terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

O ataque dos renegados

Foto: Arquivo Vipcomm

O famoso navegador português Vasco da Gama, se vivo hoje em dia, sentiria remorso por emprestar o nome ao clube carioca. Definitivamente, a barca cruzmaltina parece estar furada. A equipe já teve seu treinador demitido, colecionou jejum de vitórias, tem histórico de salários atrasados e, para piorar, a dupla Gre-Nal comparece e leva os dois melhores jogadores disponíveis em São Januário. Tudo isso em menos de dois meses! Na segunda-feira foi a vez do Grêmio apresentar o meia Carlos Alberto, que preferiu trabalhar novamente com o técnico Renato Portaluppi, com que foi campeão da Copa do Brasil há quatro anos. Antes, o Internacional havia retirado o meia-atacante Zé Roberto. Os gaúchos, agora, parecem estar com peso na consciência. Vão ressarcir o Vasco.

O gerente de futebol vascaíno, Rodrigo Caetano - que esteve à frente do vestiário gremista noutros tempos -, está em Porto Alegre neste início de semana. A primeira visita foi ao estádio Olímpico. Para garantir que não sairá perdendo, propõe o empréstimo de Carlos Alberto aliado ao oferecimento de Leandro - que nada fez pelo Tricolor Gaúcho a não ser fiascos em seu apartamento. Logo após, Caetano foi ao Beira-Rio negociar a ida do centroavante Alecsandro (foto) em troca da permanência de Zé Roberto. Porém, a segunda tarefa é bem mais complicada que a primeira. Não apenas porque Alecsandro ostenta a marca de mais de 50 gols com a camisa vermelha, mas porque a diretoria pede um alto preço para se desfazer do atleta. Os torcedores colorados, que travam uma briga eterna com o camisa 9, querem mais é que ele saia - principalmente ao considerar o argentino Cavenaghi, recém contratado, mais qualificado que o titular do ano passado. Parece complicado que o artilheiro vá para o Rio de Janeiro, mas consideremos que isso aconteça, o Vasco pode ter em 2011 uma dupla de ataque formada por renegados: Leandro e Alecsandro.

Mas eles não estariam sozinhos em São Januário. Do goleiro ao centroavante que já estão no Vasco, existem outros exemplos de jogadores que não nutrem muita empatia com a torcida grenal. O camisa 1, Fernando Prass, iniciou a carreira no Grêmio, e jamais se firmou por aqui. O lateral-esquerdo, Ramon, protagonizou uma novela no ano passado quando bateu o pé para não voltar ao Inter, clube ao qual pertencia. O volante, Eduardo Costa, surgiu muito bem no Olímpico, mas não teve uma passagem tão frutífera em 2008. Por fim, no ataque, dois atletas possivelmente brigarão por vagas com os já citados Leandro e Alecsandro. Éder Luís, pretendido pela diretoria gremista no ano passado, preferiu rumar para a capital fluminense. E o centroavante Marcel, que colecionou xingamentos da torcida gremista em 2008. Realmente, Alecsandro tem razão em querer permanecer no Beira-Rio.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Quando os reforços valem a pena

Fotos: Alexandre Lops e Lucas Uebel

A semana abriu com duas festas no Aeroporto Salgado Filho - uma da torcida colorada e outra da gremista. No domingo pela manhã, foi a vez do argentino Bolatti ser bem recepcionado pelos vermelhos. À tarde, o compatriota Escudero pisou em solo porto-alegrense para a alegria dos azuis. Estes são alguns dos reforços da dupla, que vai buscar em 2011 o tri da Libertadores da América. Dias antes, o Inter apresentava o centroavante Cavenaghi, enquanto o Grêmio buscava o meio-campista Carlos Alberto. As contratações são de peso e enchem o torcedor de esperança. Mas o que se deve discutir é quando os reforços valem a pena.

Além dos castelhanos, o Internacional também trouxe os meias-atacantes Zé Roberto e Alex (do Vasco e Fluminense, respectivamente). Ambos já atuaram com a camisa vermelha - tendo o primeiro se lesionado no jogo de estreia. O segundo, encarado pela diretoria como uma jóia bruta, é alvo direto do escárnio de Celso Roth. Na rodada deste final de semana, pelo Gauchão, sem poder contar com Sóbis ou Zé Roberto, o treinador decidiu armar a equipe com três volantes (Matias, Tinga e Guiñazu) e apenas um atacante (Damião). O jovem talento foi renegado ao banco de reservas, e incluído na partida Andrezinho (foto acima), que apesar do esforço não tem a competência de um ofensivo. Depois, aos microfones, o comandante insistiu que Alex não é a salvação do time. Ok, mas o que ninguém entende é como Roth se preserva tanto contra um Veranópolis cambaleante. O resultado foi o mesmo vexame ocorrido contra o Mazembe: substituições estapafúrdias e derrota por 2 a 1.

Por que tanta demora, tanto cuidado, na hora de lançar uma contratação a campo? No sábado, por exemplo, o Grêmio fez com que o zagueiro Rodolfo (foto à direita) estreasse. Atleta precisa de condicionamento físico, de adaptação ao local de trabalho. Não é de se espantar, portanto, que o referido defensor tenha sido um dos melhores em campo diante do Caxias, na vitória de 2 a 1. Renato Portaluppi não treme ao utilizar seus novos contratados, nem teme em colocar jogadores jovens e habilidosos em campo. Se o resultado não for o esperado, se busca uma outra alternativa. O que não se pode é perder por omissão ou medo. Sendo assim, de nada adianta reforçar o elenco.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Olímpico rehab

A chegada do meia Carlos Alberto (foto) ao Grêmio pegou de surpresa a aldeia futebolística nesta sexta-feira. O principal fator deste "susto" é pelo acerto com o Boca Juniors para que o Tricolor tenha Escudero na disputa da Libertadores. Desta maneira, Renato Portaluppi passaria a contar com uma legião de meio-campistas habilidosos. Escalaria o time em um 4-5-1, sem sacar Douglas dos titulares e remanejando Lúcio para a lateral? Enfim, não dá para dizer que foi um mau negócio da diretoria gremista, afinal de contas, Carlos Alberto tem em seu currículo um título brasileiro com o Corinthians (2005), uma Copa do Brasil com o Fluminense (2007), além de uma Champions League e Mundial Interclubes com o Porto (2004). É verdade também que de uns tempos para cá, aparece como notícia mais por lesões e confusões - como a última em que se envolveu com o presidente vascaíno, Roberto Dinamite, e que foi fundamental para seu desligamento do clube carioca. Mas isso não é problema para o Grêmio. Ultimamente, o estádio Olímpico vem se mostrando uma excelente clínica de reabilitação.

Talvez o que mais tenha chamado a atenção foi o caso de Diego Souza. Escanteado no Benfica, o meia foi emprestado ao Tricolor para relembrar o bom futebol que o destacou em seu surgimento nas Laranjeiras. Não só recuperou a vontade de jogar, como contribuiu em muito para a campanha gremista na Libertadores de 2007. Um ano depois, seria a vez do também meia Roger (então namorado da atriz Deborah Secco) desembarcar em Porto Alegre para sua "rehab". Alguns meses se passaram para que ele renascesse para o futebol e logo fizesse as malas rumo ao Oriente Médio. Agora é a vez de Escudero (que anda em baixa no Boca Juniors) e Carlos Alberto mostrar que ainda podem apresentar algo mais.

O problema é quando jogadores de que tanto se espera, chegam para vestir a camisa tricolor. Foi assim com Leandro, que sai quase excomungado, entregue nesta negociação que traz o jogador do Vasco da Gama. Com este pensamento, o clube alcançou o bicampeonato da América em 1995, com Felipão e um grupo formado por "refugos". É assim que se tentará repetir em 2010, em busca do tri.

Novo ano, problemas velhos

Foto: Alexandre Lops

O ano de 2011 finalmente iniciou para o Internacional. Depois de algumas rodadas torcendo pelo time B, os colorados tiveram a chance de assistir os titulares (pelo menos a maioria) na partida contra o Juventude, nesta quinta-feira. A vitória veio, por 3 a 1, mas os problemas que tanto irritaram o torcedor no ano passado continuaram. Para alguns, a exuberante atuação de D'Alessandro (foto), que chegou a marcar dois gols, maquiou uma exibição fraca do restante da equipe. O argumento é que este foi apenas o primeiro jogo e os jogadores vão entrando no ritmo aos poucos. Tomara que seja isso realmente!

Não se deve comparar, mas podemos fazê-lo tranquilamente. Enquanto perdia dentro de casa para o Liverpool, o técnico do Grêmio, Renato Portaluppi, abriu mão de um volante e lançou o meia Vinícius Pacheco para mudar o rumo da partida. O que fez Celso Roth? O Inter empatava com o Juventude e o comandante permitiu que três volantes - Matias, Tinga e Guiñazu - continuassem em campo. Além disso, quando Zé Roberto sentiu uma lesão e precisou deixar o gramado, o escolhido foi Andrezinho, isolando Damião no ataque (exatamente como acontecia com Alecsandro em 2010). Isso sem falar no goleiro. Lauro não chegou a causar grandes sustos como Abbondanzieri e Renan o fizeram, mas não gera uma tranquilidade nas arquibancadas do Beira-Rio. Enfim, o Colorado se resumiu à técnica de D'Alessandro e a um erro grotesco do árbitro que assinalou uma penalidade inexistente e permitiu a virada.

A zaga também esteve longe de ser elogiada. Índio, por exemplo, parecia estar com as panturrilhas pesadas (com o perdão da piada). É bem verdade que Bolívar e Rodrigo devem formar a dupla defensiva na Libertadores da América, mas mesmo assim o torcedor não sentiu confiança para uma estreia das boas contra o Emelec, daqui a duas semanas. Além disso, a ingenuidade de Leandro Damião deve dar lugar à experiência de Fernando Cavenaghi, e aí se apostam grande parte das fichas vermelhas. Entretanto, ainda está muito longe de se sonhar com o tri da América.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Pacheco, o libertador

Foto: Ricardo Duarte

Como se esperava, os gremistas garantiram a passagem para a fase de grupo da Libertadores. Bastava um empate mínimo para carimbar o passaporte, mas o Tricolor foi além e venceu o Liverpool por 3 a 1. É verdade que no início houve sobressaltos. No entanto, os uruguaios não foram o bastante. Sem história e futebol à altura do Grêmio, contracenaram como figurantes no primeiro capítulo do clube porto-alegrense nesta Libertadores da América.

Os holofotes desta noite decidiram recair sobre Vinícius Pacheco (foto). Sacado do banco de reservas ainda no primeiro tempo para a vaga do volante Adílson - que não atuou muito bem -, o jogador mudou a cara e a história do jogo. Retirou a equipe gaúcha de uma defensiva medrosa e que chegou a estar perdendo dentro de casa, para iniciar o processo de construção da vitória. Depois de assistir ao empate de André Lima, balançou as redes em duas oportunidades, classificando o time de Renato para sua 13ª Libertadores. E quem lembra que Vinícius Pacheco chegou ao Olímpico para tapar o buraco deixado pela ausência de Ronaldinho Gaúcho? Todos amam Pacheco, o libertador.

E é justamente através dele que Portaluppi deverá transformar seu time para a fase quente da competição. Em uma chave onde aparecem Oriente Petrolero, Júnior de Barranquilla e León de Huánuco, o Imortal não pode entrar em campo com dois volantes. Assim como o Liverpool uruguaio, os inimigos da próxima fase são inexpressíveis. O esquema com o losango rápido será complementado ainda pelo argentino Escudero - contratação encaminhada junto ao Boca Juniors. Ainda por cima, na vazada defesa, Rodolfo tomará posse ao lado de Rafael Marques, ao que tudo indica. E assim o Grêmio pode começar a cantar com mais força que "o Mundial é o caminho".

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Lição de história

Já faz 28 anos que o Grêmio ergueu sua primeira taça Libertadores da América. Uma das principais peças daquela equipe era o atual treinador Renato Portaluppi. Nesta quarta-feira, a história se repete diante da retina do comandante e dos torcedores. Não é uma decisão valendo medalha - longe disso! Na partida desta noite o Tricolor estará jogando a chance de disputar mais uma competição sul-americana. Nem o time que Renato dispõe é tão qualificado como aquele de 1983. Não há um atacante como Renato, por exemplo. Nem o adversário é tão imponente como o Peñarol, na época o campeão do Mundo. Mas nada disso interessa. Esta noite o Liverpool estará cara a cara com o Grêmio que vergou o conterrâneo Peñarol, e conseguir pisar na grama do estádio Olímpico já é uma façanha e tanta para um simples campeão da 2ª divisão uruguaia.

O primeiro passo já foi dado pelos portenhos. Tal qual fez o jalde-negro de Montevidéu há quase três décadas, enfrentaram os gremistas de igual para igual no estádio Centenário. Até mesmo o resultado foi semelhante. Enquanto a final de 83 deixou o placar igualado em 1 a 1, desta vez cada um acertou duas vezes a rede do seu adversário. Agora, em Porto Alegre, a vantagem é amplamente brasileira. Um novo empate, desde que abaixo de 2 a 2, classifica o Tricolor. Mas, convenhamos, nem será preciso. Desta vez, Renato nem precisará ir à linha de fundo e acertar um balão em cheio na cabeça de César. Também não será necessário se enervar com a catimba dos rivais, revidar provocações e ser expulso (foto). As coisas prometem ser mais tranquilas nesta noite.

É preciso lembrar da história que se tem. É importantíssimo que, antes de entrarem em campo, os jogadores sejam levados pelo próprio Renato ao museu do Olímpico. Ou que apenas peçam para escutar no vestiário a história daquela grande conquista. Se hoje está em jogo a Pré-Libertadores, é por um breve acaso. O clube é bem maior que isso. Ao contrário dos uruguaios, que querem rugir como um Penãrol, mas não passam de um Liverpool. É tudo uma questão de história.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Villalba, um espelho para Cavenaghi

Tendo como referência o sucesso que D'Alessandro e Guiñazu encontraram no Beira-Rio, Fernando Cavenaghi resolveu aceitar a proposta do Internacional. Foi apresentado nesta segunda-feira como a grande aposta de gols do clube colorado para a Libertadores da América. Aliás, espera seguir os passos dos conterrâneos que trajam a camisa vermelha para voltar à Seleção do seu país e, quem sabe, conquistar o título continental. A escolha do jogador não é das piores, já que argentinos costumam dar certo por estas bandas. São meio-campsitas, volantes e zagueiros que já caíram no gosto, seja da torcida colorada como gremista. Mas e os centroavantes? Algum camisa 9 castelhano fez sucesso por aqui? O último foi Máxi López, no Grêmio, e que deixou o clube de uma maneira conturbada ainda por cima. Então, o histórico recente diz que não. Porém, poucos reconhecem em um "hermano" a figura de um dos atletas mais importantes da história vermelha.

José Villalba (à esquerda na foto), nascido em San Tomé - fronteira com São Borja -, foi trazido em 1941 para realizar testes no Internacional. Não só passou nos exames como ingressou no histórico Rolo Compressor, onde permaneceria até 1944 formando o ataque com Tesourinha e Carlitos. Rodou ainda por Palmeiras e Atlético-MG, voltando a Porto Alegre em 1946. Dois anos depois, em 1948, foi autor de quatro gols em uma vitória de 7 a 0 sobre o arquirrival Grêmio. É Villalba o segundo maior artilheiro na história do clássico gaúcho (com 20 gols, atrás apenas do companheiro de equipe Carlitos). Foi o primeiro argentino a jogar como atacante no Internacional e jamais superado - os outros conterrâneos, Montaño (na década de 50) e Claudio Garcia (em 1995), atuaram apenas uma vez cada.

Portanto, a tarefa de Cavenaghi não é tão fácil como se pensa. Nem memso superar os 50 gols do contestado Alecsandro pode ser considerado como tarefa de Hércules. O torcedor exige mais do que um simples balançar de redes. Quer belas apresentações, estrela contra os rivais e títulos, muitos títulos. Só assim o argentino do presente conseguirá repetir o feito do conterrâneo do passado.