Foto: Wesley Santos (Pressdigital)
Fazer um gol logo em seu Gre-Nal de estreia é uma benção para poucos jogadores - ainda mais quando a equipe vence graças a ele. Pois é disso que pode se gabar o atacante Lins. Primeiro contratado da gestão Odone, o jogador trazido do Criciúma foi responsável pelo segundo gol (o da virada sobre o Inter) na vitória de 2 a 1 deste domingo. No entanto, mais do que Lins, um outro estreante merece destaque: o técnico interino Roger Machado (foto).
O ex-lateral, multicampeão com a camisa tricolor na década de 90, foi atirado na fogueira e se saiu muito bem. Para quem não sabe, ele é auxiliar técnico de Renato Portaluppi e, no momento em que o "titular" não quis dirigir o time em Rivera, sobrou para o "reserva". Poderia ser a estreia e já o fim de uma carreira como treinador, caso tivesse muitos insucessos. Mas Roger se preparou para esta situação - com um curso de treinadores organizado pelo próprio Inter, aliás. O Grêmio esteve melhor em campo durante boa parte do jogo, transformando o goleiro colorado Muriel em um quase herói. Entretanto, foram as substituições que mais chamaram a atenção. No intervalo, sacou o zagueiro Vilson para colocar o volante William Magrão. E, depois disso, escolheu o atacante Lins (autor do gol) para ocupar a vaga do meia Mithyuê. Parece pouco, mas a partir daí os gremistas cresceram e venceram a partida. E até mesmo na hora de assumir suas qualidades, Roger preferiu colocar na conta do mestre Renato.
E se os méritos da vitória recaem sobre Portaluppi, as da derrota bem que poderiam chover sobre Celso Roth. Não, ele não teve culpa - pelo menos não diretamente. Acontece que Enderson Moreira, treinador do Inter B, desmanchou o esquema tático que vinha vencendo e até goleou o Inter de Santa Maria na semana passada. Escolheu repetir a fórmula do insucesso no Mundial, com três volantes no meio e apenas um atacante. Foi o início da derrocada. Pior para o Colorado que quis inverter a tendência do final de semana. Não era hora de imitar velhos costumes, o dia era dos estreantes. Nada mau para o primeiro Gre-Nal disputado fora do país na história dos clássicos.
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
E se a dupla Gre-Nal falasse espanhol?
Grêmio estreando na Libertadores da América em Montevidéu, Inter na iminência de apresentar o argentino Cavenaghi, Gauchão se preparando para vislumbrar o maior clássico do Estado sendo disputado em Rivera... Inspirado por este clima portenho que tomou conta do futebol gaúcho, uma pergunta me chegou à cabeça: e se a dupla falasse espanhol? Então, tive a ideia de elaborar uma Seleção de jogadores estrangeiros que vestiram as camisas de Grêmio e Inter. Infelizmente, não havia lugar para todos os castelhanos que passaram por Porto Alegre, e alguns nomes de destaque acabaram ficando de fora do escrete. Mesmo assim, pode se formar uma grande equipe com os 11 melhores de cada posição.
Goleiro - Dois paraguaios brigavam pela vaga embaixo das traves: "Gato" Fernandez, campeão da Copa do Brasil com o Inter em 1992 e Benítez, campeão brasileiro invicto com o Internacional em 1979. Melhor para o segundo pelo grau de importância do título.

Zagueiros - Nesta área do campo, a dupla já pode contar com verdadeiros ícones do futebol sul-americano. Até mesmo por isso, pode se cometer o sacrilégio de deixar o paraguaio Gamarra e o uruguaio Ancheta no banco de reservas. A dupla de zaga teria Don Elías Figueroa (bicampeão brasileiro pelo Inter em 1975 e 1976) e Hugo de León (capitão gremista na conquista da América e do Mundo em 1983).
Lateral-esquerdo - Esta foi a posição mais difícil de se achar alguém. Pensei até mesmo em improvisar um meia nesta área do campo. Mas a proposta é apresentar cada jogador para a sua própria função. Portanto, não seria injustiça colocar o peruano Hidalgo, campeão do Mundo com o Internacional em 2006, entre os melhores.

Volantes - À frente da área um atleta desconhecido para os torcedores mais jovens: Chamaco Rodríguez. Argentino trazido do River Plate, estreou com a camisa do Grêmio em um clássico Gre-Nal estufando as redes adversárias com um gol de calcanhar. Para acompanhá-lo, um conterrâneo. O incansável Cholo Guiñazu, dono da camisa 5 colorada.

Meio-campistas - De maestros a equipe não poderia se queixar. Além do argentino D'Alessandro, escolhido o melhor da América em 2010, outro colorado seria responsável por distribuir o jogo. O uruguaio Rúben Paz, que contribuiu para o título da Taça Joan Gamper de 1982, dobrando o Barcelona de Maradona em pleno Camp Nou na semifinal.

Atacantes - Na frente, uma dupla formada por um jogador de cada clube, ambos argentinos. Ortiz, que jogou apenas o ano de 1976 no Olímpico, mas foi capaz de deixar a torcida apaixonada pelo estilo driblador (dois anos depois ainda seria campeão do Mundo com a Seleção Argentina). E, com a camisa 9 nas costas, Villalba, centroavante do famoso Rolo Compressor. No Gre-Nal de 1948, pelo Campeonato Citadino, foi autor de quatro gols na vitória vermelha de 7 a 0 sobre o arquirrival.
Goleiro - Dois paraguaios brigavam pela vaga embaixo das traves: "Gato" Fernandez, campeão da Copa do Brasil com o Inter em 1992 e Benítez, campeão brasileiro invicto com o Internacional em 1979. Melhor para o segundo pelo grau de importância do título.
Lateral-direito - Nenhum camisa 2 estrangeiro foi tão bem sucedido como o paraguaio Arce, multicampeão pelo Grêmio na década de 90. Até porque, as últimas referências não chegam nem aos pés dele (Bustos, Bruno Silva, Gavilán...).

Zagueiros - Nesta área do campo, a dupla já pode contar com verdadeiros ícones do futebol sul-americano. Até mesmo por isso, pode se cometer o sacrilégio de deixar o paraguaio Gamarra e o uruguaio Ancheta no banco de reservas. A dupla de zaga teria Don Elías Figueroa (bicampeão brasileiro pelo Inter em 1975 e 1976) e Hugo de León (capitão gremista na conquista da América e do Mundo em 1983).
Lateral-esquerdo - Esta foi a posição mais difícil de se achar alguém. Pensei até mesmo em improvisar um meia nesta área do campo. Mas a proposta é apresentar cada jogador para a sua própria função. Portanto, não seria injustiça colocar o peruano Hidalgo, campeão do Mundo com o Internacional em 2006, entre os melhores.

Volantes - À frente da área um atleta desconhecido para os torcedores mais jovens: Chamaco Rodríguez. Argentino trazido do River Plate, estreou com a camisa do Grêmio em um clássico Gre-Nal estufando as redes adversárias com um gol de calcanhar. Para acompanhá-lo, um conterrâneo. O incansável Cholo Guiñazu, dono da camisa 5 colorada.

Meio-campistas - De maestros a equipe não poderia se queixar. Além do argentino D'Alessandro, escolhido o melhor da América em 2010, outro colorado seria responsável por distribuir o jogo. O uruguaio Rúben Paz, que contribuiu para o título da Taça Joan Gamper de 1982, dobrando o Barcelona de Maradona em pleno Camp Nou na semifinal.

Atacantes - Na frente, uma dupla formada por um jogador de cada clube, ambos argentinos. Ortiz, que jogou apenas o ano de 1976 no Olímpico, mas foi capaz de deixar a torcida apaixonada pelo estilo driblador (dois anos depois ainda seria campeão do Mundo com a Seleção Argentina). E, com a camisa 9 nas costas, Villalba, centroavante do famoso Rolo Compressor. No Gre-Nal de 1948, pelo Campeonato Citadino, foi autor de quatro gols na vitória vermelha de 7 a 0 sobre o arquirrival.
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
Os quatro rapazes e o Liverpool
Fotos: Diego Vara e Alexandre Lops
E para a partida de volta contra os uruguaios, Renato Portaluppi poderá alcançar o nirvana de tanta concentração. O comandante não estará em campo no final de semana, diante do rival Internacional. A direção gremista sentiu-se na condição de escalar reservas, pois os inimigos manterão os jovens do time B que já vêm atuando desde o início do certame. Enquanto isso, Enderson Moreira, treinador colorado, enviará o que tem de melhor - até porque chegou a poupar alguns atletas na goleada de 4 a 1 realizada em Santa Maria (foto à direita). Não será o clássico imaginado pelos torcedores mais fervorosos, mas servirá para deixar o derby parelho como sempre.
Quando surgiram para o mundo da música, em meados dos anos 60, os Beatles eram conhecidos como "os quatro rapazes de Liverpool". Pois nesta quarta-feira, a dupla Gre-Nal tratou de fazer referência, cada um à sua maneira. O Grêmio, naturalmente, entrou em campo diante do clube uruguaio com o mesmo nome da cidade inglesa - e não saiu de um empate por 2 a 2 pelo jogo de ida da Pré-Libertadores. O Inter, com seus garotos do time B, fez quatro gols no Coloradinho de Santa Maria e assumiu a liderança do Gauchão. E tudo isso para se encontrarem no próximo final de semana, em Rivera, pelo primeiro clássico de 2011.
Mas o Gre-Nal pouco importará. Desde o início se sabe que, tanto vermelhos como azuis, valorizam muito mais a Libertadores da América do que o Campeonato Estadual. Por isso, uma caravana tricolor invadiu Montevidéu. No entanto, o resultado não foi o esperado (também não é de se jogar fora). A vantagem para o jogo de volta, no estádio Olímpico, é toda do clube brasileiro - basta um simples empate em 0 a o para que o Grêmio entre na fase quente da competição. Mesmo assim, a apresentação do clube não foi das melhores, e isso preocupa. Jonas foi lembrado a todo momento, já que Júnior Viçosa não conseguiu suprir a ausência do artilheiro. E se na frente a equipe deixou a desejar, atrás foi pior ainda. Os gols sofridos foram ambos resultantes de falhas da defesa (foto acima). Mas enfim, a tarefa não será impossível de ser cumprida. Ultrapassando o Liverpool, o Imortal poderá incluir em sua lista alguns reforços, como o zagueiro Rodolfo e algum substituto para Jonas. A partir daí poderá a sonhar com um caminho mais longo rumo ao tri da América.
E para a partida de volta contra os uruguaios, Renato Portaluppi poderá alcançar o nirvana de tanta concentração. O comandante não estará em campo no final de semana, diante do rival Internacional. A direção gremista sentiu-se na condição de escalar reservas, pois os inimigos manterão os jovens do time B que já vêm atuando desde o início do certame. Enquanto isso, Enderson Moreira, treinador colorado, enviará o que tem de melhor - até porque chegou a poupar alguns atletas na goleada de 4 a 1 realizada em Santa Maria (foto à direita). Não será o clássico imaginado pelos torcedores mais fervorosos, mas servirá para deixar o derby parelho como sempre.quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
Colônia hermana no Beira-Rio
Foto: Fifa.com
Reconhecidamente, o Grêmio é o clube menos brasileiro do país - ou que menos se assemelha ao estilo do futebol e das torcidas encontradas no Brasil. Alguns dizem que é a influência dos vizinhos Argentina e Uruguai que acabaram modificando a tradição do Tricolor. E os próprios gremistas enxergam estas diferenças com muito orgulho. Porém, de uns anos pra cá, quem pode se intitular como "o mais castelhano do Brasil" é justamente o rival Internacional. E o discurso ganha maior força ainda quando o Colorado exalta que está prestes a contratar mais um argentino para o plantel.
Se confirmado, o atacante Fernando Cavenaghi (à direita, na foto) engrossará a colônia hermana no Beira-Rio. Encontrará no vestiário vermelho um antigo companheiro de River Plate, com quem dividiu até mesmo a camisa da Seleção Nacional: D'Alessandro (à esquerda, na foto). Além deles, claro, ainda existe o incansável Guiñazu. E ainda nem citamos os uruguaios Sorondo e Bruno Silva, que talvez sequer sejam aproveitados pelo técnico Celso Roth. Aliás, na Libertadores da América não haverá problema algum em escalar toda esta legião de estrangeiros, já que não existe limite para isso na Conmebol. No entanto, pelo Campeonato Brasileiro, alguém sobrará da panela, pois a CBF permite apenas três atletas de fora do país.
Mas o Colorado pouco liga para esta situação. Corre atrás de mais um hermano: o volante Bolatti. Pode ser que ele venha para preencher a vaga do Cholo, assediado pelo mercado exterior. Ou, mesmo que fiquem todos os correntinos, o pensamento do Inter é justamente importar a raça e a qualidade argentina para a disputa continental - fato que já contribuiu em muito na conquista do ano passado. E se, enfim, Bolatti não acertar com a diretoria vermelha, o uruguaio Facundo Píriz, do Nacional de Montevidéu, pode ser a alternativa. E, a esta altura, nenhum colorado irá se opor. Torcer por uruguaios é o que eles mais querem - principalmente nesta quarta-feira, quando o arquiinimigo Grêmio enfrenta o Liverpool uruguaio pela Pré-Libertadores. Começou a guerra da Cisplatina!
Reconhecidamente, o Grêmio é o clube menos brasileiro do país - ou que menos se assemelha ao estilo do futebol e das torcidas encontradas no Brasil. Alguns dizem que é a influência dos vizinhos Argentina e Uruguai que acabaram modificando a tradição do Tricolor. E os próprios gremistas enxergam estas diferenças com muito orgulho. Porém, de uns anos pra cá, quem pode se intitular como "o mais castelhano do Brasil" é justamente o rival Internacional. E o discurso ganha maior força ainda quando o Colorado exalta que está prestes a contratar mais um argentino para o plantel.
Se confirmado, o atacante Fernando Cavenaghi (à direita, na foto) engrossará a colônia hermana no Beira-Rio. Encontrará no vestiário vermelho um antigo companheiro de River Plate, com quem dividiu até mesmo a camisa da Seleção Nacional: D'Alessandro (à esquerda, na foto). Além deles, claro, ainda existe o incansável Guiñazu. E ainda nem citamos os uruguaios Sorondo e Bruno Silva, que talvez sequer sejam aproveitados pelo técnico Celso Roth. Aliás, na Libertadores da América não haverá problema algum em escalar toda esta legião de estrangeiros, já que não existe limite para isso na Conmebol. No entanto, pelo Campeonato Brasileiro, alguém sobrará da panela, pois a CBF permite apenas três atletas de fora do país.
Mas o Colorado pouco liga para esta situação. Corre atrás de mais um hermano: o volante Bolatti. Pode ser que ele venha para preencher a vaga do Cholo, assediado pelo mercado exterior. Ou, mesmo que fiquem todos os correntinos, o pensamento do Inter é justamente importar a raça e a qualidade argentina para a disputa continental - fato que já contribuiu em muito na conquista do ano passado. E se, enfim, Bolatti não acertar com a diretoria vermelha, o uruguaio Facundo Píriz, do Nacional de Montevidéu, pode ser a alternativa. E, a esta altura, nenhum colorado irá se opor. Torcer por uruguaios é o que eles mais querem - principalmente nesta quarta-feira, quando o arquiinimigo Grêmio enfrenta o Liverpool uruguaio pela Pré-Libertadores. Começou a guerra da Cisplatina!
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
O atacante mais vingativo do mundo
Foto: Neco Varella
Na última sexta-feira, Jonas se enfureceu com a torcida do Grêmio. O time perdia para o São José dentro de casa por 1 a 0. O artilheiro empatou o marcador e saiu correndo para encontro dos torcedores, como de costume. Porém, ao contrário das inúmeras declarações de amor (foto) que prestou ao longo de sua estadia no Olímpico, desta vez Jonas preferiu vociferar. E quando o próprio camisa 7, através de cobrança de falta, virou o placar para o Tricolor, e manteve-se em silêncio, declarou não estar disposto a comemorar com os gremistas. Ninguém entendeu nada na hora, mas agora as peças se encaixam. Jonas, simplesmente, sabia que estava deixando o clube porto-alegrense. Agiu como uma mulher traída e vingativa.
Quando chegou ao Grêmio, em meados de 2007, o atacante vindo do Santos, pouco foi aproveitado pelo então treinador Mano Menezes. Acabou, no ano seguinte, sendo emprestado à Portuguesa. Destacou-se e retornou ao Imortal. Mas nem por isso caiu nas graças da torcida ou do treinador. Celso Roth, que comandava a equipe em 2009, iniciou o ano priorizando Alex Mineiro, Herrera e Máxi López. Foi abaixo de muita pancada que Jonas conseguiu provar o seu valor, alcançando, inclusive, a artilharia do Brasileirão. A partir de então, ganhou até mesmo bandeira com seu rosto estampado em meio as arquibancadas e espaço entre os maiores goleadores da história do clube. E foi exatamente contra estes admiradores que ele protestou na semana passada. Quando conquistou o amor de quem sempre lhe destratou, decidiu ir embora, como se dissesse: "Agora quem não quer sou eu". Poucos entenderam.
A prova da sede de vingança que Jonas sente se explica no destino do atleta. No ano passado, choveram propostas da Rússia, Grécia e outros países. Entretanto, ele aguardava apenas uma: a Espanha. Quando o Valência manifestou interesse em contratá-lo, aceitou sem pestanejar. Isso porque foi da Espanha que partiu, em 2009, o título de um jornal que o apontava como "o pior atacante do mundo". Jonas causará aos espanhóis o mesmo sofrimento que causou aos gremistas. Fará com que os torcedores de toda a Valência o amem, para enfim deixá-los chorando solitários. Para os gremistas, que ficaram abandonados aqui no Rio Grande do Sul, não havia pior momento para isso acontecer. Recém cicatrizados do rompimento com Ronaldinho e às vésperas de uma Libertadores da América. Resta, agora, suprir esta ausência. Renato terá que enfrentar o Liverpool com os jogadores que tem à disposição. Não há mais tempo para reposição - somente após a entrada na fase quente da competição. No entanto, o Grêmio terá forças suficientes para superar a traição de Jonas e os uruguaios ao mesmo tempo?
Na última sexta-feira, Jonas se enfureceu com a torcida do Grêmio. O time perdia para o São José dentro de casa por 1 a 0. O artilheiro empatou o marcador e saiu correndo para encontro dos torcedores, como de costume. Porém, ao contrário das inúmeras declarações de amor (foto) que prestou ao longo de sua estadia no Olímpico, desta vez Jonas preferiu vociferar. E quando o próprio camisa 7, através de cobrança de falta, virou o placar para o Tricolor, e manteve-se em silêncio, declarou não estar disposto a comemorar com os gremistas. Ninguém entendeu nada na hora, mas agora as peças se encaixam. Jonas, simplesmente, sabia que estava deixando o clube porto-alegrense. Agiu como uma mulher traída e vingativa.
Quando chegou ao Grêmio, em meados de 2007, o atacante vindo do Santos, pouco foi aproveitado pelo então treinador Mano Menezes. Acabou, no ano seguinte, sendo emprestado à Portuguesa. Destacou-se e retornou ao Imortal. Mas nem por isso caiu nas graças da torcida ou do treinador. Celso Roth, que comandava a equipe em 2009, iniciou o ano priorizando Alex Mineiro, Herrera e Máxi López. Foi abaixo de muita pancada que Jonas conseguiu provar o seu valor, alcançando, inclusive, a artilharia do Brasileirão. A partir de então, ganhou até mesmo bandeira com seu rosto estampado em meio as arquibancadas e espaço entre os maiores goleadores da história do clube. E foi exatamente contra estes admiradores que ele protestou na semana passada. Quando conquistou o amor de quem sempre lhe destratou, decidiu ir embora, como se dissesse: "Agora quem não quer sou eu". Poucos entenderam.
A prova da sede de vingança que Jonas sente se explica no destino do atleta. No ano passado, choveram propostas da Rússia, Grécia e outros países. Entretanto, ele aguardava apenas uma: a Espanha. Quando o Valência manifestou interesse em contratá-lo, aceitou sem pestanejar. Isso porque foi da Espanha que partiu, em 2009, o título de um jornal que o apontava como "o pior atacante do mundo". Jonas causará aos espanhóis o mesmo sofrimento que causou aos gremistas. Fará com que os torcedores de toda a Valência o amem, para enfim deixá-los chorando solitários. Para os gremistas, que ficaram abandonados aqui no Rio Grande do Sul, não havia pior momento para isso acontecer. Recém cicatrizados do rompimento com Ronaldinho e às vésperas de uma Libertadores da América. Resta, agora, suprir esta ausência. Renato terá que enfrentar o Liverpool com os jogadores que tem à disposição. Não há mais tempo para reposição - somente após a entrada na fase quente da competição. No entanto, o Grêmio terá forças suficientes para superar a traição de Jonas e os uruguaios ao mesmo tempo?
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
De volta a 2007
Fotos: Diego Vara e Alexandre Lops
O final de semana trouxe vitórias para a dupla Gre-Nal - os colorados bateram o Santa Cruz, enquanto os gremistas superaram o Canoas. Porém, ambos venceram pelo placar mínimo (o Inter, no sábado, com uma bela ajuda do goleiro adversário e o Grêmio, no domingo, com gol de penalidade). De qualquer maneira, os resultados somam mais três pontos e alçam os clubes ao topo da tabela de classificação. Mas convenhamos, é muito pouco ainda para quem sonha em conquistar o tricampeonato da América. E o passado nem tão distante mostrou que o caminho pode dar em nada.
Da mesma maneira, o rival vermelho parece repetir os passos dados há quatro anos. A comissão técnica guarda os titulares para a disputa da Libertadores, apostando em uma equipe B no Gauchão. Porém, as atuações da garotada - exceto Ricardo Goulart (foto à direita) - não vem atendendo as expectativas. Será que as estrelas farão o seu papel quando chamados? A estreia está marcada somente para o dia 16. Contudo, a data parece tão próxima para quem iniciou a pré-temporada há menos de uma semana. E quem viu o filme de 2007 sabe como este pode terminar: com eliminações pra lá de precoces no Campeonato Estadual e Continental. Coincidência ou não, os cartolas da dupla são os mesmos. No Tricolor, Paulo Odone é o presidente de novo. No Colorado, Luigi, vice de futebol na época, agora assumiu a presidência. Será que não aprenderam com os pecados?
O final de semana trouxe vitórias para a dupla Gre-Nal - os colorados bateram o Santa Cruz, enquanto os gremistas superaram o Canoas. Porém, ambos venceram pelo placar mínimo (o Inter, no sábado, com uma bela ajuda do goleiro adversário e o Grêmio, no domingo, com gol de penalidade). De qualquer maneira, os resultados somam mais três pontos e alçam os clubes ao topo da tabela de classificação. Mas convenhamos, é muito pouco ainda para quem sonha em conquistar o tricampeonato da América. E o passado nem tão distante mostrou que o caminho pode dar em nada.
O Grêmio já estreia nesta quarta-feira, pois adentra uma etapa antes da fase de grupos. O Liverpool do Uruguai, à primeira vista, não promete ser um pedregulho no sapato. Entretanto, o Tricolor pode tropeçar nas próprias pernas. O time montado por Renato, que ressucitou no Brasileirão do ano passado, é praticamente o mesmo (com o "acréscimo" de Gilson, assumindo a vaga de Fábio Santos na lateral). O resto é igual e não é de todo mal. Mas e se uma lesão acometer o plantel? E se Douglas sentir desconforto muscular antes da partida, quem vai armar as jogadas? E se Victor torcer um dedo da mão, Grohe pode assumir a bronca? Até mesmo o improvisado Lúcio, como bem se viu, não tem substituto à altura. Com todo o respeito, mas depender de Júnior Viçosa (foto à esquerda) e Roberson para mudar a história de um jogo é quase piada. É quase uma repetição do que se viu em 2007, quando Mano Menezes conseguiu, apesar do plantel bastante escasso, chegar à finalíssima do torneio continental. Não se pode apostar somente na raça. Falta qualidade!
Da mesma maneira, o rival vermelho parece repetir os passos dados há quatro anos. A comissão técnica guarda os titulares para a disputa da Libertadores, apostando em uma equipe B no Gauchão. Porém, as atuações da garotada - exceto Ricardo Goulart (foto à direita) - não vem atendendo as expectativas. Será que as estrelas farão o seu papel quando chamados? A estreia está marcada somente para o dia 16. Contudo, a data parece tão próxima para quem iniciou a pré-temporada há menos de uma semana. E quem viu o filme de 2007 sabe como este pode terminar: com eliminações pra lá de precoces no Campeonato Estadual e Continental. Coincidência ou não, os cartolas da dupla são os mesmos. No Tricolor, Paulo Odone é o presidente de novo. No Colorado, Luigi, vice de futebol na época, agora assumiu a presidência. Será que não aprenderam com os pecados?sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
O alerta do Gauchão
Foto: André Costa (Costa Press)
Acostumados a se revezar nos títulos estaduais, Grêmio e Inter adentraram 2011 levando o Gauchão na flauta. Tanto no Olímpico como no Beira-Rio a prioridade se chama Libertadores. Porém, os resultados e as atuações não foram como as diretorias esperavam. Times mistos e totalmente formada por reservas comprovam que não existe mais bobos no futebol - principalmente no Rio Grande do Sul. Atualmente, os colorados ocupam o 6º lugar do grupo 1, enquanto os gremistas o 5º do grupo 2. Ou seja, terminando a primeira fase do certame neste momento, ambos estaria fora da próxima fase. Por isso, o sinal de alerta foi ligado nos clubes.
Nesta sexta-feira, o Grêmio encara o São José, dentro de casa, em rodada antecipada por conta da Pré-Libertadores. A necessidade de vencer é enorme, já que a equipe não saiu do empate nas primeiras partidas. E, decidido a tirar o pé da lama, Renato escalará o que tem de melhor. A principal notícia é o retorno do centroavante André Lima (foto), que teve a situação regularizada junto a CBF e fará a dupla de ataque com Jonas. Já é um grande avanço para quem teve de torcer por Júnio Viçosa e Diego Clementino na última rodada. Além do mais, aquela possibilidade do treinador ficar de fora dos jogos pelo interior do Estado está praticamente afastada. O ano que começou de maneira empolgada para o torcedor tricolor começa a preocupar.
No Inter, a preocupação já está instalada há horas. Piorou após a venda de Giuliano para a Ucrânia. Nem mesmo a contratação de Zé Roberto, do Vasco, parece devolver o torcedor colorado a si. A prova disso é que quem pede para que os titulares entrem em campo pelo Gauchão não é mais somente a torcida. Os próprios jogadores estão pedindo para que a comissão técnica volte atrás e dê uma folga ao time B. Até porque, se realmente o torneio continental é o sonho para este ano, a preparação física deve começar logo. Enfim, o Gauchão acendeu o sinal de alerta na dupla.
Acostumados a se revezar nos títulos estaduais, Grêmio e Inter adentraram 2011 levando o Gauchão na flauta. Tanto no Olímpico como no Beira-Rio a prioridade se chama Libertadores. Porém, os resultados e as atuações não foram como as diretorias esperavam. Times mistos e totalmente formada por reservas comprovam que não existe mais bobos no futebol - principalmente no Rio Grande do Sul. Atualmente, os colorados ocupam o 6º lugar do grupo 1, enquanto os gremistas o 5º do grupo 2. Ou seja, terminando a primeira fase do certame neste momento, ambos estaria fora da próxima fase. Por isso, o sinal de alerta foi ligado nos clubes.
Nesta sexta-feira, o Grêmio encara o São José, dentro de casa, em rodada antecipada por conta da Pré-Libertadores. A necessidade de vencer é enorme, já que a equipe não saiu do empate nas primeiras partidas. E, decidido a tirar o pé da lama, Renato escalará o que tem de melhor. A principal notícia é o retorno do centroavante André Lima (foto), que teve a situação regularizada junto a CBF e fará a dupla de ataque com Jonas. Já é um grande avanço para quem teve de torcer por Júnio Viçosa e Diego Clementino na última rodada. Além do mais, aquela possibilidade do treinador ficar de fora dos jogos pelo interior do Estado está praticamente afastada. O ano que começou de maneira empolgada para o torcedor tricolor começa a preocupar.
No Inter, a preocupação já está instalada há horas. Piorou após a venda de Giuliano para a Ucrânia. Nem mesmo a contratação de Zé Roberto, do Vasco, parece devolver o torcedor colorado a si. A prova disso é que quem pede para que os titulares entrem em campo pelo Gauchão não é mais somente a torcida. Os próprios jogadores estão pedindo para que a comissão técnica volte atrás e dê uma folga ao time B. Até porque, se realmente o torneio continental é o sonho para este ano, a preparação física deve começar logo. Enfim, o Gauchão acendeu o sinal de alerta na dupla.
Assinar:
Postagens (Atom)










