segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Eu vi


Foto: Lucas Uebel

Que me desculpem os que discordam, mas eu vi um jogo perfeito no encerramento do Olímpico. Talvez estivesse embebido pelo momento de despedida, que qualquer pontapé serviria. Mas, ainda se considerando que se tratava de um Gre-Nal, foi mais do que perfeito! Faltou gol? Faltou foi é barro e chuva! Foi a cara do clássico gaúcho, em um dos estádios mais históricos do futebol rio-grandense. Para quê mais?!

Eu vi dois treinadores entrarem em campo encharcados de cautela, escalando seus times no 4-5-1. Vi uma meia bicicleta de Zé Roberto, uma defesa espetacular de Renan. Vi o Internacional com apenas 9 jogadores, segurar 50 mil gremistas pulsando. Vi as arquibancadas descerem em uma avalanche completa. Menina, guri, adolescente e vovô chorando de nostalgia. Repito: para quê gol?! Talvez um gol estragasse tudo!

Eu vi treinador brigar com jogador do time adversário, vi zagueiro peitar o comandante rival. Vi um rojão estourar ao lado do preparador físico colorado, vi jogador do Grêmio ser agarrado para não ir às vias de fato. Eu vi tudo que precisava ver. Eu vi o estádio Olímpico funcionar pela última vez!

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Vencer ou vencer

A seleção italiana se preparava para entrar em campo para decidir a Copa do Mundo de 1938, contra a Hungria. Eis que um telegrama chegou no vestiário, tendo como remetente nada mais, nada menos do que o ditador Benito Mussolini. No papel, que passou pelas mãos dos jogadores, apenas uma frase: “vencer ou morrer”. É certo que a direção gremista não chegará a esta loucura no domingo, mas irá fazer o máximo para vergar seu maior rival na última partida do estádio Olímpico. Até porque, além de deixar uma boa impressão no espetáculo derradeiro do ‘Velho Casarão’, o Tricolor tem o compromisso de quebrar um tabu – nunca venceu o último Gre-Nal dos estádios porto-alegrenses.

Anterior ao Olímpico, por exemplo, os gremistas lotavam a Baixada. Pois, no dia 1º de novembro de 1953, quase 9 mil pessoas vislumbraram nela a última partida do Campeonato Citadino. O Internacional chegou ao embate matematicamente campeão, e acabou vencendo por 2 a 0, com gols de Jerônimo e Canhotinho. Curiosamente, com a camisa tricolor figurava o ponteiro Tesourinha (herói da década passada pelo time do rival, reconhecido como Rolo Compressor). Nos Eucaliptos, o último Gre-Nal ocorreu em 1968, e acabou empatado por 1 a 1 – Alcindo anotou o gol gremista, com Valdomiro igualando o marcador. E agora, como será o Gre-Nal de encerramento do Olímpico?

É conhecido que o primeiro clássico teve igualmente goleada vermelha por 6 a 2. Por isso, aumenta ainda mais o compromisso tricolor em apagar as luzes da velha casa com um sucesso, que de quebra o levará diretamente para a fase de grupos da Libertadores. Por isso, não estranhe se os jogadores do Grêmio receberem, ainda no vestiário, antes de entrar em campo, um telegrama. Desta vez estará escrito: ‘vencer ou vencer’. Não há outra saída!

Na cabeça de Osmar Loss

Poucos sabem a escalação do Internacional para o Gre-Nal do próximo domingo. Com portões fechados, o técnico interino Osmar Loss vai desenhando a equipe para o clássico. As informações são de que ele já testou três volantes e apenas um atacante. O próprio treinador, em entrevista coletiva, afirmou que tudo não passou de um teste. Enfim, não tem como imaginar o que ele prepara, já que será a primeira vez em que disputará o clássico entre os profissionais. Se não há um Gre-Nal para analisar, vamos à outra rivalidade que Loss viveu: o Ca-Ju.

Osmar foi técnico do Juventude em 2010, e teve de encarar o Caxias (então treinado por Julinho Camargo) duas vezes. Foram dois empates, ambos no estádio Alfredo Jaconi. Pelo Gauchão, o placar foi 1 a 1. Dias depois, pela Série C do Brasileirão, ficaram no 0 a 0. Conforme o repórter da Rádio Viva, Fábio Carnesella, postava a equipe no 4-4-2, com três volantes no meio-campo – sendo um destes o experiente Lauro, que saía mais para distribuir o jogo. E, pelo jeito, Loss não deixou saudades em Caxias do Sul: “O trabalho não foi nada bom, ele jogava muito atrás, queimou muitos jogadores da base, colocando jogadores fora de posição. Infelizmente, levou o Juventude para a Série D e no Gauchão já tinha feito um campeonato fraco”, comentou Carnesella.

No Inter, em 2011, Osmar Loss assumiu o comando interino logo após a demissão de Falcão. Comandou o time em 8 partidas, obtendo 2 vitórias, 4 empates e 2 derrotas. O sistema tático mais utilizado, novamente, foi o 4-3-1-2. Assim, por exemplo, enfrentou o Independiente-ARG, pelo jogo de ida da Recopa, quando foi derrotado por 2 a 1. Naquela oportunidade, Wilson Matias, Élton e Tinga foram os volantes escolhidos para dar suporte ao trio ofensivo que tinha D’Alessandro, Jô e Leandro Damião. E agora, no Olímpico, como será?

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Ca-Ju é Gre-Nal

Que ‘Anti Gre-Nal’, que nada! A cidade de Caxias do Sul estará muito bem dividida entre Grêmio e Internacional a partir da próxima temporada. Até porque, os clubes locais já estão posicionados. E, pelo que parece, a dupla Ca-Ju está disposta a reviver as finais dos Gauchões de 1998 e 2000 – Inter vs. Juventude, Grêmio vs. Caxias.

Em entrevista à Rádio GRENAL (AM 780 / FM 101.9) na tarde desta quinta-feira, o presidente juventudista, Raimundo Demore, declarou que ficou chateado por sequer ter sido procurado pelo mandatário colorado. Acontece que, com o fechamento do Beira-Rio para acelerar as obras da Copa do Mundo 2014, o Inter acertou com o rival o empréstimo do estádio. Em troca, deve ceder alguns jogadores da base, ou que não vêm sendo aproveitados. Apesar de já terem se enfrentado em finais de Gauchões, Inter e Caxias têm mais afinidade – vide a própria inauguração do Centenário, em 1976, entre as duas equipes (com vitória grená por 2 a 1).

Apesar disso, o presidente do Ju não aceitou o fato de sequer ter sido contatado por Giovanni Luigi. Assim, quando perguntado sobre o lateral-esquerdo Alex Telles, que vinha especulado para reforçar o time B do Colorado, respondeu: "Vendemos para um grupo de investidores, o qual está colocando o jogador no Grêmio, até onde eu sei". O jovem de 21 anos deve se apresentar à Arena em 2013, e não mais ao Beira-Rio como era esperado pelas bandas vermelhas. Está feita a crise! Se Caxias do Sul será a cidade do Inter no ano que vem, a rivalidade Gre-Nal se muda junto para lá.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

O drible de Dunga

Em entrevista exclusiva à Rádio GRENAL (AM 780 / FM 101.9), no dia de seu aniversário, o presidente Giovanni Luigi abriu o coração. Comentou que esperou até às 12h a ligação de retorno de Dunga, respondendo se aceitava ou não o convite para ser o treinador do Internacional em 2013. O telefone não tocou e o mandatário colorado chegou à seguinte conclusão: "Neste momento me sinto livre para negociar com outras opções". Pelo que disse, levou um drible de Dunga.

E agora, que outras opções surgem no mercado? O jornalista Farid Germano Filho perguntou sobre Geninho e Paulo Autuori, Luigi os elogiou mas disse que não os quer agora. Quem sobra? Só para se ter uma ideia, dos grandes clubes brasileiros, apenas Inter e Cruzeiro não anunciaram seus comandantes para a próxima temporada. Em Minas Gerais está Celso Roth, já avisando que não vai permanecer. Será? É melhor parar por aí. O presidente assegura que não conversou com nenhum outro técnico até então (nem mesmo Mano Menezes, por respeitar que o momento é de tristeza pela demissão da Seleção Brasileira).

Luigi alega que não guarda mágoa de Dunga, apenas respeita sua decisão – o treinador também recebeu convite de um clube chinês. E, além disso, revela que não foi uma proposta salarial que afastou o profissional do Beira-Rio: "Falamos de estrutura de clubes, táticas, características dos jogadores, pré-temporadas. Único assunto que não foi tratado foi o financeiro", disse. E agora, será que o Inter partirá em busca de um plano B? Que me desculpe o presidente Luigi, mas eu acreditei quando ele jurou que Fernandão permaneceria no cargo, para demiti-lo um dia depois. Agora tenho um pé atrás. O drible de Dunga pode na verdade ser um drible ‘com’ Dunga. Uma grande jogada!

O oxigênio do cofre


Foto: Marinho Saldanha (UOL)

A reunião entre Paulo Odone e Fábio Koff (atual e futuro presidentes do Grêmio) teve dois objetivos. O primeiro foi fazer o convite para que o vencedor das eleições conhecesse a Arena – visita que foi feita nesta quarta-feira. O segundo objetivo foi anunciar que, para entrar o clube com um balanço positivo, uma venda deverá ser feita ainda este ano. E a bola da vez é o garoto Fernando.

O volante de 20 anos agrada ao futebol italiano, português e russo (onde seu empresário Jorge Machado tem bom trânsito). E, dependendo da quantia oferecida, representará o oxigênio necessário para o cofre tricolor encerrar a temporada literalmente no azul. Contudo, segundo o futuro diretor executivo Rui Costa, a saída de Fernando não representará a vinda de outro atleta. “Existem dirigentes que estão trabalhando ainda e temos que respeitá-los. Mas eu não faria nenhuma relação da venda do Fernando com a compra de outro jogador”, declarou.

Assim, se o valor não for utilizado exclusivamente para pagar as contas, poderá contribuir para contratações, como a de Montillo, do Cruzeiro. Porém, sobre este negócio, Rui foi muito realista, colocando um grande empecilho: o potencial financeiro do São Paulo. Entretanto, o dirigente deixa claro que se tiver que escolher entre a contratação do meia e a manutenção de um atual atleta, como o volante Souza que tem seu contrato findando em dezembro, irá priorizar a conversa com o Porto-POR.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Boliviano por argentino

Há alguns dias, recebi a informação de que Marcelo Moreno não está nos planos do Grêmio para 2013. Conforme o que me chegou, até mesmo a namorada do atleta está avisada de que as malas devem estar prontas. Considerando que o boliviano é ídolo do torcedor e alvo até mesmo de campanhas de marketing no Olímpico, não levei muito em consideração, mas fui atrás de mais alguns detalhes. Cheguei a ouvir que o centroavante não caiu no gosto do técnico Vanderlei Luxemburgo, que não o acha tão decisivo assim. Falei diretamente com o empresário do jogador, Fabiano Farah, que me garantiu que o camisa 9 não deixaria Porto Alegre. Porém, com a notícia de que a nova direção gremista sonha com Montillo, volto a pensar na possibilidade de saída do ‘Flecheiro’.

Digo isto porque, além do Grêmio, tentam a contratação do meia cruzeirense São Paulo e Santos. O primeiro teria bala na agulha para fazer uma proposta direta aos mineiros (utilizando parte da verba da venda de Lucas), enquanto o segundo chegou a oferecer o volante Adriano mais alguns trocados. Especula-se que o argentino custaria inteiramente 10 milhões de euros. E agora, qual será a proposta do Tricolor gaúcho? Marcelo Moreno é o pensamento mais coerente, né?

Até porque, em Belo Horizonte, Marcelo deixou uma boa impressão. Na sua passagem pela Toca da Raposa, em 2007, chegou a ser artilheiro da Libertadores da América. Agora, se realmente é verdade que Luxa não é fã do futebol de Moreno, casou a fome com a vontade de comer. Ou será que tudo não passa de um boato e realmente o boliviano ainda tem moral com o treinador gremista?