segunda-feira, 30 de julho de 2012

Tira-teima de 2010

Coritiba no almoço, Coritiba no jantar. Esse é o sentimento do torcedor gremista que terá de enfrentar nesta terça-feira o mesmo adversário do último sábado. A derrota de 2 a 1 do final de semana, no entanto, foi válida pelo Brasileirão. Agora o assunto é Sul-Americana. E o pior é que esta não é a primeira vez que isso acontece na vida tricolor.

Em 2010, Renato Portaluppi estreava como treinador do Grêmio em um duelo diante do Goiás, pela fase inicial da competição continental. Naquela oportunidade, porém, era o jogo de volta. Depois de ter empatado em 1 a 1 no Serra Dourada, o Grêmio acabou sendo surpreendido dentro de casa: 2 a 0. Em determinado momento, aterrorizado com o que via em campo, Renato chegou a virar para o banco de reservas e disparou: “O que fizeram com o meu Grêmio?”. Pois apenas três dias depois enfrentou o mesmo adversário, desta vez pelo Brasileiro, e o resultado foi o inverso: 2 a 0 para o Tricolor (gols de Willian Magrão). Era o início da arrancada que livraria o clube gaúcho do rebaixamento, rumo à classificação para a Libertadores 2011 – curiosamente, após o mesmo Goiás perder a final da Sul-Americana para o Independiente (ARG).

Por isso, a velha frase faz sentido: quem ri por último, ri melhor. Que fique a lição do Goiás. Até porque os gremistas não têm boas lembranças da Copa Sul-Americana. Até hoje foram 8 atuações, com apenas uma vitória e nenhuma classificação para a próxima fase. A expectativa é de que este ano a história se faça diferente, com o Grêmio desperdiçando o almoço, mas garantindo o jantar.

Era para ser um negócio da China

Dia 25 de janeiro. A torcida do Internacional lotou o Beira-Rio para assistir à pré-Libertadores, contra o Once Caldas, e implorar para que D’Alessandro permanecesse em Porto Alegre. Até mesmo a braçadeira de capitão da equipe foi parar no braço do argentino. Enfim, uma orquestra inteira para comover o camisa 10. Eis que a proposta do clube chinês, Shanghai Shenhua, foi negada. D’Ale ficou! Seis meses depois o torcedor colorado se pergunta: será que foi uma boa ter ficado com ele?

Era para ter sido um negócio da China. Ficar no Inter era a maior prova de respeito e reconhecimento que o meio-campista podia ter dado. Porém, de lá para cá, foram apagadas aparições em campo e seis lesões musculares – a última neste final de semana, no empate em 0 a 0 com o Vasco. Em análise de Cristiano Oliveira, plantão esportivo da Rádio GRENAL (AM 780 / FM 101.9), D’Alessandro atuou em 45% das partidas do Inter neste ano. Com o craque em campo, foram 12 vitórias, 3 empates e 5 derrotas. A melhor de todas atuações talvez tenha sido contra o Caxias, na final do Gauchão, quando entrou no segundo tempo e agravou uma lesão na coxa.

Na época em que o negócio com os chineses era dado como iminente, manifestei aqui mesmo neste blog a opinião de que para todos não seria uma má ideia sua saída do Brasil. Não quero dizer com isso que D’Ale é um mau jogador. Foi fundamental às conquistas da Libertadores, Sul-Americana e Gauchões. Foi a referência técnica dos colorados. Foi! Hoje o Inter consegue respirar sem este argentino. Até porque, já tem Dátolo, Forlán – outros candidatos a ídolo. Mesmo que D’Alessandro não tenha deixado o Beira-Rio, seu corpo parece tê-lo abandonado rumo à China. Psicossomática: a psicologia explica.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

A camisa 7 que os vascaínos não esquecem

Por todo o Brasil, a camisa do craque é sempre a 10. No Rio Grande do Sul, a mais representativa é a 7. No Grêmio, por exemplo, é a de Renato. No Internacional, já foi de Tesourinha, Valdomiro, Fabiano, Tinga, entre outros. Pois neste sábado um outro jogador estreará com este número: Diego Forlán. A expectativa dos colorados é enorme, mas os atletas do Vasco não prometem nenhuma marcação especial em cima do uruguaio, escolhido melhor da Copa do Mundo 2010.

Acontece que, bem antes de Forlán pisar no Beira-Rio, a camisa 7 já fazia história diante do Vasco da Gama. Em 1979, ano da última conquista de Brasileiro, os cariocas viram, aterrorizados, Chico Spina ‘implodir’ o Maracanã. Até então reserva de Valdomiro, Chico ganhou a vaga no time quando o titular ficou impedido de entrar em campo, na primeira partida da final, no Rio de Janeiro. Resultado: 2 a 0 para os gaúchos, com dois gols do atacante que deixou o banco. Depois, em Porto Alegre, foi só erguer o troféu.

Por isso, contra o Vasco, neste final de semana, ao invés de chamar Valdomiro para entregar a camisa a Forlán, por que não convocar Chico Spina? Claro que tudo isso não passa de uma brincadeira, até porque, como disse o comandante Fernandão, não é dia para festa: “Eu não estou vendo como um evento. O oba-oba, o confete, tudo que envolve festa, fica para o torcedor. Enquanto ele estiver em campo, vai se doar.”

Luxa mira Telê Santana

Há quatro jogos o Grêmio só vence no Campeonato Brasileiro. Se somar mais três pontos diante do Coritiba, neste sábado, iguala o feito de 2008 – quando enfileirou cinco vitórias. Aliás, naquela ocasião a série de sucessos consecutivos teve início justamente no Estádio Couto Pereira, palco desta 13ª rodada.

Era 31 de julho de 2008, o time comandado por Celso Roth venceu por 1 a 0 – gol de cabeça de Marcel, após escanteio cobrado por Tcheco. Depois dali, o Tricolor bateu ainda Vitória, Ipatinga, Atlético-MG e São Paulo, em uma campanha que encerraria com o vice-campeonato. Enfim, atuar em Curitiba é complicado. A última vez que voltou de lá com vitória foi justamente há quatro anos. No ano passado, os donos da casa levaram a melhor, com placar de 2 a 0.

Entretanto, se o Grêmio alcançar uma nova vitória em território paranaense, estará muito perto de alcançar uma meta histórica. Diante do Bahia, em casa, Vanderlei Luxemburgo poderá somar sua sexta vitória consecutiva – feito do time de Telê Santana, em 1978. Será que Luxa conseguirá alcançar Telê? Por enquanto ainda tem de superar Celso Roth.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Menos chilique, mais futebol

Não há de que reclamar! As duas maiores estrelas da dupla Gre-Nal estão completamente erradas em cobrar da imprensa, dos árbitros ou de quem quer que seja. Kleber e D’Alessandro devem reclamar menos e jogar mais – literalmente. As lesões e, principalmente, as suspensões fizeram com que os jogadores atuassem em menos partidas que seus companheiros.

Nesta quarta-feira, Kleber anotou o gol da vitória gremista sobre o Fluminense, é verdade. Uma senhora vitória! Agora, não há explicação para a expulsão infantil que o camisa 30 arranjou para si. Com um jogo ganho, Gladiador resolveu empurrar a bola, fazer cera e recebeu seu segundo cartão amarelo. Resultado: não estará em campo contra o Coritiba, no sábado. Justamente ele, que voltava de suspensão depois de ter recebido o terceiro cartão amarelo contra o Sport Recife. Está lembrando aquele velho Kleber do Cruzeiro, que jogava uma partida e ficava duas ou três suspenso.

E D’Alessandro, que contra o Figueirense resolveu não peitar mais o juiz, na saída do campo foi indagado pelo repórter César Fabris, da Rádio GRENAL (AM 780 / FM 101.9): “Recebeu pancadas, mas está mais calmo hoje?”. Então o argentino explodiu: “Eu sempre estou calmo. Expulsão acontece com todo mundo! Às vezes parece que parte da imprensa quer desestabilizar.” Não, D’Alessandro. Desculpe-me. A torcida do Inter quer te ver em campo, com a bola no pé. E se for apanhar do adversário, que seja quieto. Pelo menos, são os outros que receberão o cartão vermelho, e não você. Somente por aquela peitada no árbitro, contra o Atlético-MG, se denunciado, D’Ale pode pegar até 180 dias de suspensão. Então, menos chilique e mais futebol, por favor!

terça-feira, 24 de julho de 2012

Pensa que é 10, mas não é

Autor de dois gols nas duas últimas partidas do Internacional, Fred sonha em jogar com a 10 às costas. Era com este número que ele atuava nos juniores, que foram campeões gaúchos há um mês. Na ocasião, concedeu entrevista à Rádio GRENAL (AM 780 / FM 101.9) e disse: “Prefiro jogar como armador”. No mesmo instante decretei que, para se dar bem entre os profissionais, o menino devia rever seus conceitos. Porém, na vitória sobre o Atlético-Go, manteve a frase em uma coletiva de imprensa. Preocupante.

Fred pensa que é 10, mas não é. A prova é o jogo do último domingo, quando iniciou naquela função e pouco produziu. Depois, sendo recuado para a terceira função do meio-campo, virou o motor do time, anotando inclusive um gol bonito, partindo de trás. Tanto é que, para o duelo com o Figueirense, nesta quarta-feira, será escalado como o substituto de Guiñazu – que está suspenso.

Vida ingrata mesmo é a de Otávio, que vinha figurando na equipe, entrando na etapa complementar e ganhando destaque. Porém, com uma fissura na perna esquerda, deve ficar duas semanas parado. Quando voltar, certamente terá a concorrência de Forlán, além de Dagoberto e Marcos Aurélio que já estavam. Mas Fred tem mil e uma razões para seguir atuando no meio. A 10, pode esquecer, é de D’Alessandro. Mas quem sabe a 16, de Oscar – que está indo para o Chelsea -, não repousa no corpo do menino?

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Os gringos de Fernandão

Foto: Tiago Medina (Correio do Povo)

Nesta segunda-feira, fiz questão de ir ao Parque Gigante acompanhar o primeiro treino de Forlán ao lado dos companheiros. É nítido que o uruguaio ainda não tem o ritmo necessário, portanto ainda está fora da próxima rodada do Brasileiro, contra o Figueirense. Sendo assim, no dia de Forlán, quem brilhou com a bola foi D’Alessandro, que anotou um gol simplesmente magnífico, aplicando a ‘la boba’ entre as pernas do marcador, para finalizar de três dedos para o fundo das redes. Entretanto, a torcida só tinha olhos para um jogador – que não era nenhum dos dois.

Lá, do alto da Avenida Beira-Rio, dezenas de torcedores se aglomeravam para vislumbrar a atividade e entoar cânticos. O atleta mais saudado, curiosamente, foi Mario Bolatti. O argentino teve o nome gritado e a cada dividida era comemorado como se marcasse um gol. Ao final do treinamento, quando deixava o local, teve o carro cercado pela ‘hinchada’ e ficou cerca de 15 minutos distribuindo autógrafos.

É por isso que o volante não quer deixar o Internacional! Em que outro lugar ele será ídolo e ganhará um salário bom sem ao menos fardar para entrar em campo? É inexplicável a paixão dos torcedores colorados, que ainda guardam na lembrança os gols marcados na sua chegada em 2011. Mas, convenhamos, Bolatti é o último estrangeiro na hierarquia vermelha. D’Ale, Forlán, Guiñazu e Dátolo têm mais bola para serem titulares. Por essas e outras deve ainda ser mantido entre os reservas. Com Dorival Júnior, as vaias aconteciam. E agora, com Fernandão, como será quando Bolatti permanecer na reserva?