quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Dorival Júnior versus Fernandão

O Internacional vive uma crise. Quem diria! Forçado a abandonar as salas de reunião para pegar no boné, Fernandão não conseguiu organizar a bagunça deixada por Dorival Júnior – se é que a bagunça era dele. E, mais espantador ainda, ambos se reencontrarão neste domingo no duelo do Colorado com o Flamengo. Mas eu pergunto: como seria o embate entre o Inter de Fernandão e o Inter de Dorival?

Com os mesmos 10 jogos pelo Brasileirão, as campanhas podem ser comparadas. Demitido na 10ª rodada, Dorival deixou a equipe na 8ª colocação, com 16 pontos (um a mais do que Fernandão conquistou no mesmo período). Além disso, o primeiro comandante viu seu time fazer 13 gols e sofreu 10; enquanto o segundo anotou 9 e levou 6. Duas campanhas muito parecidas: 53% de aproveitamento favorável ao antigo treinador e 50% para o atual. A diferença, no entanto, fica por conta dos jogadores utilizados.

Na equipe-base de Dorival, apareciam escalados no 4-2-3-1: Muriel; Nei, Índio, Bolívar e Fabrício; Elton, Guiñazu, Oscar, D'Alessandro (Dátolo) e Dagoberto; Leandro Damião. Já no de Fernandão: Muriel; Nei, Bolívar, Índio e Fabrício; Ygor, Guiñazu, Elton e Fred; Forlán e Jajá(*). E aí, qual time desses sairia vencedor?

*Foram considerados os jogadores de cada posição que atuaram mais vezes com cada treinador.

Grêmio do Brasileirão ou da Copa do Brasil?

O Grêmio vive uma grande fase no Campeonato Brasileiro – isso é inegável. Porém, o adversário deste sábado, apesar de estar na zona do rebaixamento, gera um sentimento de temor. Ou melhor, um sentimento de vingança. Afinal de contas, foi este Palmeiras quem encerrou com o sonho gremista de erguer um troféu no primeiro semestre de 2012. Mas dá para dizer que os paulistas encontrarão um time bem diferente daquele que foi eliminado na semifinal da Copa do Brasil. Algumas peças novas serão apresentadas a Felipão.

O goleiro não é mais Victor, mas Marcelo Grohe. Pará, que antes atuava na lateral esquerda, volta a sua posição de origem, abrindo os caminhos para Anderson Pico. Porém, a maior modificação de todas está no meio-campo: saem Léo Gago e Marco Antônio para as entradas de Zé Roberto e Elano. Pelo menos esta é a grande expectativa da comissão técnica, que Elano esteja no Pacaembu.

Contratado 20 dias após a queda tricolor na Copa do Brasil, o camisa 7 é o grande diferencial de Vanderlei Luxemburgo em relação à equipe da primeira parte do ano. Para se ter uma noção, desde que ele desembarcou em Porto Alegre, o Grêmio conquistou 25 pontos de 33 disputados (o que dá 75% de aproveitamento). Ou seja, se o Tricolor hoje briga pelo topo da tabela, muito graças a Elano. Mas e se ele não estiver em campo em São Paulo, o Palmeiras enfrentará qual Grêmio: o do Brasileiro ou da Copa do Brasil?

O Inter de hoje é o Grêmio de ontem

Contratar, demitir, remanejar salários. Esta é a função de um dirigente no futebol. Quando a bola não entra, o planejamento parece ter sido errado. Quando o gol acontece, o cartola é saudado. Assim vivem Internacional e Grêmio neste momento.

Os gols da vitória gremista de 2 a 0 sobre o Vasco da Gama saíram dos pés de Marcelo Moreno e Kleber – dois jogadores talhados e pensados desde 2011. Isso é planejamento! Não é à toa que o Tricolor alcança aos poucos o topo da tabela. Hoje, Vanderlei Luxemburgo tem em suas mãos um dos melhores planteis do Brasil. São, praticamente, dois ou três jogadores para cada posição do campo. A felicidade do Grêmio no Brasileirão não é momentânea, ela foi construída basicamente no meio do ano passado, quando Paulo Pelaipe foi contratado para pensar calmamente num elenco para a temporada seguinte. O resultado está aí.

Dá para dizer que o Inter de hoje é o Grêmio de ontem. Não é exagero diagnosticar que dificilmente o Colorado estará na Libertadores da América em 2013. A derrota de 1 a 0 para o Coritiba nesta quarta explica muita coisa. É claro que perder é do jogo, mas não da maneira que o Internacional vem perdendo. Será que não está na hora de atirar a toalha e pensar a temporada de maneira mais calma? Não adianta sair contratando a balaio jogadores como Forlán e Juan, sem ter a certeza de que o resultado será no mínimo razoável. É necessário repensar certos aspectos, entre eles: Kleber ainda tem condições de ser o lateral titular? A zaga continuará com Bolívar e Índio? Qual a comissão técnica do clube? É amigo colorado, o exemplo mora ao lado, e se chama Grêmio.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Volantes em Curitiba


Com a mais nova lesão de Dátolo, Fernandão se vê obrigado a escalar mais uma vez 3volantes: Ygor, Guiñazu e Elton. Depois de ter testado Kleber na meia-cancha e dispensar Jajá, o Internacional vive uma escassez de meio-campistas –somente Fred e Lucas Lima viajam à Curitiba. A situação faz com que o comandante colorado receba o rótulo de ‘retranqueiro’, mas vale lembrar a última visita ao Couto Pereira para chegar à conclusão que nem sempre jogar aberto é o mais indicado.

Em 2011, o então técnico Falcão optou pelo mesmo esquema tático, com um trio de volantes: Glaydson, Guiñazu e Tinga. Pois, coube exatamente ao primeiro anotar o único gol vermelho em território paranaense (um senhor golaço, diga-se de passagem). É verdade que o Coxa empatou o jogo logo em seguida, através de penalidade. Mesmo assim, Falcão saiu de lá comemorando o mísero ponto conquistado contra o vice-campeão da Copa do Brasil. Seu trio de ataque não funcionou. D’Alessandro, Zé Roberto ou Leandro Damião. Ninguém conseguiu fazer o que fez Glaydson! Será a vez de elogiar Elton?

Agora, se a crítica cabe a Fernandão, que seja direcionada apenas à dupla de zaga. Bolívar e Juan, os mesmos que estiveram no Gre-Nal, não são os mais indicados. Por que Índio não continua como titular? Aliás, no ano passado, a defesa era exatamente esta: Muriel; Nei, Bolívar, Juan e Kleber. A diferença é que naquela oportunidade o Juan citado era o menino, que foi vendido posteriormente à Internazionale de Milão. Melhorou ou não?

Fábio Koff com 7 anos de atraso


Nesta quarta-feira, o Grêmio recebe o Vasco no estádio Olímpico. Duelo importantíssimo para que o Tricolor consiga se afirmar de vez no G-3 do Brasileirão. Entretanto, um dos assuntos mais tratados nesta terça são as eleições presidenciais. Pensando nisso, o Movimento Grêmio Independente (MGI) lançou uma nota em seu site oficial pedindo para que o pleito aconteça após a última rodada do campeonato, e não nos meses de setembro e outubro. Bastante coerente!

Entretanto, ao mesmo tempo que tenta apaziguar a discussão, o MGI atira mais lenha nesta fogueira. No mesmo comunicado, o grupo político indica o nome de Raul Régis de Freitas Lima como seu candidato – mesmo que ele ainda não tenha aceitado. O atual presidente do Conselho Deliberativo seria o nome neutro na briga entre situação e oposição. Seria, se não fosse uma faixa que surgiu pelas ruas de Porto Alegre com os dizeres ‘#AntoniniPresidente’.

Em entrevista à RÁDIO GRENAL (AM 780/FM 101.9), o membro do Movimento Grêmio Novo, Evandro Janovick, se disse surpreso com a indicação de Eduardo Antonini, mas não torce o nariz. Para ele, é uma ótima nova opção, ao contrário do favorito Fábio Koff. Sobre ele, inclusive, Janovik disparou: “É um nome acima de constatação, mas a motivação dele é errada. Quem sabe 7 anos atrás seria melhor." Acho saudável esse debate entre novas e velhas lideranças, mas mais saudável ainda será se a discussão não adentrar o vestiário. O Vasco está de olho!

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Projetando o fim do ano

Na próxima quarta-feira, iniciamos o returno do Campeonato Brasileiro de 2012. O Gre-Nal, que encerrou a primeira etapa do certame, passou a imagem de que teremos até o final do ano um Grêmio brigando pelo título, enquanto o Internacional lutará para adentrar na zona da Libertadores da América. O panorama pode mudar de figura, é verdade. Diria até que qualquer projeção agora é uma certa leviandade. Mas, com o perdão do amigo, vou cometê-la. Fiz o seguinte: peguei jogo por jogo da 20ª rodada até a 38ª e coloquei os placares que mais apareceram de 2003 para cá (ano em que o campeonato passou a ser disputado por pontos corridos), considerando até mesmo o local das partidas. Assim, utilizando a média, projetei quantos pontos e com qual aproveitamento chegará a dupla Gre-Nal em dezembro. Vejamos...

Sendo assim, o Tricolor conquistaria mais 8 vitórias, 4 empates e 7 derrotas, alcançando os 65 pontos – o que daria um aproveitamento de 57%. Dentre os maus resultados que aparecem, fazendo com que a média de pontuação gremista caia, aparecem empates com Ponte Preta e Atlético-Go em pleno Olímpico. Do lado colorado, calculei: 9 vitórias, 5 empates e 5 derrotas, colocando o Inter com 63 pontos e 55,3% de aproveitamento. Seria um returno de altos e baixos, conquistando vitórias importantes como Botafogo, no Engenhão, e Atlético-MG, em casa. Entretanto, dentro do Beira-Rio, empataria com Sport Recife e perderia para o Fluminense.

Enfim, esta não é uma via de regra. Os tabus estão aí para serem quebrados. Afinal, quem diria que o Grêmio, com Luxemburgo no comando, venceria Cruzeiro, Botafogo e São Paulo fora de casa? E o Inter, alguém projetava empates xoxos com Náutico e Vasco em Porto Alegre? Pois é, certamente teremos novas surpresas no decorrer do Brasileiro. E, antes que me perguntem, deixo o recado: pela média, o último Gre-Nal do Olímpico, na última rodada, terminaria empatado.

domingo, 26 de agosto de 2012

Vitória da experiência


Foto: Lucas Uebel

E deu Grêmio no Gre-Nal 393! Mesmo jogando em casa e precisando da vitória para se aproximar do G-4 do Brasileirão, o Internacional sucumbiu por 1 a 0 – gol anotado pelo camisa 7 Elano, aos 7 minutos de partida. Do lado gremista fica a festa em pleno Beira-Rio. Do lado colorado, lamentações e, mais do que isso, reclamações por conta da arbitragem, que não assinalou penalidade quando a bola tocou o braço de um atleta tricolor dentro da área no primeiro tempo. “A pressão que a diretoria do Grêmio exerceu, por meio do diretor Paulo Pelaipe, funcionou”, declarou Luciano Davi, vice de futebol do Inter.

Na Rádio GRENAL (AM 780 / FM 101.9), Pelaipe teve a chance de rebater: "As críticas do Luciano Davi são recebidas por mim como elogio. Ele sabe que eu sou um profissional competente." E o dirigente gremista tem méritos mesmo! O time comandado por Vanderlei Luxemburgo foi formado justamente por Pelaipe. Parabéns! Aliás, dá para dizer que esta foi a vitória dos mais experientes. De Pelaipe em cima de Davi, de Luxemburgo em cima de Fernandão, de Gilberto Silva em cima de Damião.

E, com todo o respeito, culpar o árbitro pela derrota vermelha é muita injustiça. Leandro Vuaden pode ter errado, mas Forlán errou muito mais que ele ao ficar na cara de Marcelo Grohe e não converter em gol. E o que dizer do técnico colorado que não escalou nem um trio de zagueiros ou de volantes como se especulou, mas um trio de laterais (com Kleber no meio-campo)? No estádio Beira-Rio cheguei a ouvir de um torcedor completamente ensandecido que a culpa pela derrota era da imprensa gaúcha, que condicionou a arbitragem a favor do Grêmio. Bom, se dirigente e torcedores continuarem enxergando erros em terceiros, sem ver méritos no rival ou defeitos em si mesmos, continuarão a cair na tabela de classificação.