lopes, tem 26 anos e, obviamente, recebeu este apelido por ter nascido naquele Estado, mais precisamente na cidade de São João do Araguaia. Porém, se o plebiscito de dezembro de 2011 tivesse sido positivo, o Pará seria dividido em Carajás e Tapajós. E, assim, o futuro lateral do Tricolor não seria paraense, mas “carajaense”. Seria um nítido caso de dupla personalidade.

Bipolaridade maior, talvez, só de Mário Fernandes. E é justamente por aí que se explica a contratação de Pará pelo Grêmio. Sim, porque não há motivo maior para se trazer um novo lateral-direito ao Olímpico tendo lá Gabriel e Edílson, além do próprio Mário. Será que o guri, depois de se recuperar da cirurgia no ombro, será utilizado como zagueiro por Vanderlei Luxemburgo? Pode ser. Assim, Pará chega para suprir a “perda” de um camisa 2.

Entretanto, a passagem de Mário para a defesa, mais uma vez, evidencia um novo fato: o Grêmio não deve contratar um zagueiro. Esqueça, portanto, de Guillermo Burdisso, Lugano, Alex Silva e tantos outros nomes especulados. As dificuldades do mercado, ao que parece, impuseram o aproveitamento de Fernandes na zaga – assim como aconteceu com Gilberto Silva na última semana. Uma pena. Enquanto Pará, por sorte, pode respirar aliviado por ter a certeza de ser paraense, Mário está perdido entre Carajás e Tapajós – ou melhor, entre a lateral e a zaga.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Já já te respondo

Com a folga de treinos no Estádio Olímpico, tirei a tarde para visitar o Estádio Beira-Rio. Não que lá estivesse muito diferente, pois com a dupla Gre-Nal de fora da final do primeiro turno, o clima é de calmaria em Porto Alegre. Mas enfim, tentei fugir ao máximo de assuntos como "Andrade Gutierrez", "sol e praia" e "volta às aulas".

Pois, assistindo ao treino do Inter, bastaram alguns segundos para que o primeiro repórter me perguntasse:
- Visse o Jajá jogar antes?
Não sabia se recebia como ironia ou levava a sério. Mas não costumo brincar em serviço:
- Vi só um treino, mas não olhei muito para ele -, respondi.
- Presta a atenção. Um baita jogador! Todo treino ele faz um golaço -, disse-me uma outra voz. Respondi com um sorriso. Logo em seguida, o técnico Dorival Júnior atirou a bola para cima, Jajá dominou a bola, bateu do meio-campo e acertou as redes. Eram os segundos iniciais do rachão no campo suplementar.

E aí, levo a sério? Não tem como esquecer do velho Adão, aquele centroavante que desembarcou no Grêmio com pompas de artilheiro, no primeiro treino fez cinco gols, virou o craque da imprensa e depois...Bom, o resto todo mundo sabe. E Jajá, será um Adão? Assim como respondi ao repórter no Beira-Rio, te responderei: com um largo sorriso. Só o tempo dirá se ele é Taison ou Messi.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Gauchão do Interior, como nos velhos tempos

Há tempos a dupla Gre-Nal dita as regras no Campeonato Gaúcho. Vão se revezando nos títulos, fazendo dos clubes do Interior meros coadjuvantes. Este fato fez com que alguns chegassem a cogitar o fim do Estadual. Sempre fui contra, relutei. Sou bairrista mesmo, confesso. Pois agora, vendo dois times de fora de Porto Alegre classificados para a final da Taça Piratini, de algum modo, comemoro. Isso é um tapa na cara da Capital!

Gremistas e colorados, não me levem a mal, mas meu desejo é para o bem de vocês mesmo. O Gauchão ganhará um ânimo novo a partir de agora. Aliás, é questão de justiça ver Caxias e Novo Hamburgo na decisão – as duas equipes de melhor campanha até então. Para se ter uma ideia, teremos alguém, além de Inter e Grêmio, na finalíssima, em abril. Isso não acontecia desde 2005, com o competente 15 de Novembro de Campo Bom. E vencer, alguém lembra a última vez que um interiorano venceu o certame? Este mesmo Caxias, em 2000. É muito tempo!

Pois neste ano, atrevo-me a dizer que teremos um Gauchão como nos velhos tempos. Até 1960, o campeonato era disputado pelas regiões do Estado (Fronteira, Serra, Metropolitana, etc.). Então, quando se decretava o campeão do Interior, este se capacitava para encarar o melhor da Capital – título decidido à parte -, em um sistema de melhor de dois jogos. Assim, vimos o Guarany de Bagé, por exemplo, ser bicampeão. Além disso, Brasil de Pelotas, Pelotas, Bagé, Rio Grande, Grêmio Santanense, e tantos outros, quando não ganhavam, pelo menos faziam a final. Será bem gratificante fazer de conta que estou vendo o Gauchão de outros tempos, como meu vô pode assistir, certa vez.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Prove o vinho antes de torcer pelo Grêmio

Com o Inter fora do caminho, o Grêmio não terá dificuldades para ser campeão da Taça Piratini, certo? Hum, calma! Neste domingo, o Caxias não promete facilidades. Nem somente porque o time grená vem mostrando um bom futebol no campeonato, mas porque, nos últimos anos, se transformou em uma pedra no sapato tricolor.

Como esquecer do ano de 2000, quando Tite foi ao Olímpico e parou a equipe de Ronaldinho Gaúcho e Cia.? Tudo isso depois de ter vencido no Centenário, com grande atuação de Gil Baiano. Sete anos depois, após vencer por 3 a 0 dentro de casa, o Caxias fez o Grêmio de Mano Menezes suar sangue em Porto Alegre para passar à final do Gauchão. Por fim, em 2009, Celso Roth subiu a Serra com um time misto e acabou sucumbindo por 4 a 0. O resultado deixou o time em 4º no grupo, forçando um cruzamento com o Inter. Posteriormente, viria uma derrota no clássico, que custou o emprego do treinador e a eliminção precoce no certame. Vida difícil!

Por isso, torcedor, antes de cantar “vou torcer pro Grêmio bebendo vinho”, tome cuidado! Mas, como uma boa sucursal da Roma Antiga (com seu Marco Antônio, Julio Cesar, Gladiador e Arena), o Grêmio pode se vacinar do tropeço a tempo. Antes de ser seduzido pelo vinho da Serra, entregue para um empregado provar. Se ele tombar, é melhor abrir o olho, pode estar envenenado!

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Luxemburgo: caricatura ou projeto?

Como combinado, Vanderlei Luxemburgo foi apresentado na manhã desta quinta-feira como o novo treinador do Grêmio. Quase 50 repórteres acompanharam a cerimônia, em que o técnico foi presenteado com a camisa de número 23. Pois, bastaram alguns minutos para que o comandante pronunciasse a palavra que rotula todos os seus trabalhos: “projeto”. Algo surreal de se imaginar uns 15 anos atrás.

Com a linguagem de um digno carioca, Luxa virou motivo de sarro na mídia do centro do país de tanto que repete “pofexô” e “pojeto” em suas entrevistas. A escassez de títulos de expressão nos últimos anos, inclusive, acentuou a caricatura que se faz do profissional. Afinal, ele é quem agora? Será que segue sendo o competente treinador que levantou cinco títulos brasileiros e uma Copa do Brasil?

Vanderlei é da mesma linhagem de outros técnicos de futebol vindos do Rio de Janeiro. Como antigo jogador, sabe ter a ginga de boleiro que Renato Portaluppi possui. No entanto, beira o personagem irônico, tal qual Joel Santana (principalmente quando se arrisca a falar outra língua). Isso tudo sem deixar de aprofundar-se nas teorias táticas e filosofias como Paulo Autuori. E então, qual destes ele é? O certo é que tem dois jogos para levantar o primeiro troféu no estádio Olímpico, a Taça Piratini. Homem de sorte este Luxa, seja ele quem for!

Quando a obviedade é nula


Quem não disse que o Internacional era o favorito para o Gre-Nal desta quarta-feira? Não há mal nenhum em ter dito. Eu falei! Mas isso também não quer dizer que todos já davam o Grêmio como eliminado. O jogo precisa ser jogado. Mas, é inegável que, com um Tricolor em crise, com o treinador demitido, desfalcado de alguns jogadores, na casa do rival, que ainda por cima vive um melhor momento técnico, era um desenho perfeito para decretar o time colorado na semifinal da Taça Piratini. Enfim, a obviedade é nula no futebol, e não ululante como decretava o mestre Nelson Rodrigues. E é por isso este é o melhor esporte de todos, sem dúvidas.

Agora, se os colorados entraram em campo com um certo salto alto, não sei. Talvez tenha sido o inverso. A vontade dos gremistas em dar a volta por cima foi o grande motivador. Não havia melhor momento para isso. Pior para Vanderlei Luxemburgo, que já terá de estrear na pressão do Estádio Centenário, contra um Caxias surpreendente, sem conhecer bem o seu elenco. Já a aula de “gremismo” dada por Roger, técnico interino neste Gre-Nal, deixou suas lições. Será que Paulo Odone fez certo em trazer um medalhão para comandar o time? Qualquer resposta dada agora será baseada na obviedade, e eu me nego a pecar duas vezes num mesmo dia pelo mesmo motivo.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

De volta para o futuro juntos

O Grêmio encontrou seu treinador para encerrar o jejum de títulos. Vanderlei Luxemburgo era o nome preferido da direção desde o início, antes mesmo de Caio Júnior. Agora, ambos estão juntos – depois de longos anos como inimigos. A rivalidade, iniciada ainda na época do Palmeiras/Parmalat, fez com que o técnico chegasse a dizer que abominava o futebol “grosso” praticado e ‘endeusado’ pelos gaúchos de Felipão. Também teve seu episódio no Santos, pela Libertadores de 2007, e, por fim, foi coadjuvante na guerra contra Ronaldinho, no ano passado, contra o Flamengo. Agora tudo é passado!

Aliás, o grande problema é esse: o passado. Luxa está parado lá. Assim como o Grêmio, parou de conquistar grandes títulos nesta década. A última conquista foi o campeonato nacional de 2004, com o Santos. Pouco para quem se transformou no Mister Brasileirão, depois de vencer os certames de 1993, 94, 98 e 2003, chegar à Seleção Brasileira e Real Madrid.

Agora uma situação é verdade: Vanderlei nunca deixou de colocar taças nos armários dos clubes. Desde que fez do Bragantino o campeão paulista de 1990, também conquistou Estaduais por Palmeiras, Corinthians, Santos, Flamengo e Atlético-MG. Sim, até mesmo na Cidade do Galo, Luxemburgo conseguiu erguer o troféu regional. Mas, convenhamos, Gauchão é muito pouco para as pretensões gremistas. Então, nada melhor do que “pofexô” e clube darem as mãos para voltarem aos grandes títulos.