sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Você vai lembrar de mim







Para que um profissional dê certo no Grêmio Foot-Ball Porto-Alegrense, primeiramente, ele precisa estar desacreditado. Esta é a premissa para que alguém seja reconhecido no Imortal Tricolor: estar disposto a surgir ou ressurgir para o mundo. Ou alguém discorda que antes da Libertadores de 83 apenas os gremistas acreditavam no jovem atacante chamado Renato? Ou vai dizer que os cariocas chiaram quando Paulo Nunes e Jardel foram trazidos em 95 para formar a dupla ofensiva mais efetiva do Rio Grande do Sul? Pois tudo isso também aconteceu com Mano Menezes, quando desembarcou no estádio Olímpico em 2005.

O técnico tinha como sucessos na carreira um título do interior com o Guarani de Venâncio Aires e uma vaga na semifinal da Copa do Brasil com o 15 de Campo Bom. Ou seja, uma aposta tremenda. Assumiu um Grêmio que vinha aos trancos e barrancos na série B, muito longe ainda do acesso à primeira divisão. Mas a Fênix havia de voar, desta vez sob o comando de Mano. O Tricolor voltaria à elite brasileira naquela ficou conhecida como a Batalha dos Aflitos, surpreendendo o país em 2006, quando colocou a modesta equipe gremista entre as quatro melhores daquele campeonato. Mas o melhor ainda estava por vir: a Libertadores da América em 2007. Com Patrício e Cia., Mano Menezes colocou o Imortal em patamares jamais imaginados pelos jovens torcedores gremistas - em uma finalíssima continental. O título acabaria por não vir, mas isso foi um mero detalhe para a belíssima história escrita pelo treinador.

Porém, quis o destino que Mano Menezes fosse para o Corinthians, com a mesma missão de dois anos atrás: devolver o clube paulista à Série A e alçar vôos na Libertadores. E agora, neste sábado, eles estarão frente a frente: Mano Menzes e Grêmio, que sempre serão amantes um do outro, entretanto, inimigos temporários.

Como eu falava no início deste comentário, apenas desacreditados dão certo no estádio Olímpico. Prova disso é o atual treinador gremista. Chegou para levar o Grêmio ao tri continental, ao bi mundial, ao tri brasileiro, enfim. Somente pelo currículo, foram pipocados fogos quando Paulo Autuori desembarcou no Aeroporto Salgado Filho. Pois até agora, a equipe conquistou uma única vitória fora de casa sob o comando do novo técnico. Alugém poderá lembrar que com Mano Menezes, o time também era sofrível fora de casa. No entanto, Mano Menezes tinha um diferencial: era um Imortal, assim como o próprio Grêmio. E Autuori é um reles mortal, que simplesmente atirou a toalha em meio ao campeonato. Bons tempos em que Mano vestia azul.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Alguém me desconfigurou




Finalmente o Internacional voltou a vencer! O calendário já apontava um mês de jejum. Trinta e um dias sem comemorar três pontos em uma partida. Foram ao todo quatro derrotas e dois empates, além de uma eliminação precoce da Copa Sul-Americana. Para se ter uma noção, a última vitória colorada havia sido ainda sobre o Avaí, em Santa Catarina, por 2 a 0. O volante Magrão fez um dos gols. Depois disso, ele se foi embora e o Inter se afundou em uma onde de maus resultados. Pois agora, com os 3 a 1 de ontem sobre o Náutico, não há mais motivos para preocupação. As vacas magras se foram. Pelo menos deveria ser assim.

Mas o torcedor não pode se iludir. Tivemos a estreia de um esquema novo, de um treinador novo, de um ânimo novo, mas o ideal ainda está longe. Até porque, basta comparar o próprio aproveitamento colorado diante do Náutico neste ano para que se constate algo de errado. Somente em 2009, o Internacional enfrentou os pernambucanos por três vezes. No primeiro duelo, pelo jogo de ida das oitavas-de-final da Copa do Brasil, o time patrolou o Timbu em pleno estádio dos Aflitos, fazendo 3 a 0 com gols de Nilmar, Taison e Marcelo Cordeiro. Depois disso, no Beira-Rio, bastaram 7 minutos para os colorados decretarem 2 a 0 com Taisone D'Alessandro. E, por último, novamente em Recife, só que pelo primeiro turno do Brasileirão, Nilmar enfiou mais 2 a 0. Vale lembrar que era a época em que o Rolo Compressor estava a pleno funcionamento. Não tomava conhecimento de ninguém. Mas afinal de contas, levando em consideração todas estas atuações, por que o Inter sofreu tanto para bater o Náutico na noite de ontem?

O pré-jogo dizia que a tarefa ia ser das mais fáceis, já que do lado oposto não estavam sete titulares, entre eles Carlinhos Bala - o melhor do time. Não havia motivos para tanta sofreguidão! Mas o Inter quis assustar o seu torcedor. Enfileirou chances de gols perdidas e por pouco não viu mais uma vitória escorrer pelo ralo. Como pode um time que patrolou por três vezes os mesmos jogadores sentir tanta dificuldade para derrotar mais uma vez seu oponente? O que há de errado com o Inter do segundo semestre?

Podemos levar em consideração as vendas do meio do ano, já que Nilmar e Magrão acabaram fazendo as malas. Será que é por isso? Quem desconfigurou o Internacional? A diretoria? Colocou-se a culpa em Tite. Bom, agora ele caiu. Já não está mais entre os vermelhos - tanto que ontem estreiou o novo comandante. Agora, se com Mário Sérgio as coisas mudarão de rumo, só o tempo vai dizer. Até lá, resta saber qual foi a peça do Rolo Compressor que pifou, arrumar antes que seja tarde e dar um secadinha no Palmeiras, Goiás e Atlético-MG. Missão difícil.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Vou morrer de saudade


Um time começa pelo goleiro. Esta é uma das tantas frases que já fazem parte do folclore futebolístico nacional, mas que ninguém sabe daonde veio. Depois dela ainda podem ser citadas o "quem não faz leva", o "o futebol é uma caixinha de surpresas" e tantas outras. Bom, até então o futebol não tem apresentado surpresas para o Grêmio. As derrotas fora de casa são quase sempre óbvias e as goleadas em casa são sucessivas. Outra frase que não cabe ao Tricolor diz respeito ao "quem não faz leva", até porque o Imortal tem o melhor ataque do Brasileirão e, mesmo assim, uma das defesas mais vazadas. Ou seja, faz e leva em alta intensidade. Agora, que um bom time começa pelo goleiro - essa sim!- cabe perfeitamente para a massa azul.


Tente lembrar de algum grande frango do goleiro Victor. Pense bem. Bom, não existe! Agora, cite algumas das defesas que salvaram a pele gremista: contra o Santos, no ano passado, contra o Flamengo neste ano, enfim. Várias! Sendo assim, recorremos a um dado colhido deste Brasileirão 2009. O Grêmio de Paulo Autuori tem como marca ser sofrível fora do Olímpico e soberano dentro dele. Mas será que realmente podemos chamar assim, como o "Grêmio de Autuori"?
Eu acho que não. Os méritos ultimamente deve ir todos ao arqueiro azul, Victor, que há algum tempo vem sendo apontado como o melhor de sua posição que ainda pisa em território brasileiro. Digo isso porque os basta averiguar os resultados que contradizem o retrospecto gremista, para se constatar que Victor é sim o diferencial da equipe. Não é Souza, Máxi López ou Jonas. Pura e simplesmente o goleiro.


Ao contrário do arquirrival, o Grêmio ainda não perdeu dentro de seus domínios. Muito pelo contrário, amarga apenas quatro empates dentro do Monumental. Agora, não pode se esconder o fato de que tudo isso se deve à permanência de Victor debaixo dos três paus. Em três empates dentro de casa (contra Goiás, Vitória e Sport Recife), o guarda-redes atendia pelo nome de Marcelo Grohe. O único 1 a 1 em que Victor era o goleiro, aconteceu na rodada de abertura do
campeonato, contra o Santos. Com isso, não se quer excomungar o jovem goleiro revelado na Azenha, mas sim chamar a atenção para a importância do titular dentro de campo.

Por isso, se alguém disser que a posição de goleiro é tão amaldiçoado que o lugar onde ele pisa não nasce grama, não acredite! Victor veio para provar o contrário. E apenas dar sequência à série de divindidades que trajaram a camisa 1 desde a morte de Eurico Lara. E agora, com dois jogos fora de casa, contra Atlético-PR e Corinthians, como o torcedor gremista pode confiar em um mero mortal chamado Marcelo Grohe? Salve-se quem puder!

terça-feira, 6 de outubro de 2009

O outro


Mário Sérgio é o novo treinador do Inter. A diretoria pensou em diversos nomes: Paulo César Carpegiani, Silas e até mesmo Vanderlei Luxemburgo. Ninguém quis assumir a responsabilidade por míseros dois meses e apenas 11 jogos. Eles queriam mais, pediam contratos longos. Até que apareceu Mário Sérgio. Resolveu assumir o papel de amante na relação. Sabe que será apenas um passatempo na história colorada, apenas um alento para quem nada conseguiu. Mas o novo treinador deixa bem claro: "Mesmo que eu seja campeão brasileiro, não pretendo ficar mais do que dois meses". Resta saber se esta é uma desculpa esfarrapada dada antes da desgraça certa, ou uma desconversa para quem sabe que não será mais do que um mero tampão. Quase como um "eu também não te amo tanto assim..." dito da boca da "outra".


"Não dá mais para fingir que ainda não vi as cicatrizes que ela fez. Se desta vez ela é senhora deste amor, pois vá embora, por favor. Que não demora pra essa dor sangrar".


O que amedronta a massa vermelha é que o currículo de Mário Sérgio não alegra ninguém. Treinador desde 1987, quando estreiou pelo Vitória, o profissional não conquistou absolutamente nada. Nem campeonato estadual de cuspe à distância. Aliás, sua classificação mais louvável foi um segundo lugar na Copa do Brasil com o Figueirense, em 2007. Depois disso, uma coleção de demissões consecutivas - incluindo a última deste ano, quando caiu da Portuguesa por perder para o Icasa, dentro do Canindé, pela primeira fase da Copa do Brasil. Por estas e outras, o torcedor que já vinha desacreditado de um título nacional, atira a toalha, o boné, a camisa vermelha e a cachaça da mão.


Porém, ainda há meia dúzia de gatos pingados que ainda creem no improvável. Tudo isso porque o atual treinador vestiu o traje colorado na última conquista de Campeonato Brasileiro - a única invicta. Há exatos trinta anos, nos longínquos 1979, Mário Sérgio não estava na casamata do Beira-Rio, mas sim dentro de campo. Formava o meio-campo com Falcão e Batista. Depois disso, ainda cairia de paraquedas no arquirrival Grêmio, e se sagraria campeão mundial
em 1983. Por estas e outras, Mário Sérgio também pode ser considerado um estímulo para D'Alessandro e Cia. Mas a pergunta que persiste, acima de tudo, até mesmo acima do questionamento sobre o sucesso do novo treinador, diz respeito ao tempo de duração desta relação. Até quando Mário Sérgio estará a frente do Colorado? Ele terá respaldo para cobrar fidelidade ou antes do reveillon será substituído por outro?

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

É cedo ou tarde demais?


O dia amanheceu decisivo para os colorados. O hino do Internacional que brada uma "senda de vitórias" já estava ficando contraditório diante da série de partidas sem três pontos. A equipe recheada de craques do início do ano, que chegou a ser apontada como a melhor do mundo por Argel Fucks, estava em declínio total. O torcedor aguardava por uma reação jogo após jogo, crente de que era apenas uma fase de turbulência. Que nada!


Pois os 2 a 0 contra o Coritiba neste domingo provaram para a diretoria colorada que o técnico Tite não estava mais nos planos. Aquela conversa toda de manter o foco no projeto e o equilíbrio dentro de campo virou papo furado. Sem mais filosofias, sem mais enrolações. Finalmente a alta cúpula do "ex-clube do povo" resolveu escutar os desejos da sua massa. Fim da Era Tite! Mas a pergunta que não quer calar diz respeito à demora por esta decisão. O Internacional esperou Copa do Brasil, Recopa, Sul-Americana e Brasileirão escorrerem pelo ralo para se dar conta de que mudanças eram necessárias. Acontece que aquele Rolo Compressor que patrolou adversários até o meio de 2009 emperrou. Justamente agora, que tinha de provar a que veio. Ou seja, não é tarde demais para tentar alguma coisa? Será que há salvação?


O curioso é que Tite prova do mesmo veneno que tomou Celso Roth no Grêmio, no início deste ano: um treinador viciado, que insistia em um esquema surrado. E como diz a frase, quem ri por último, ri melhor. Agora resta saber quem assumirá a casamata vermelha. E o último que sair, feche a porta e apague a luz.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Vem pra cá


A Copa do Mundo FIFA de Futebol de 2014 acontecerá no Brasil. Os Jogos Olímpicos de 2016 terão como sede o Rio de Janeiro. O Internacional está prestes a oficializar sua pré-temporada mais uma vez em Bento Gonçalves. E o Grêmio? Para onde vai o Grêmio no ano que vem? Enquanto os milhões de torcedores gremistas alimentam a esperança de ver o Imortal em mais uma Libertadores da América, os habitantes de Bento Gonçalves e arredores vivem a expectativa de ter confirmada mais uma pré-temporada gremista na Capital Brasileira da Uva e do Vinho.

Há cerca de um mês, a informação de que Canela entrou na briga para receber o clube porto-alegrense acabou aterrorizando os fãs bento-gonçalvenses. Chegou-se a cogitar cidades de outros Estados, de outros países, enfim. Bento Gonçalves estava fora do páreo. Uma comitiva chegou a visitar o estádio Olímpico, para apresentar (mais uma vez, diga-se de passagem), as qualidades da região dos Vinhedos. Pois voltaram com um sorriso largo, dando indicativas de que tudo estava no seu lugar. Agora, início de outubro, mais uma cidade entra no páreo. Gramado, através de sua prefeitura, enviou um convite oficial ao Grêmio Foot-Ball Porto-Alegrense. E o que temos de resposta? Que o clube vai pensar. Apenas se manifestará no dia 18, após o jogo contra o Coritiba. Antes ainda, irá visitar as três cidades para conhecer melhor os "benefícios que elas podem oferecer". Ora, desde 2004 o Grêmio passa por debaixo da Pipa Pórtico. Por que agora não estaria mais disposto a estacionar o Trovão Azul na frente do São Paulo do Borgo? Está com vergonha ou ganancioso?

Bom, esta é uma pergunta sem resposta. Até lá, a comunidade bento-gonçalvense clama.

O que não se pode é confundir as bolas. Seja para se preparar para Gauchão, Libertadores da América ou Série B, Bento Gonçalves sempre recebeu muito bem as delegações, tanto de Grêmio quanto de Inter. Agora, se os "benefícios" noutros campos são maiores, eu me rendo. Resta saber o que virá primeiro: a definição sobre a pré-temporada do Grêmio ou sobre as sub-sedes da Copa do Mundo. Enquanto isso, sigamos comemorando as Olimpíadas do Rio.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Até quando?


A vida do colorado virou um martírio. O Inter abriu o ano se vangloriando por possuir jogadores na Seleção Brasileira: Alex, Nilmar e Kléber eram as pepitas de ouro do Beira-Rio. E ainda havia quem pedisse por D'Alessandro e Guiñazu com a camisa argentina. Até Sorondo, depois de se recuperar de lesão, poderia ser convocado para a Seleção do Uruguai. Tamanha euforia, acertou em cheio o vice presidente Fernando Carvalho. Até ele, classificado por muitos como o mais sensato dos diretores, abriu 2009 clamando simplesmente por todos os campeonatos que se disputasse. Gauchão, Copa do Brasil, Recopa, Suruga, Sul-Americana e Brasileirão. Seis certames diferentes e mais de vinte atletas à disposição. O Inter quis abraçar o mundo, por que, talvez, fosse mais forte que o mundo.

O Gauchão serviu para reafirmar tudo isso. O Colorado patrolou o rival por três vezes, dançou em cima dos adversários e conquistou o campeonato regional com mais uma goleada de 8 a 1. Mas 2008 havia provado que uma goleada em final de Gauchão de nada adiantaria se o Inter não mantesse os pés no chão. O discurso foi diplomático. O Colorado foi avançando, assumiu a liderança do Brasileirão e chegou à final da Copa do Brasil contra o Corinthians. Pois bastaram duas entortadas do Ronaldo Fenômeno para que Índio, Copa do Brasil, Inter e tudo o mais escorresse pelo ralo. Estava decretado o início da "Via Crucis" para o Sport Club Internacional.

Pois ontem, quando o Colorado foi eliminado do terceiro torneio apenas este ano, a diretoria olhou para os lados e não enxergou mais desculpas para se agarrar. O torcedor já esperava com tochas de fogo e guilhotina em praça pública. Ele quer a cabeça do treinador Tite. Clama por mudanças drásticas no vestiário. Não aguenta mais ouvir filosofias após perder pateticamente dentro de campo. Mas a diretoria pede paciência. Quer dar outra chance a Tite. Até quando?

Até quando Bolívar será lateral? Até quando Maycon será titular? Até quando Taison e Alecsandro vão jejuar? Pode ser que depois, quando o Inter boiar na intermediária da tabela do Brasileirão, a diretoria veja que as mudanças eram necessárias. Não é mau agradecimento. Todos são gratos ao trabalho de Tite e a sua conquista da Sul-Americana no ano passado. Acontece que em 2009, o ano do Centenário, o Rolo Compressor emperrou.