sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Medalhão, para que te quero

Foto: Tomás Hammes (Globoesporte.com)

Clemer deu apenas um susto em Willians. Na verdade, quis mostrar ao volante quem mandava no vestiário. Assim, como forma de punição, deixou-o no time reserva durante o treinamento. Porém, voltou atrás. Neste sábado, contra o Corinthians, Willians deve ser titular ao lado de Josimar - mesmo depois de ter criticado o treinador publicamente. "O episódio está superado. Eu não posso barrar ele porque poderia punir o time. O Inter precisa da experiência dele num momento como este", argumentou o atual comandante colorado. Fosse mais um jogo qualquer, a opção de Clemer seria João Afonso. Mas o momento exige medalhões na equipe!

A opinião não é minha, mas de Cláudio Duarte. Ex-lateral e técnico do Inter, Claudião esteve na Rádio GUAÍBA nesta sexta-feira. Ele compartilha da ideia de que todos os medalhões devem ser escalados, para eximir o treinador de qualquer culpa. Assim, a bomba também não cairá no colo dos mais jovens. Aliás, Cláudio Duarte estava na casamata colorada quando do último temor de rebaixamento, em 2002, no fatídico jogo contra o Paysandu, em Belém. "No intervalo, Fernando Baiano e Luiz Alberto saíram aos socos no vestiário. Eu fiquei sentado, só olhando. Os caras me perguntavam se eu não iria me meter. Eu não! Quando eles terminaram, eu disse: agora é comigo!", comentou às risadas.

Clemer era o goleiro daquele Inter de Claudião. Presenciou tudo em Belém, e talvez por isso o vestiário de Goiânia foi brincadeira de criança, ao invés da 'briga de bar' que referiram os funcionários do Serra Dourada. Assim como seu antigo comandante, Clemer sabe que a hora é de Índio e Juan, não de Alan e Jackson. O momento é para dar uma última chance a Ednei, não para improvisar Nathan Índio. Enfim, a hora é de perdoar Willians, ao invés de atirar João Afonso na fogueira.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Entre Tite e Plein

A informação dada pelo repórter Cristiano Silva na Rádio GUAÍBA nesta quarta-feira estrondou o Rio Grande do Sul: dificuldades para renovar o contrato com Renato Portaluppi fizeram o Grêmio buscar Gilmar Dal Pozzo. Atual comandante da Chapecoense (surpresa entre os times que subiram à Série A do Brasileirão), Gilmar é a opção mais barata para um Grêmio que pretende diminuir sua folha salarial para no máximo R$ 3 milhões. Chegaria acompanhado do preparador físico Anderson Paixão (filho de Paulo Paixão). Enfim: se não aceitar reduzir seu salário, Renato está fora dos planos tricolores.

Se a contratação de Dal Pozzo for efetuada, não será a primeira vez que o Grêmio buscará um treinador emergente no mercado. Grandes nomes da história do clube surgiram com o mesmo perfil - outros, não deram certo. Os bons exemplos fazem o gremista empolgado sonhar alto: Luiz Felipe Scolari veio do Criciúma em 1993 (na segunda passagem); Tite, em 2001, e Mano Menezes, em 2005, vieram do Caxias. Porém, sempre existem os erros. E, dentre os que não obtiveram o mesmo sucesso, podemos citar Nestor Simionatto, do Santo Ângelo em 2003; José Luiz Plein, do Glória em 2004; Julinho Camargo, ex-Caxias e Novo Hamburgo e então auxiliar técnico no Inter em 2011. O que conta a favor de Gilmar é a sua proximidade com Tite - foi goleiro do Caxias campeão gaúcho de 2000 e realizou inclusive estágios com seu 'tutor' no Corinthians.

A reunião no Conselho Deliberativo gremista, na noite de terça, expôs todas as dificuldades que o presidente Fábio Koff enfrentará para gerir o clube em 2014. O tão criticado contrato com a OAS (pela Arena) obrigará o Grêmio a reduzir sua folha atual, que ultrapassa os R$ 7 milhões. Assim, além do treinador, outras peças serão modificadas. O goleiro Dida não só deve deixar Porto Alegre como também 'pendurar as luvas'. Zé Roberto não deve renovar e Elano viraria alternativa para um troca-troca futuro. Atletas que recentemente foram emprestados - como Douglas Grolli, Tony, Léo Gago, Rondinelly, Marco Antônio e Marcelo Moreno - serão reavaliados e, quem sabe, reaproveitados. Sintoma de novos tempos no Grêmio Foot-Ball Porto-Alegrense.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Um 'Plano B' para Renato

Foto: Eduardo Moura (Lance!)

Sempre achei muito delicado falar em salário de jogador e treinador. Entretanto, não há como negar que quando os valores divulgados são exorbitantes fico chocado. Por isso, ao ouvir que Renato Portaluppi pedia R$ 700 mil por mês para renovar com o Grêmio, pensei imediatamente que seria prudente a interrupção de qualquer conversa. Mas tudo foi negado - seja pelo técnico como pelo presidente.

Na manhã desta terça-feira, em entrevista à Rádio GUAÍBA, Fábio Koff negou a pedida de Renato: "Esta notícia não procede. Fizemos um contato inicial, mas ficamos de aprofundar isto após o término do Brasileirão. Vamos aguardar os resultados de campo e temos de verificar o limite orçamentário que teremos no futebol em 2014." O próprio Portaluppi mostrou irritação ao tomar conhecimento das cifras: "Jamais falei em números com o presidente Koff ou com o Rui Costa. Os números estão aparecendo da boca de algumas pessoas, mas nunca saíram da minha." Enfim, não quer dizer que Renato não quer aumentar seu salário. E, convenhamos, ele até merece. Se conseguir colocar o Grêmio na Libertadores, o treinador merecerá um reajuste positivo. Os adversários serão outros, a pressão será maior.

No entanto, pode acontecer justamente o contrário - uma redução. "Será preciso analisar o contrato com a OAS e para que a gente tenha maior mobilidade financeira", avaliou Koff. Questionado sobre isso, Renato driblou: "O que tenho que conversar, vou diretamente falar para a diretoria. Tenho um compromisso com o Rui no mês que vem para ver isso." Ou seja, não se surpreenda se Renato não aceitar. E aí, qual o 'Plano B'? "Não temos um plano B para o Renato. Se houver acordo, ele fica conosco. É uma questão de ajuste, mas não estamos cogitando outros nomes, até porque estamos todos voltados para o final do Brasileiro", concluiu o mandatário tricolor.

Três cabeças por um goleiro

Foto: (Natacha Pisarenko/AP)

No Paraguai, o empresário brasileiro Régis Marques Chedid negocia a saída do goleiro Martín Silva do Olímpia. Destaque na Libertadores da América deste ano, o arqueiro (que também defende a Seleção Uruguaia) cobra salários e premiações atrasados. Porém, seu agente avisa que o futuro será no Brasil - Vasco, Santos e Internacional já o procuraram. Mas e a direção colorada o que diz?

Conversei nesta tarde com o diretor executivo Newton Drummond (Chumbinho), que garantiu não ter sondado o arqueiro: "Não vamos trazer mais um estrangeiro, já temos três. Não vamos trazer para ser reserva." Acontece que o atual trio colorado vem sendo constantemente citado pelo mundo afora. scocco, Forlán e mais recentemente D'Alessandro. Com relação ao último, o candidato à presidência do River Plate-ARG, Antonio Caselli, declarou à rádio Rock and Pop: "Fui a Porto Alegre, conversei com D'Alessandro e seu representante. Ele quer voltar, agora temos que negociar com o Inter. Tem contrato até 2015. É difícil, mas não impossível."

"Não podemos trabalhar em cima de hipóteses", responde Chumbinho. Martín Silva tem 30 anos e assumiu a titularidade da 'Celeste' nos compromissos contra a Jordânia, pela repescagem para a Copa do Mundo. Ah, e antes que eu me esqueça: o agente dele é o mesmo que trouxe Guiñazu do Libertad-PAR para o Inter em 2007.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Reprovados que valem dinheiro

Foto: Alexandre Lops (Internacional)

Duas da manhã. Este foi o horário que o empresário e ex-zagueiro Jorge Baidek atendeu o repórter Rafael Pfeiffer, da Rádio GUAÍBA, ao telefone. Atencioso como sempre, Baidek disse estar na China a trabalho, mas se colocou à disposição do jornalista: "Forlán? Tem algumas situações sim, mas não vou falar agora. Vou voltar ao Brasil para falar com a direção do Inter", alegou. Ou seja, se o presidente Giovanni Luigi quiser, o uruguaio Diego Forlán pode estar deixando Porto Alegre. Na última semana, especulou-se o interesse do inglês West Ham. Mexicanos e norte-americanos também estão de olho na situação do camisa 10 da Celeste.

Embora tenha se desvalorizado muito desde que chegou ao Brasil (perdeu a titularidade na Seleção Uruguaia), Forlán ainda pode render alguns frutos aos cofres colorados. O atacante tem contrato com o Colorado até a metade de 2015 e, para sair, deveria ser paga uma multa rescisória. A não ser que o desligamento seja feito de maneira amigável, como ocorreu com a Internazionale de Milão na sua vinda para Porto Alegre. Ou seja, o clube gaúcho - que não gastou um centavo com a contratação, apenas com salários -, ainda poderá ganhar dinheiro caso venda Forlán.

Outra transação que também deve ser efetuada em breve é a de Gilberto. Emprestado à Portuguesa e autor de 14 gols no Brasileirão 2013, o atacante que foi reprovado pela segunda vez no Inter despertou o interesse de três clubes brasileiros - um deles, o São Paulo. Europeus também sondaram. Mas, conforme o empresário Gilmar Veloz, a escolha será da direção colorada. Ninguém irá se manifestar até o término do campeonato nacional. Como a situação financeira não é das melhores, as duas vendas serão bem-vindas.

O zagueiro italiano do Grêmio

Foto: Ricardo Rímoli (Lancepress)

Muito em breve o presidente do Grêmio, Fábio Koff, receberá uma proposta em mãos pelo zagueiro Bressan. Seu empresário, o ex-jogador Marcelo Lipatín, desembarcará nas próximas horas na Itália, e sentará para ouvir uma oferta oficial na próxima quarta-feira. Antes, passou pela Alemanha. Matheus Bressanelli, 20 anos, é dono de 20% de seu próprio passe. Outros 70% estão com o Grêmio, enquanto 10% cabem ao Juventude. Quem, por qual valor e o tamanho da porcentagem saberemos logo mais, quando Lipatín retornar ao Brasil. A Roma seria a principal interessada. A informação vem dos repórteres Rafael Pfeiffer e Gutieri Sanchez, da Rádio GUAÍBA.

Desde a época de Juventude, Bressan foi talhado para jogar na Itália. Fez estágio na França e chegou a disputar competição em solo italiano quando ainda vestia a camisa alviverde. No meio deste ano, chegou a ser levado à Europa para tirar passaporte italiano. Como a família é descendente, não houve problema. E, assim, quando quiser voltar lá a trabalho, não ocupará uma vaga de estrangeiro - caso diferente ao de Alex Telles, por exemplo.

De cabeça boa, o defensor gremista pediu ao mesmo empresário que não lhe conte absolutamente nada sobre as reuniões que vêm acontecendo na Europa - prefere ficar focado apenas na briga pela classificação a Libertadores da América. Aliás, é a Libertadores que pode lhe segurar por mais um tempo em Porto Alegre. Depois de convencer o técnico Renato Portaluppi que deveria ser titular da zaga (e não mais Werley), a direção tricolor pode tentar convencer seus futuros compradores a levá-lo somente na janela de meio de ano. Assim, o atleta teria como disputar a Libertadores pela equipe gremista - sua segunda, apesar de pouco tempo de casa.

Não dá para adiar mais

Foto: Rodrigo Villalba (Futura Press/Terra)

Renato Portaluppi teve que decidir de qual estrangeiro abriria mão. Optou pela saída do paraguaio Riveros para contar com o uruguaio, o argentino e o chileno. Teoricamente, fez certo. Do último (Eduardo Vargas) veio o gol de empate diante da Ponte Preta. Acontece que o resultado de 1 a 1 apenas adiou o que virá pela frente. Tivesse vencido o time misto adversário, o Grêmio estaria muito bem encaminhado para a Libertadores. Agora terá de fazer uma verdadeira decisão no próximo domingo contra o Goiás, na Arena. Decidir entre os gringos foi fichinha perto do que virá pela frente agora.

E quem compartilha desta minha opinião é o diretor executivo Rui Costa: "Nós queríamos a vitória, mas não conseguimos. A atual condição nos preocupa porque queríamos nos distanciar no G-4 e tornar o jogo contra o Goiás mais administrável. Agora temos de vencer e até esta decisão vamos reanimar o grupo." Rui certamente vê as dificuldades que o time gremista vem tendo na reta final da competição. Aquele gás todo apresentado em meio ao certame, que fez com que o Tricolor desse a arrancada necessária para chegar aonde chegou, acabou. Em uma crise existencial, Renato tenta reinventar sua equipe a cada rodada, alternando esquemas táticos - sem nunca abrir mão dos atacantes. Enquanto isso, o Goiás (apesar da goleada sofrida em Belo Horizonte para o Atlético-MG) vive uma situação diferente. Ou melhor, ascendente.

O técnico gremista terá de fazer novamente a escolha: Barcos, Vargas, Riveros ou Máxi Rodriguez? E, mais do que isso, decidir de uma vez por todas aonde chegará o Grêmio. Um tropeço diante do Goiás pode complicar a vaga direta para a Libertadores - e até mesmo a disputa da competição sul-americana no ano que vem. Por outro lado, uma vitória praticamente sacramenta a classificação. Esta decisão não tem como adiar. Não dá para deixar para depois, como ele fez quando um telefone celular tocou no meio da coletiva de imprensa em Campinas. É agora ou nunca!