quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Pelo fim da novela turca

Foto: Montagem

O Brasil se especializou em fazer novelas. Vem dos tempos do rádio para ser sucesso absoluto na televisão. Insuperáveis talvez sejam os dramalhões mexicanos. Pois agora surge a novela turca. E, nesta trama, o 'mocinho' pode ser o maior prejudicado. Nas vezes em que conversei com Alex Telles, até mesmo fora do ar, percebi um menino com a cabeça no lugar. Tranquilo, pude o entrevistar na Rádio GUAÍBA no final de dezembro, e o lateral-esquerdo se mostrava muito entusiasmado em viajar à Istambul, jogar ao lado de Drogba e Cia, e aprender a falar inglês. Mas o sonho do Galatasaray está suspenso.

Meio-dia desta quarta-feira. Este é o prazo estabelecido pelo empresário Fernando Otto para que os turcos apresentem as garantias bancárias e, finalmente, concretizem a contratação. Dirigentes do Grêmio, no entanto, negam qualquer estabelecimento de prazo final. Seguem dispostos a ouvir propostas, ao mesmo tempo que não se furtam de manter Alex para a disputa da Libertadores. Conforme o repórter Rafael Pfeiffer, mesmo que o Galatasaray não efetue a compra, clubes da Itália, Portugal e Alemanha podem avançar o sinal e entrar na briga pelo melhor lateral do Brasileirão 2013. A esta altura, sinceramente, já não sei o que é melhor.

Se ver frustrada a negociação, Alex Telles ficará no Grêmio. Ok, mas como estará a cabeça do jogador? Repito: ele me parece ser um cara centrado, mas estaremos diante de um baque que, em outros casos, poderia atrapalhar uma carreira de um jovem menino que vê no futebol a possibilidade de dar a estabilidade financeira da família. Pelo lado do Grêmio, a venda do jogador representa alguns milhões no cofre - ou melhor, que contribuiriam na hora de colocar algumas pendências em dia. Então, não se surpreenda se aparecer um capítulo extra, após o meio-dia, desta novela turca.

Um ataque matemático

Foto: Edu Andrade (Folha Press)

No único treino físico que assisti do Internacional, ainda em Porto Alegre, me chamou a atenção a 'magreza' - ou melhor, o bom condicionamento físico - com que Rafael Moura se apresentou. Abel Braga não esconde de ninguém (e até confirmou em entrevista recente ao jornal Zero Hora) que apostará nele como o centroavante para 2014. Talvez uma conversa ao pé do ouvido tenha acontecido antes da reapresentação. Por isso, He-Man é um dos destaques na pré-temporada. Mas o que poucos sabiam é que ele também chegou afiado na matemática.

A apresentação dos próprios números, considerando apenas os minutos em que esteve em campo com a camisa do Inter, não é exclusividade de Rafael Moura. Aliás, eu diria que a inspiração dorme ao lado. No início de novembro passado, seu companheiro de concentração, Diego Forlán, fez praticamente o mesmo. No entanto, a média do uruguaio é ainda superior. Enquanto Moura, pelas suas contas, leva 277 minutos para balançar as redes (1 gol a cada 3 jogos); Forlán o faz em 155 minutos (1 gol a cada 2 jogos). Números impressionantes, não?

Como o Inter não treina com bola em Gramado, é impossível garantir que Forlán e Rafael Moura formarão a dupla de ataque no Colorado. Isso já aconteceu em 2013 e o resultado não foi tão empolgante assim. Entretanto, pode ser que Abelão ajude a aumentar a estatística da dupla. E, se o futebol for tão eficiente quanto a matemática, muitos gols estarão garantidos para a cota vermelha.

domingo, 12 de janeiro de 2014

Um ano de Chitolina

Foto: Matheus D'Avila (Rádio Guaíba)

Prestes a completar um ano como dirigente no departamento profissional de futebol do Grêmio, Marcos Chitolina concedeu uma entrevista de 30 minutos ao programa PRELEÇÃO da RÁDIO GUAÍBA. Neste bate-papo, revelou os momentos mais tensos da temporada, as alegrias e também as pretensões para 2014. Confira aqui os principais trechos:

- Como foi o convite para entrar no departamento profissional de futebol?
"Eu estava em Barcelona após a eleição do presidente. Fiz uma viagem particular e fui conhecer o CT (Centro de Treinamentos) do Barcelona. Ele é um modelo para todos os clubes, e inclusive disse isso ao presidente Fábio Koff, que o nosso CT deveria ter o profissional junto com o amador em Eldorado. E enquanto eu estava lá, o presidente me ligou para ser o diretor das categorias de base. Eu aceitei, nós contratamos o Júnior Chávare para executivo (seria o Rui Costa da base). Mas aí o Omar Selaimen, por motivos particulares, resolveu deixar o clube e o presidente pediu para eu ficar. Meu primeiro jogo como profissional foi em Ijuí, contra o são Luiz (dia 31 de janeiro de 2013)."

- Qual o tamanho do aprendizado com o presidente Fábio Koff?
"O presidente Fábio Koff é ímpar no futebol brasileiro, eu diria que é o dirigente mais vencedor. Não podia ter outra pessoa nesse momento difícil da vida financeira do Grêmio, momento de transição para uma nova casa. Não desmerecendo a ninguém, mas a pessoa mais capaz dentro dos quadros diretivos é ele. Em um ano ao lado dele, parece que estou fazendo uma pós-graduação no futebol. Temos discussões, concordamos em algumas coisas, mas concordamos em muitas."

- Pensa em ser presidente do Grêmio no futuro?
"Todo o torcedor do Grêmio gostaria de ser presidente. Mas não basta isso. É um cargo muito importante, tem que estar preparado. Não basta apenas passar pelo departamento de futebol. É pouco. Eu venci na vida como um administrador, tenho duas empresas, mas não basta isso. Tem que conhecer como funciona um clube, como funciona o futebol no cenário mundial, ter relações nacionais e internacionais, ter habilidade política, e isso tu ganhas com a bagagem. Eu tenho este sonho, todo o gremista tem. Mas temos que ter experiência. Pode querer ser candidato. Daqui a três anos é impossível. Mas daqui a 10 anos, não sei."

- Qual o pior momento no Grêmio?    
"Eu tenho um método de trabalho, que comando minhas empresas e quero aplicar no Grêmio. Eu me indigno quando as coisas dão errado. E teve uma situação crítica, um desgaste muito grande com o treinador anterior. Nada contra o Vanderlei (Luxemburgo), acho um grande treinador, mas as coisas não se encaixaram. Não tinha mais espaço pela situação e método que foram criados. O método não fechou com o meu. Coloquei minha posição ao presidente, tivemos alguns atritos, e este foi o pior momento."

- Chegou a se comentar que o Luxemburgo disse que não trataria os assuntos com um 'garoto de recados', se referindo a você. Isso aconteceu?
"Eu vi certas coisas que estavam acontecendo erradas e o presidente pediu para eu tratar. Dali por diante, acabou o treino e existiu uma discussão entre nós. Exigi algumas coisas que não foram aceitas e achei melhor encerrar o ciclo. Falei com o presidente, ele tentou reverter algumas coisas naquele dia. Não foi possível e se tomou a atitude que tinha de ser tomada. Repito: não tenho nada contra a pessoa. Quando as pessoas não fecham na questão de trabalho, as coisas não vão dar certo. O vestiário tem que ser solidário. É isso que nós estamos pregando."

- E o melhor momento no Grêmio?
"Quando nós trocamos o treinador, o presidente nos chamou eu e Rui Costa e prontamente achamos que o Renato (Portaluppi) poderia fazer um trabalho para nos levar a uma condição melhor. Após seis horas de reunião, acertamos com o Renato. E depois tivemos seis ou sete vitórias seguidas e começamos a retomar o espírito que eu achava que o Grêmio tinha que jogar. Não só eu achava, como o torcedor acha. Sou um torcedor do Grêmio! Chegou um ponto que eu enxergava o Grêmio, mesmo sem fazer grandes apresentações, dando carrinho e buscando a vitória de qualquer jeito. Resgatamos o espírito e este foi o melhor momento, porque me via em 1983 e na década de 90, com a forma do Grêmio jogar, pegador."

- A crise que o Grêmio vive é a maior da história do clube?
"Não, o próprio presidente Koff já pegou em situação pior. Vivemos esta crise hoje porque o Grêmio é o único time do mundo que, neste momento, paga para jogar em casa e jogar fora. Então, criou uma situação que trancou o fluxo de caixa. Mas estamos criando situações, com a capacidade do nosso executivo Rui Costa, de buscar jogadores a custo zero praticamente e colocando-os na vitrine, para estabilizar o Grêmio. Não temos renda de bilheteria. Agora que estou dentro do departamento de futebol, sei que o Grêmio antigamente pagava seus bichos com a renda. Hoje não podemos chegar no vestiário e dizer que a renda é dos jogadores. Mas nós temos uma base, que não pode ser criticada como ruim, pois foi vice-campeã brasileira. Também temos uma categoria de base muito boa. Mas o torcedor pode ter certeza que o trabalho que está sendo feito na base, vai dar resultado. Não existe uma varinha mágica que, em 6 meses, vamos formar vários jogadores. Se tiver sequência, daqui a 2, 3 ou 4 anos vamos revelar três ou quatro jogadores importantes para a sobrevivência e para a equipe."

- Obrigado, Chitolina. E boa sorte para este ano com muita expectativa com Libertadores.
"Obrigado, Filipe. Eu só sinto por uma situação. Assim como o futebol te dá muitos amigos, ele te tira muitos amigos. E eu perdi alguns amigos pela passionalidade do futebol. Eu fui torcedor também, sei como é. Já fiz críticas e entendo. Eu também não tinha noção quando criticava os dirigentes. Mas nosso trabalho de bastidores, de dia-a-dia, é muito árduo. A gente move montanhas para realizar certas coisas, e às vezes se consegue, às vezes não. Eu gostaria de terrminar a gestão Fábio Koff como um dirigente vencedor, mas minha ambição não é pessoal. Quero transformar o Grêmio em vencedor, estando o Chitolina no futebol ou não. Recebo críticas e aceito-as. Estamos trabalhando demais para vencer, mas isso só não basta. Temos que ter sorte também."

sábado, 11 de janeiro de 2014

O que separa Scocco de Forlán

Foto: Alexandre Lops (Internacional)

A direção colorada aguarda para este sábado a chegada de Diego Forlán a Porto Alegre. Acometido por uma indisposição estomacal enquanto passava férias em Punta Del Este-URU, o atacante comunicou o clube (com apresentação de atestado médico) de que não se reapresentaria no dia inicialmente marcado. Semelhanças com Scocco, que nesta sexta-feira trouxe à tona sua vontade de ir embora do Inter? O diretor Eduardo Lacher espera que não: "Nós não acreditamos que isso possa acontecer. Entramos em contato com ele, nos avisou de seu problema. A gente espera que ele chegue e se incorpore ao grupo de jogadores. O treinador conta com ele", disse à Rádio GUAÍBA.

No entanto, o jornal 'El Observardor', de Montevidéu-URU, publicou que o uruguaio irá cobrar uma dispensa em troca de uma dívida que o clube tem para com ele. "Nada disso é verdadeiro. Tudo são situações criadas por alguns meios de comunicação do Uruguai. O Diego está vindo para Porto Alegre. A vontade dele é o mais rapidamente se apresentar", declarou o empresário Jorge Baidek ao programa PLANTÃO ESPORTIVO na noite desta sexta: "Também colocaram uma foto onde ele estava jantando muitos dias atrás como se ele estivesse jantando agora. Quer dizer, são situações que acontecem, mas todo mundo sabe que o Diego é um belíssimo profissional", complementou.

Um dos possíveis destinos citados é o Botafogo. Porém, Baidek jura que não foi procurado. "Especulações são normais, ainda mais nessa época do ano. Mas o Diego está focado no Internacional", finaliza o agente. Sendo assim, palmas para Forlán. Já Scocco, que vá em paz - entretanto, com o cartaz de 'atleta menos profissional que já pisou em solo rio-grandense'. Mesmo assim, se o uruguaio chegar neste sábado à capital gaúcha e repetir a dose do argentino (queimando a minha língua e a de Baidek), aí a direção colorada terá de rever seu conceito de não buscar reposição para o ataque.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Alán Ruiz não esperou o domingo

Foto: Jasper Juinen (Fifa/Getty Images)

Na tarde desta quinta-feira, estivemos eu e Matheus D'Avila no estádio Olímpico para gravar uma entrevista com o assessor de futebol do Grêmio, Marcos Chitolina. A conversa de 30 minutos vai ao ar no domingo, no programa PRELEÇÃO da Rádio GUAÍBA. Porém, em meio ao bate-papo, chegou-se ao assunto Alán Ruiz. E a resposta iniciou com um sorriso largo: "Vamos citar bem o dia que estamos conversando, dia 9 de janeiro, quinta-feira. O Alán Ruiz é titular da seleção argentina sub-20 e no momento desponta no mercado argentino. Mas até o momento não tem nada certo. No San Lorenzo, ele não joga porque lá tem um ídolo (Romagnoli) que atua na mesma função. Ele tem uma virtude que encaixa perfeitamente no time do Grêmio. Mas até agora não tem nada acertado."

Bom, como ele frisou, naquele momento, não havia nada acertado. Por isso, fui obrigado a interceder no final da entrevista: "Chitolina, e se vocês contratarem o Alán Ruiz antes de domingo? A gravação vai ao ar de maneira atrasada. Então, vou ter que utilizar pelo menos esta parte da entrevista hoje (quinta-feira)". O ato foi consentido pelo dirigente. Que bom! Sábia atitude. Horas depois Alán Ruiz era anunciado oficialmente no site oficial do clube. Ufa!

Enquanto conversávamos na sala do departamento de futebol do Olímpico, o diretor executivo Rui Costa (acompanhado do advogado Gabriel Vieira) acertava os detalhes da contratação em Buenos Aires. Tudo na surdina! Agora, se acalme, torcedor gremista. Trata-se de um jogador muito promissor, de apenas 20 anos. E só! Ainda não é o Maradona. Com esta expectativa toda já chegaram Facundo Bertoglio, Máxi Rodríguez, entre outros. Dê tempo a Ruiz - mesmo que ele tenha sido apressado e nem tenha esperado a entrevista de Chitolina ir ao ar no domingo.

Nem todos querem o Beira-Rio

Foto: Lauro Alves (Agência RBS)

Depois de uma temporada inteira de reclamações sobre a ausência do Beira-Rio, o reencontro está marcado. No dia 29 de janeiro, contra o São Paulo de Rio Grande, o Internacional reencontrará sua casa. A intenção era fazer já a primeira rodada do Gauchão, no dia 18, contra o São Luiz, no remodelado estádio. Porém, por questões de segurança, preferiu-se aguardar mais uns dias. E assim será!

No final de 2013, conversando com membros do departamento de futebol, colhi a informação de que não se via com bons olhos reabrir o Beira-Rio com o time sub-23 defendendo as cores do clube. Portanto, somente quando Abel Braga voltasse da pré-temporada, os portões seriam reabertos para a equipe. A ideia mudou! Primeiro por conta de uma reunião com o presidente Giovanni Luigi, que não vê a hora de voltar para a casa. E, em seguida, após uma visita da comissão técnica ao estádio: "É o melhor estádio do Brasil!", soltou o treinador. Assim, foi difícil segurar o retorno antecipado - mesmo com a equipe considerada B. Apesar dos pesares, pelo jeito, um dos jogadores do grupo principal parece ainda não ter sido convencido a atuar no Beira-Rio: Ignácio Scocco.

Depois de ter falado o que falou na Argentina durante as férias (reclamou da reserva e manifestou interesse em voltar ao Newell's Old Boys), o atacante chegou atrasado à reapresentação e, ainda por cima, com uma entorse no tornozelo. Existe explicação para isso? Foi o que procurou saber a direção, em uma conversa a quatro paredes com o atleta na tarde desta quinta-feira. Nacho será multado no salário e pagará 'caixinha' pelo atraso. Além disso, foi avisado que quem escala o time é Abel Braga. Convenhamos, por bem menos que isso, Jajá Coelho e Jô foram treinar em Alvorada e, em seguida, dispensados. Acontece que o cartaz de Scocco inibe os dirigentes (trata-se do melhor atacante da América do Sul em 2013). Por isso, recebe mais uma chance - quem sabe já no 'novo' Beira-Rio.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

A maior crise financeira de todos os tempos

Foto: Edu Andrade (Gazeta Press)

Na minha opinião, Leandro seria muito útil ao Grêmio na disputa da Libertadores da América de 2014. Em condições normais, certamente o atacante voltaria a Porto Alegre. Porém, estamos diante de uma crise financeira vivida pelo Tricolor - quem sabe a maior crise financeira de todos os tempos! Por isso, o clube gaúcho se viu obrigado a acenar positivamente com 2,7 milhões de euros (cerca de R$ 8,7 milhões) pelos 55% dos direitos do jogador. Leandro continuará no Palmeiras, agora em definitivo. Mas não deve parar por aí.

Do Rio de Janeiro, a informação que chega é que Elano estaria acertado com o Flamengo. O mesmo Paulo Pelaipe que o trouxe a Porto Alegre (após troca com o Santos por Miralles), avalia que o meia será melhor aproveitado no Rubro-Negro que também disputará a Libertadores. Mas a transação não é nos moldes de Leandro. Elano iria para a Gávea por empréstimo e tendo metade do salário pago pelo Grêmio. Na direção gremista, ninguém confirma estas informações. Pode ser que aconteça, como apenas mais uma das muitas especulações que já ocorreram: Souza no São Paulo, Zé Roberto no Santos, Kleber no Botafogo, Rhodolfo no Fluminense, etc.

O atual momento do Grêmio me lembra as lojas de liquidação, com queima de estoque. Basta entrar para achar uma mercadoria boa e barata. Por isso afirmo: devemos estar diante da maior crise financeira de todos os tempos deste clube. E às portas de uma Libertadores, não era bem a notícia que o torcedor gostaria de ler, eu sei. Mesmo assim, há quem se agarre no retrospecto. Conselheiros (até mesmo os de oposição) relembram que Fábio Koff soube fazer mais com menos em suas outras duas gestões. O jeito é deixar tudo nas mãos do presidente e confiar que vai dar certo no final - incluindo um ajuste no contrato com a OAS.