quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Duplo desfalque de Riveros

Foto: Juan Mabromata (AFP)

Curioso para saber da situação dos convocados do Grêmio em suas seleções, tive uma grande surpresa. No Chile, Eduardo Vargas é festejado e testado nas duas formatações táticas (4-3-3 e 3-4-3) que foram observadas antes do duelo contra a Venezuela, pelas Eliminatórias para a Copa do Mundo. Enquanto isso, no Paraguai, lamenta-se a ausência do volante Cristian Riveros - suspenso pelo terceiro cartão amarelo e impossibilitado de enfrentar a Bolívia, nesta sexta-feira. Isso mesmo, suspenso! A notícia está no rodapé da matéria publicada no jornal 'La Nación'.

Este é o calendário brasileiro. Não basta presenciar nossos clubes perdendo seus melhores jogadores a cada convocação sul-americana, ainda é possível vê-los desfalcar o time para apenas treinar em outro país. É bem verdade, contra a Argentina, na próxima terça, Riveros já estará à disposição do treinador paraguaio. Mesmo assim, não poderia ele embarcar para Assunção somente para a segunda partida, diminuindo assim o prejuízo gremista contra Goiás e Portuguesa? "Ele não vai jogar um jogo, mas no outro ele joga. Quando se recebe o ofício de convocação, tem que atender. É obrigado a liberar", disse Marcos Chitolina, assessor de futebol gremista à Rádio GUAÍBA.

Enfim, a Federação Paraguaia de Futebol não tem culpa. Os verdadeiros culpados estão aqui no Brasil, mais precisamente na CBF. Por que ainda não se adequou o calendário nacional às datas FIFA? Basta um simples amistoso internacional para que Grêmio e Inter percam suas joias. De que adianta ter os melhores jogadores se você é punido por isso? E vale lembrar: na última rodada, contra o Goiás, se criou toda uma discussão sobre Matheus Biteco ou Zé Roberto, e a escolha do técnico Renato Portaluppi. Nada disso teria acontecido se o suspenso Riveros tivesse ficado em Porto Alegre, ou melhor, se o Campeonato Brasileiro parasse durante as Eliminatórias.

O clássico do apito

Foto: Edu Andrade (Gazeta Press)

Passado o clima de tensão, façamos o seguinte: a partir deste 4 de setembro de 2013, que se batize o enfrentamento entre Internacional e Corinthians de 'O clássico do apito'. Não há no Brasil, sem dúvidas, uma partida de futebol onde o árbitro fique mais em evidência. Desde 2005 tem sido assim, repleto de reclamações - bem mais para o lado colorado, é verdade. Nesta quarta-feira, se repetiu. O golaço de falta de D'Alessandro, que garantiu a vitória vermelha de 1 a 0, talvez tenha ofuscado um pouco da confusão. Mas não se pode esquecer que ela existiu.

Aos 23 do primeiro tempo, em cruzamento vindo da direita, Leandro Damião se chocou com o arqueiro Cássio, que permaneceu caído na área. No rebote, Fabrício acertou de primeira para o fundo das redes. O juiz deu gol, mas acabou voltando atrás ao perceber a sinalização do seu companheiro ao lado da meta. Feito o bate-boca! A memória colorada voltou à tona: Tinga caindo na área do Pacaembu, Luiz Zveiter anulando os 11 jogos, Fernando Carvalho erguendo faixas de 'Corinthians campeão da Copa do Brasil', etc. Das arquibancadas do Estádio do Vale, gritos de 'Vergonha! Vergonha!'. Depois disso, o que se viu foi pura emoção e pouca razão. O Inter deu chutão, sim senhor. Mas que mal há nisso?! Venceu e ponto!

Daqui a alguns anos, ninguém lembrará que o Inter vinha de um jejum de vitórias (sete jogos sem vencer, sendo destes seis empates). Tampouco recordarão que foi a primeira vitória colorada em Novo Hamburgo, pelo Brasileirão. O gol de D'Alessandro, como eu já disse, pode até ter ofuscado; mas o lance principal será o choque do centroavante com o goleiro corintiano. E sei que você chegou até este ponto do texto para saber qual a minha opinião, se foi ou não falta de Damião em Cássio? Sinceramente, acho que ela não importa. Dependendo da minha resposta, serei taxado de gremista ou colorado. Ou seja, fique você com a sua opinião, já que ela não mudará. Meu único pedido é: batizem logo o tal 'clássico do apito'.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Até o Renato erra

Foto: Carlos Costa (Agência Lance)

O Grêmio perdeu. Um dia isso iria acontecer, né?! Também não é o fim do mundo. Porém, os 2 a 0 sofridos diante do Goiás nesta terça-feira serviram para mostrar que o time não é imbatível. Mesmo com os três zagueiros e três volantes que vem sendo escalados, o Tricolor não foi capaz de parar a noite inspirada do único atacante esmeraldino. Méritos de Walter, é verdade. Mas será que Renato e seus comandados não contribuíram para isso?

Sem poder contar com Riveros (convocado pelo Paraguai), o técnico gremista preferiu manter o sistema tático escalando Matheus Biteco - deixando Zé Roberto de fora, o que seria o mais óbvio. "Ele está voltando de lesão, não tem condições de 90 minutos", explicou Renato Portaluppi no microfone da Rádio GUAÍBA antes da bola rolar. Depois da partida, ainda acrescentou que o time estava cansado das viagens e dos jogos muito próximos um do outro. Tudo isso no caldeirão, misturado, decretou a derrota em Goiânia. Pode ser.

É preciso admitir que Matheus Biteco - escolhido pelo treinador - errou no primeiro gol de Walter, ao recuar a bola enforcada para o goleiro. Errou, mas nem por isso deve ser crucificado. Dida, com toda a sua experiência, também errou (e nem por isso é um ex-jogador). E o que dizer de Bressan, que leva o chapéu no segundo tento goiano? Calma lá, né!? Todos erram. Até o Renato erra! E nesta noite ele errou, fez as opções erradas, demorou em mexer. Mas repito: nada está perdido ainda.

Agora só o Inter quer Damião

Quantas vezes Leandro Damião foi dado como praticamente vendido à Europa? Napoli-ITA, Tottenham-ING, Zenit-RUS, Liverpool-ING... Quantos mais? E uma nova janela se fecha com o camisa 9 permanecendo em Porto Alegre. Será que o Inter não está supervalorizando seu centroavante? Dizer que a imprensa gaúcha está forçando sua venda é simplista (para não dizer ignorância). Nenhum jornalista acorda a fim de vender Damião. As notícias vêm - de empresário, dirigente, pai, vizinho, jornais e sites do estrangeiro. Mas e quando as especulações não se concretizam, o que acontece?

Para se ter uma noção, com o corte de Fred, alguns dirigentes colorados em conversas informais não escondiam a apreensão de ter Leandro Damião convocado para a Seleção Brasileira e, consequentemente, perdê-lo por 3 jogos no campeonato. Mas, de maneira surpreendente, Felipão resolveu chamar Alexandre Pato, do Corinthians - justamente o próximo adversário do Inter. Assim, Damião não só permanece em Porto Alegre, como no time que entra em campo nesta quarta-feira. E isso é bom? Momentaneamente, sim.

O Inter não precisa vender mais ninguém nesta temporada. As saídas do garoto Fred e do zagueiro Rodrigo Moledo para a Ucrânia amenizaram as finanças do clube. Mas, ao mesmo tempo que o segura por mais uma temporada, o Colorado teme a queda de rendimento do centroavante. O presidente Giovanni Luigi não cansa de repetir que nenhuma proposta oficial chegou (apenas sondagem). Enquanto isso, na Seleção Brasileira; Fred, Jô e Pato passaram a sua frente. Está na hora de voltar a ser o velho Damião - nem que seja para responder positivamente aos colorados, que o supervalorizam. O jogo contra o Corinthians é uma boa hora.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Um volante de Seleção por outro

Enfim, Renato Portaluppi terá de mexer na equipe. Sem ter Rhodolfo na zaga e Riveros (convocado), duas peças deverão ser alteradas para o duelo com o Goiás nesta terça-feira. Porém, o treinador gremista não precisará quebrar a cabeça, tampouco modificar o esquema tático que encaixou de vez. Na defesa, Gabriel vira o terceiro zagueiro. No meio, Zé Roberto vira o terceiro volante. Sem dramas!

Por isso, não seria preciso a resposta que Renato deu ao repórter Flávio Dal Pizzol, da Rádio GUAÍBA, após o jogo do último sábado. Quando questionado sobre o substituto do paraguaio, podendo ser Zé Roberto, o comandante tricolor disparou: "Se você quiser o apito, eu te dou, pois você já está escalando o time".

Para a sorte de Renato, Zé Roberto poderá não só entrar no time, como agregar ainda mais qualidade. Ainda no sábado, na zona mista da Arena, conversei com o camisa 10 tricolor, que me disse: "Aquilo que está dando certo, não deve ser mudado. E, para mim vai ser bom, porque tenho facilidade de chegar de trás. Nunca tive problema de jogar de segundo ou terceiro volante, porque já joguei assim no Bayern de Munique e Seleção Brasileira. Eu quero é ajudar a minha equipe", disse o próprio. E ele tem razão. Foi um dos poucos a se salvar no 'naufrágio' da Copa de 2006, onde o comemorado 'Quadrado Mágico' afundou, e ele (como segundo volante) foi dos mais regulares e até deixou sua marca na vitória sobre Gana, nas oitavas-de-final. Ou seja, o Grêmio perde Riveros para a Seleção Paraguaia, mas ganha o Zé Roberto da Seleção Brasileira.

domingo, 1 de setembro de 2013

Enquanto lembrar de Caxias, não chega a Porto Alegre

Foto: Felipe Gabriel (Agência Lance)

Empatar em 0 a 0 com o Coritiba no Couto Pereira não é mau resultado. Isso não fosse o Internacional, voltando para a casa com mais um empate - o sexto consecutivo no Campeonato Brasileiro. A esta altura, culpar o árbitro, temperatura climática, viagem ou a ausência do Beira-Rio (como lembrou Dunga em sua entrevista coletiva), é esconder o problema.

Na verdade, lembrar que não se joga em casa a cada mau resultado, é procurar o problema aonde não existe. "Não podemos esquecer que o Inter vai jogar as 38 rodadas fora de casa, sempre com viagens longas. Não é desculpa. O torcedor do Inter é muito inteligente e são fatos concretos", comentou Dunga após o jogo. E como explicar o fato de ter o Atlético-PR presente no G-4, mesmo sem vê-lo atuar na Arena da Baixada? E se a Vila Capanema fica em Curitiba, o Inter joga em Novo Hamburgo e concentra na cidade com um dia de antecedência. Ou seja, não há desculpa! Antes, Caxias do Sul era a culpada - como se o Inter nunca tivesse perdido no Beira-Rio na sua história.

Os problemas do Inter não passam pela estrada. Basta analisar o aproveitamento colorado no certame: 50% (24 pontos ganhos em 48 disputados). Contra o Coritiba, por exemplo, o time pode comemorar o fato de não ter sofrido gols. Porém, deve lamentar a pouca produtividade ofensiva. Enfim, não é 8 e nem 80. Não é Porto Alegre, mas também não é a Serra. Os colorados estão em Novo Hamburgo! Ou seja, exatamente no meio do caminho. E se Dunga não abrir o olho, continuará no mesmo lugar até dezembro - com os mesmos 50%, no meio da tabela. Para chegar a Porto Alegre, é preciso parar de lembrar de Caxias e enxergar miragens onde não existe.

O dia em que foi necessário vencer como Gladiador

Foto: Lucas Uebel (Grêmio)

Nem o mais fanático torcedor gremista conseguiu ver bom futebol na apresentação do Grêmio neste sábado. O próprio assessor de futebol Marcos Chitolina confessou já na zona mista da Arena: "Não foi uma boa atuação, mas nem sempre dá para jogar bem. O importante hoje era ganhar". E o dirigente tem razão. Há dias em que o gladiador precisa entrar na Arena somente para matar. E foi exatamente o que aconteceu no 1 a 0 diante da Ponte Preta. Com mais 3 pontos e a 5ª vitória consecutiva, o Tricolor iguala (parcialmente) o Cruzeiro, líder do Brasileiro, e isso basta!

Ou você acha que os gladiadores de Roma entravam no Coliseu a fim de dar espetáculo ao imperador? Com dois leões voando por cima de sua jugular, com desafiantes prontos para te degolar e uma população inteira ávida por sangue, a tarefa do gladiador era apenas matar seus oponentes e ir para a cama mais cedo, descansar. E neste sábado Kleber assumiu para si a imagem do Gladiador da Arena do Grêmio. "Até conversamos no banho sobre isso. Estávamos cansados pelo jogo desgastante que tivemos contra o Santos na quarta-feira. E no segundo tempo a perna começou a pesar. Atrapalhou um pouco", revelou o camisa 30.

Kleber teve apenas uma grande oportunidade. No recuo de bola do zagueirão pontepretano, o atacante se antecipou ao goleiro Roberto e tocou para o fundo das redes. Depois disso, bastou administrar (aproveitando o fato de ter um adversário com um atleta a menos). Que mal há nisso? Após o apito final, o autor do gol ainda teve tempo de caminhar rumo à torcida e encontrar no meio dela uma menina que segurava um cartaz com os dizeres 'Kleber Gladiador da Arena #30': "Ela já tinha me avisado pelo Facebook que viria no jogo contra o Santos com este cartaz, mas naquele dia eu não consegui ver ela. Hoje sim. Então entreguei a camisa." Sim, Kleber, o sábado foi seu. Foi o dia em que foi necessária uma vitória de gladiador - apenas matar e ir mais cedo para a cama.