terça-feira, 20 de outubro de 2009

Um garotinho



Um garotinho - A Lupa no Gramado
O próximo final de semana colocará mais uma vez Grêmio e Inter frente a frente. Já são 377 clássicos e muitas histórias para contar. Dentre estas tantas fábulas, vários heróis, como: Eurico Lara, Escurinho, André Catimba, Nilson, Fabiano e tantos outros. No Rio Grande do Sul, somos bipolarizados desde os tempos de chimangos e maragatos. Ou somos gremistas ou colorados. Prova disso é a existência de dois "Grenais do Século". Um que retrata uma virada histórica no Campeonato Brasileiro de 1988, e que agrada a vermelhos; e outro que traduz a vitória gremista no dia em que a rivalidade completou seus 100 anos de existência e que, obviamente, agrada aos azuis. Enfim, como diz a frase, Gre-Nal é Gre-Nal. Aliás, são jogos como este que separam o joio do trigo e os homens dos meninos. E, por coincidência e pura felicidade, este próximo clássico pode ser deles - dos meninos.

Em qualquer decisão que se preze, pelo menos no futebol, a esperança fica sempre por conta dos jogadores experientes. Eles é que deveriam resolver a parada quando a coisa está complicada. Vide Fernandão, que desembarcou no Beira-Rio para marcar o gol mil da rivalidade. No entanto, de uns tempos para cá, a história tem se invertido. Ano após ano, pipocam exemplos de como a juventude se agiganta em horas de Gre-Nal. Foi assim com o jovem zagueiro Léo, que marcou o gol da vitória de 1 a 0 do Grêmio em 2007. Já em 2008, foi a vez do garoto Taison vestir a camisa vermelha para estreiar diante do rival, até então líder do Brasileirão. E, por fim, no último clássico disputado, tivemos a revelação de Mário Fernandes, que atuando como lateral não deixou a desejar.

Pois agora, neste próximo Gre-Nal, que tanto pode dar luz de esperança como carregar o perdedor às trevas, o holofote mais uma vez se volta para a meninice. Recém chegados da Seleção Brasileira Sub-20, quatro jovens revelações poderão resolver as vidas de seus times. Do lado tricolor, Douglas Costa desponta como a novidade do treinador. Do lado rubro, Giuliano chega com a missão de devolver a confiança para a equipe. Ou seja, dois garotos podem trazer a euforia de volta às vidas dos gaúchos.

E ainda poderíamos citar Marquinhos, Bruno Collaço, Alan Kardec, Maylson e alguns outros que poderão ingressar pela primeira vez na fogueira chamada Gre-Nal. É bem verdade que a confiança será totalmente depositada em jogadores do quilate de Souza e Alecsandro. Mas quem dirá que os garotos não poderão fazer o crime?

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Mudanças


Vamos fazer uma retrospectiva. Você lembra como o Internacional e o Grêmio iniciaram 2009? Os colorados começaram o ano com uma constelação: Alex, Nilmar, D'Alessandro, Magrão... Era tido como um dos principais elencos do país. No entanto, ocorreram mudanças. A diretoria achou por bem vender alguns jogadores. Edinho foi o primeiro a sair, porque surgia das categorias de base um primeiro volante melhor que ele. Alex também foi enviado à Europa com apenas uma passagem de ida. Tudo porque o momento de Taison era melhor. Nilmar e Magrão foram os últimos a deixar o Beira-Rio, correspondendo à mesma desculpa de sempre: temos que vender um por ano. Chegou-se, inclusive, a cogitar que o argentino D'Alessandro também pudesse estar de malas prontas para outro clube. Quase uma operação desmanche.

E veja aonde foi parar o ano do centenário! Um clube que chegou a se comparar ao Boca Juniors, ao Barcelona, ao Chelsea, mas que, na verdade, se esqueceu das suas origens. E agora, com Taison, Sandro e Alecsandro no elenco, os colorados tentam sobreviver em meio ao Brasileirão. Enquanto todos os concorrentes a título patinam na parte de cima da tabela, o Inter poderia estar passeando rumo ao tetracampeonato. Mas não. Prefere se esconder atrás da máscara de "Campeão de Tudo". E ai de quem discorde das decisões!

Com o Grêmio a história se repete, mas com menor intensidade. O Brasileirão de 2008 já deveria ter provado que a soberba roubou o título do estádio Olímpico. Pois veio a Libertadores da América como consolo. Era a chance de provar que o Tricolor era o campeão brasileiro e sul-americano por direito. Mas o planejamento de nada adiantou. Veio a demissão de Celso Roth e a contratação de Paulo Autuori. E aquele time, que mesmo contestado sob o comando de Roth, vinha sendo o grande destaque da competição continental, passou a sofrer alterações.

As críticas levavam em consideração a fragilidade dos adversários. Boyacá Chicó, Aurora e Caracas. Apenas Autuori salvaria o ano. Pois ele veio, e um dos primeiros passos foi mudar tudo de lugar. Mandou embora o lateral Ruy, promoveu William Thiego à titularidade e modificou o esquema tático 4-4-2. Bastou para que o time gremista desandasse. Mexeu na estrutura do que, mal ou bem, vinha dando certo. Por pura convicção do treinador.

Pois quem disse que o 3-5-2 não poderia ser o esquema certo para o Grêmio na Libertadores? Pois quem inventou que o Colorado era o melhor time do Brasil? As mudanças de planos e de estrategia, sendo elas por autoritarismo ou soberba, acabaram levando a dupla Gre-Nal para um mesmo fim. O Grêmio, mesmo batendo o Coritiba, não apresentou nada mais do que um futebol medícore. E o Inter, com esquemas táticos escalados de última hora, de postulante a título já se encontra pendurado no rodapé do G-4.

Agora, domingo que vem, eles se cruzam. Quem restará deste embate? Mais uma vez o Gre-Nal se faz decisivo. Tanto podemos ter festa para um dos lados, como poderemos ter terra arrasada por todo o Rio Grande. Depois disso, o planejamento poderá mudar de novo.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Alguém que te dê segurança



Alguém que te dê segurança - A Lupa no Gramado
O Grêmio jogou a toalha no Brasileirão. Embora Souza, Tcheco e Victor ainda acreditem e exijam maior empenho do elenco gremista, tudo leva a crer que a diretoria não acredita mais. Como a torcida pode lotar o estádio Olímpicio contra o Coritiba, neste domingo, se os dirigentes não enxergam futuro? Prova disso são as declarações do vice de futebol Luiz Onofre Meira. Ainda ontem, ele comentou que o Grêmio já está de olho no mercado, à procura de reforços para 2010. Ou seja, 2009 se foi pelo ralo.

Ninguém discordará de Meira quando ele diz que o Tricolor precisa contratar um lateral-direito, um meia canhoto e um atacante veloz. O lateral até chegou neste ano - Joílson -, porém não agradou. A tentativa por Renato, ex-Flamengo, e Leandro, ex-São Paulo, poderiam recuperar o moral. Mas as negociações não sairam do papel. Para piorar a situação, Jonas, que vinha fazendo as vezes de atacante veloz e matador, acabou se machucando e voltará somente no ano que vem. E agora, quem poderá nos salvar?

Para levantar o astral gremista, o meia Roger, cônjugue de Deborah Secco, declarou que gostaria de retornar ao Olímpico em 2010. Para quem não lembra, ele começou 2008 com a camisa do Imortal. Era o bendito fruto em meio ao deserto. Entre Willians Magrões, Paulos Sérgios e Reinaldos, se destacava o nome de Roger. Era o maestro da camisa 10 no time de Vágner Mancini. Veio Celso Roth e o prestígio seguia igual. Era o maior ídolo gremista naquele início de ano. No entanto, de uma hora para outra, apareceu com as malas prontas no Aeroporto Salgado Filho. Uma ligação e alguns petrodolares fizeram com que o atleta fosse embora para o Catar. Abandonou o Grêmio no meio do Brasileirão. Depois, o Tricolor ainda conseguiria se reerguer e chegar em segundo lugar no campeonato.

Bom, se você não lembrava de toda esta história, Meira lembrou. Ao ser indagado sobre um possível retorno de Roger, esbravejou: "Ele não! Não tem o perfil do Grêmio!". Quase a mesma desculpa utilizada para mandar o antigo técnico Vágner Mancini catar coquinhos. Aliás, este argumento quase criou uma guerra no estádio Olímpico esta semana. Paulo Autuori, acusado de não possuir a "cara do Grêmio", por pouco não pediu o boné. A verdade é que o Grêmio não precisa de alguém com a cara dele. O Grêmio necessita, urgentemente, de alguém que o faça ter uma cara. Hoje o time tricolor é um amontoado de nomes, que sobrevive às custas de milagres de Victor, Souza ou Máxi López. Sabe do quê o Grêmio realmente precisa?

"Você precisa de alguém que te dê segurança, senão você dança..." (Segurança - Engenheiros do Hawaii)

Mas, afinal de contas, quem tem a cara e o perfil gremista? Paulo Autuori? Duda Kroeff? Luiz Onofre Meira? Até agora o que se viu foi um time inseguro, que, sem ter identidade, afunda longe de casa. Então, antes de refugar diante de Roger ou ir atrás de Leandro, os dirigentes devem se perguntar se são eles a cara do Grêmio.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

É com esse que eu vou



É com esse que eu vou - A Lupa no Gramado
Quando Alex Raphael Meschini desembarcou no Aeroporto Salgado Filho, em meados de março de 2004, não era nem de perto o que é hoje. Comprado do Guarani de Campinas, por R$ 800mil, Alex era o craque do time paulista. Chegou no estádio Beira-Rio como um renegado. Apenas o então presidente Fernando Carvalho apostava no jogador. No entanto, o atleta acabou machucando-se nos primeiros meses e foi pouco utilizado pelo técnico Joel Santana. Em 2005, Muricy Ramalho assumiu o Internacional, e Alex virou titular. Não titularíssimo, como Clemer, Tinga ou Fernandão. Começou comendo migalhas, atuando pela ala-esquerda, no esquema 3-5-2. Participou da boa campanha que quase levou o Colorado ao título brasileiro. Restou a vaga na Libertadores como alento.

Pois em 2006, Muricy cansou de perder no Beira-Rio. Resolveu ir para o grande São Paulo, recém campeão mundial. Abel Braga assumiu o Inter, e com ele Alex virou titularíssimo - no meio-campo, diga-se de passagem. Venceu a Libertadores da América com a camisa 24, o Mundial FIFA e Recopa com a 7, e, finalmente, a Copa Sul-Americana com a 10. Era praticamente o dono do time, quando já atuava no ataque. Foi demais para os colorados, que se viram obrigados a vender Alex, agora craque do Beira-Rio. Assim, a jovem revelação que chegou de Campinas por 800 mil, acabou deixando Porto Alegre por 15 milhões.

Ainda em 2008, chegou à Seleção Brasileira. Concorria com craques como Kaká e Ronaldinho Gaúcho por uma vaga na África do Sul. Por isso, antes mesmo de deixar o Inter, chegou a pedir para ser escalado na lateral-esquerda, para ter mais chances em ir pra Copa. De tanto pedir, acabou deixando de lado. Certamente, se conscientizou que uma simples vaguinha no banco de reservas já seria demais.

Pois ontem, quando Dunga testou o sexto lateral-esquerdo contra a Venezuela, se deu por conta que não tem nenhum. Aliás, o melhor flanco esquerdo que atuou pela Seleção joga com o pé direito: Daniel Alves. O Brasil simplesmente não tem laterais esquerdos! Por isso, se Alex ainda pensa em conquistar uma vaga na delegação canarinho, pode se agarrar na camisa 6.

Gilberto, Marcelo, Juan, Kléber, André Santos e Filipe Luís. Nenhum deles chega aos pés do que foi Roberto Carlos. E olha que o carequinha foi expulso da Seleção por arrumar a meia, enquanto a França fazia um gol na Copa de 2006. Então, repito mais uma vez. Se Alex quer fazer sucesso com a camisa amarelinha, faça como fez no Inter. Basta chegar como um renegado, assumir a vaguinha que sobrar. Foi assim em Campinas, foi assim no Beira-Rio e poderá ser assim na África do Sul.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Eu sou do sul



Eu sou do sul - A Lupa no Gramado
Que Dunga tem o coração colorado, todos já sabem. A famosa casquinha nos minutos finais contra o Palmeiras em 1999 salvaram o Internacional de um rebaixamento que parecia inevitável. No entanto, o que poucos reconhecem é que ele é o mais gaúchesco de todos os demais treinadores que passaram pela Seleção Brasileira. Mais gaúcho, inclusive, que Felipão e João Saldanha. Quando ergueu a taça do tetra, ele não fez provas de amor à Ijuí, sua terra natal - como fez Cafu com o Jardim Irene, por exemplo. Até por que, se fizesse isso, não seria "faca na bota". Mas a comprovação de sua fidelidade à terrinha está escrita nas convocações. Desde que assumiu o comando da Seleção Brasileira, Dunga não exitou em convocar atletas com identificação total com o Rio Grande do Sul. Jogadores que defenderam as cores de seus clubes como se estivessem lutando na Guerra dos Farrapos. Enfim, honraram as tradições dentro dos gramados sulistas.


Na reserva de Júlio César, por exemplo, está Victor - o goleiro mais identificado com o Grêmio desde os tempos de Danrlei. Na zaga, aparecem o xerifão Lúcio, que trajou a camisa colorada no final dos anos 90, e Naldo, que antes de brilhar na Alemanha, atuou com a camisa do Juventude. No meio, uma dupla de volantes para não se botar defeitos: Lucas, hoje no Liverpool, mas revelado no Olímpico, e Sandro, que ainda veste vermelho. Mais avante, Diego Souza e Alex brigam pela vaga na reserva de Kaká. Um deles irá para a Copa e, vale lembrar, ambos já mostraram nos clubes da capital que têm bala na agulha. Na frente, Nilmar, o eterno guri do Beiro-Rio, parece ter carimbado de vez seu passaporte com os últimos gols pelas Eliminatórias. E isso que nem citamos outros nomes que apareceram em antigas convocações, como Anderson, Alexandre Pato, Ronaldinho Gaúcho e Rafael Sóbis. Por estas e outras dá para se dizer que Dunga levará para a África do Sul a Seleção mais gaúcha de todos os tempos.


O curioso é que de todos os jogadores citados como possíveis selecionados para a Copa, nenhum deles é sul-riograndense de nascença. Victor é paulista; Naldo, Alex e Nilmar são paranaenses; Diego Souza é carioca; Sandro é mineiro; Lucas é sul-matogrossense e Lúcio é brasiliense. Aliás, de todos os 24 jogadores que Dunga levará para a Copa de 2010, apenas o lateral-direito Maicon tem sangue gaudério nas veias, já que é natural de Novo Hamburgo. Porém, curiosamente, jamais defendeu algum clube gaúcho profissionalmente. Nem por isso pode se refutar a hipótese
da Seleção mais gaúcha de todos os tempos - até porque o mais chimango deles estará no comando, literalmente matando o cachorro a grito. Agora, terminadas as Eliminatórias, desejamos boa sorte aos farrapos e lanceiros negros. Boa sorte aos guerreiros de Dunga na África do Sul!

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Só tua presença vai me deixar feliz



Só tua presença vai me deixar feliz - A Lupa no Gramado

O Campeonato Brasileiro de 2009 está com os dias contados. Pelo menos estava. A rodada deste final de semana, complementada com jogos nesta segunda-feira, parecia o golpe final para os esperançosos. Há duas rodadas o líder Palmeiras tem a chance de se sagrar campeão com várias partidas de diferença. Sâo Paulo, Inter, Atlético-MG e Goiás vem patinando em seus jogos, deixando brecha para os comandados de Muricy Ramalho. Mas os deuses do futebol são misericordiosos. Ou, dependendo do ponto de vista, sádicos, pois querem assistir à briga de gladiadores até o fim.

Agora, se fores analisar friamente as derrapadas dos times da ponta, se dá por conta de um fator primordial: a convocação para a Seleção Brasileira. De todas as equipes que ainda brigam (ou pelo menos falam) em título, somente o Goiás não tem jogador com a camisa amarelinha. Os demais, todos, estão com os olhos voltados para as Eliminatórias ou Mundial Sub-20.

Comecemos pelo líder Palmeiras. Diego Souza, o maestro regente do Verdão, se apresentou à delegação canarinho sonhando com Copa do Mundo. Recebeu a camisa 10 das mãos de Dunga e decepcionou diante da Bolívia, no último domingo. Ao mesmo tempo, desde que o meia se ausentou do Palestra Itália, os palmeirenses não sabem mais o que é vencer. Empataram em casa contra o Avaí e tomaram um sapataço do Náutico. Na imprensa paulista, dizem, isto se chama "diegodependência". Desta mesma crise de abstinência sofre o Atlético-MG. Desde que Diego Tardelli virou o centroavante reserva de Dunga, o Galo estacionou nos pontos: perdeu para o Botafogo e mais recentemente para o arquirrival Cruzeiro. Do lado são-paulino a crise é defensiva. Ricardo Gomes perde cada vez mais cabelos tentando escalar a zaga sem Miranda.

Na dupla Gre-Nal, as críticas dão conta de dois setores sintomáticos do campo. Enquanto os colorados são criticados por não chutar a gol, os gremistas desataram a tomar gols jogo após jogo. Aliás, foi só Victor se mudar de mala e cuia para a Granja Comary, para que o Imortal entrasse em jejum de vitórias. Somente nos últimos três jogos, Marcelo Grohe sofreu cinco gols (3 contra o Sport e 2 contra o Corinthians). Enquanto isso, no Beira-Rio, a ausência de Sandro nem é tão sentida assim, já que Glaydson tem dado conta do recado ultimamente. Por isso, Dunga passa longe das críticas. O alvo dos impropérios vermelhos é a CBF, que insistiu por levar o garoto Giuliano para o Egito. Lá, a jovem contratação colorada se transformou em camisa 10 e capitão da Seleção Sub-20. Enquanto o Beira-Rio virou um lar de viúvas, que chora as saídas de Nilmar, Magrão e a ausência de Giuliano. Por estas e outras, os postulantes a título e vaga no G-4 não veem a hora que seus craques retornem para o ninho.

Pode se dizer, inclusive, que o Brasileirão voltará a ser o mesmo Brasileirão de antes apenas na próxima rodada, quando as Eliminatórias tiverem terminado. Até lá, seguiremos assistindo a alegria dos emergentes Flamengo, Cruzeiro e até mesmo Botafogo, que fizeram as pazes com o futebol.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Ronaldo!




Ronaldo! - A Lupa no Gramado

Venho, no meu comentário de hoje, pedir perdão. Perdão aos gordinhos de plantão que me escutam. Àqueles que estão acima do peso, àqueles que batalham diariamente contra a balança e muitas vezes não têm as suas habilidades reconhecidas. Faustões, Jôs Soares e Chacrinhas do Brasil que me perdoem. Todos têm o seu valor! Eu já havia provado do meu próprio veneno há alguns meses. Nunca fui um fã fervoroso do Ronaldo Fenômeno, e, por muitas vezes, não o achei tão fenomenal assim. Mas confesso que de um tempo para cá, tenho dobrado meus joelhos diante da sua imagem, como quem pede perdão pelos pecados.

Quando ele desembarcou no Parque São Jorge no início deste ano, fui um dos zilhões que desconfiaram dos holofotes que o miravam. Com barriga de chope, pescoço de cheese burguer e corpanzil de churrasco, dei risadas quando ele entrou em campo pela primeira vez com a camisa do Corinthians. A cada toque na bola, abria um largo sorriso de maldade. Provavelmente seria marketing puro e nada mais. Depois disso, quando ele balançou as redes pela primeira vez, contra o Palmeiras, creditei o sucesso à falha de Marcão. "Se fosse outro zagueiro, Ronaldo não tinha marcado!". Mais algumas rodadas e o Fenômeno daria o título paulista para os Gaviões da Fiel. Já estava começando a balançar meus pensamentos, mas aí vieram os pedidos por Seleção Brasileira. Bastou para que eu voltasse a criticar a exposição excessiva da mídia. "Esse gordo nem é tudo!", cheguei a dizer.

Pois precisei morder minha língua quando o vi deitar o colorado Índio com dois dribles de corpo, em plena final da Copa do Brasil, dando o segundo título do ano aos "bandos de loucos". Fiquei incrédulo. Como pode um jogador de cento e tantos quilos patrolar o Rolo Compressor? Pois patrolou, e ainda por cima comemorou como se fosse o "Seu Boneco", da antiga Escolinha do Professor Raimundo. Foi para a galera.

Não bastasse tudo isso, Ronaldo foi o primeiro jogador a fazer uma lipoaspiração em pleno Campeonato Brasileiro. Voltou mais pesado do que antes. Pisou de novo no gramado contra o Atlético-PR, em uma derrota patética dentro de casa. Mais uma vez foi dado como ex-atleta. Pois bastaram simples trinta minutos para que ele calasse a outra metade do Rio Grande do Sul. Neste sábado, jogando no Pacaembu, o Grêmio foi aniquilado em meia hora de bola rolando. O Gordo Ronaldo fez um gol e deu o passe para o outro. Terminou com o pouco que restava de esperanças na torcida tricolor.

E agora, enquanto assistimos a inúmeros centroavantes passarem pela camisa 9 da Seleção, há quem desdenhe da regularidade de Luís Fabiano. Nilmar e Robinho não são ninguém. Adriano Imperador não passa de um aspirante a Fenômeno. Mas ele sim! Merece uma invasão em campo, em pleno confronto entre Bolívia e Brasil pelas Eliminatórias. E quem se queixará do fanático torcedor? Dunga que não será. Ele, como bom colorado que foi, não ousará levantar do banco de reservas para reclamar da ousadia. Tampouco o goleiro Victor, que soube lá de La Paz que Ronaldo fez a massa azul chorar neste final de semana.

Agora estão todos envergonhados. Uns por ter perdido uma final de Copa do Brasil para ele. Outros por ter visto ele passear em cima da zaga tricolor. E mais, alguns como eu, que simplesmente levaram a frase profética como piada: "Ronaldo, brilha muito no Corinthians". E ele brilha, para nosso desespero.